quarta-feira, 27 de maio de 2009

feudalismo


A crise do escravismo greco-romano, observada entre os séculos III e IV, apresentou novas condições históricas para que uma nova forma de organização da ordem sócio-econômica fosse empregada. A crise dos centros urbanos, a crise demográfica, relacionadas ao advento das invasões bárbaras, e a crise do escravismo, incitaram um processo de ruralização das populações do período.

A partir de então, os feudos tornaram-se o centro de um conjunto de práticas culturais, instituições políticas e relações econômicas que denominavam o chamado feudalismo. O feudo consistia em uma unidade de produção agrícola de subsistência, estruturada por uma rígida organização social e fortemente influenciada pelos valores disseminados pelo cristianismo católico.

Além de trabalhar nas terras, o servo era obrigado a pagar uma série de tributos que eram pagos pelo uso das instalações e ferramentas do feudo. Submetidos às exigências do senhor feudal, os servos ainda se conformaram a essas relações de trabalho, pois eram legitimadas pela Igreja. De acordo com o pensamento cristão, a harmonia entre nobres e servos – sob a tutela espiritual dos clérigos – representava um reflexo da Santíssima Trindade pregada pela doutrina católica.

Durante seu auge, entre os séculos V e XI, o feudalismo foi o mais importante modo de organização sócio-política da Alta Idade Média. Com o reaquecimento das atividades comerciais, o movimento cruzadista e a instabilidade vivida nos século XIII e XIV observamos a afirmação de uma nova configuração das relações sociais e econômicas a partir do surgimento da burguesia mercantil.

A crise do feudalismo é um processo de longa duração que conta com uma série de fatores determinantes. Entre outros pontos, podemos destacar que a mudança nas relações econômicas foi de grande importância para que as práticas e regras que regulavam o interior dos feudos sofressem significativas transformações. Essa nova configuração econômica, pouco a pouco, influiu na transformação nos laços sociais e nas idéias que sustentavam aquele tipo de ordenação presente em toda a Europa.

Além disso, o comércio sofria grandes dificuldades por conta dos monopólios que dificultavam e encareciam a circulação de mercadorias pela Europa. Os árabes e os comerciantes da Península Itálica eram os principais responsáveis por esse encarecimento das especiarias vindas do Oriente. A falta de moedas, ocorrida por conta da escassez de metais preciosos e o escoamento das mesmas para os orientais, impedia o desenvolvimento das atividades comerciais.

Tantos empecilhos gerados à economia do século XV só foram superados com a exploração de novos mercados que pudessem oferecer metais, alimentos e produtos. Esses mercados só foram estabelecidos com o processo de expansão marítima, que deflagrou a colonização de regiões da África e da América. Dessa forma, a economia mercantilista dava um passo decisivo para que um grande acúmulo de capitais se estabelecesse no contexto econômico europeu.

terça-feira, 26 de maio de 2009

IMPÉRIO OTOMANO


Deu-se início no século XI, quando tribos turcas nômades se fixaram na Anatólia, região que hoje é parte da Turquia. Tais tribos ajudaram a difundir a religião muçulmana em terras que até então estavam sob o domínio de outro império, o Bizantino.
Império Otomano tornou-se um dos estados mais fortes do
mundo nos séculos XV e XVI, englobando boa parte do Oriente Médio, do Leste Europeu e do norte da África.

A igreja Ortodoxa cristã, que predominava nas terras bizantinas, foi mantida. Os judeus perseguidos pelos cristãos na península Ibérica também encontraram refúgio no território otomano.
O império começou a decair no século XVII. As
atividades econômicas dos povos conquistados eram conduzidas por iniciativa deles próprios, fez com que a economia geral do império fosse se desintegrando lentamente.
Essa mudança deu início à modernização do império, bastante influenciada pela Alemanha, ao lado de quem os turcos lutaram na Primeira Guerra Mundial. A derrota no confronto tumultuou ainda mais o império, que foi abolido pouco depois, em 1923, quando foi proclamada a República da Turquia.




O Império Bizantino ou Império Romano do Oriente atingiu seu ápice durante o reinado do imperador Justiniano quando se relacionaram pacificamente com os persas, retomando o norte da África, a maioria da Itália e o sul da Espanha com o objetivo de reconquistar o poder no ocidente.
A hierarquia em que vivia a sociedade bizantina era dividida em grupos: no topo estava o imperador e sua família, abaixo a nobreza formada pelos assessores do rei, logo após estava o clero e depois desta a elite formada por ricos fazendeiros, banqueiros, comerciantes, funcionários públicos e donos de oficinas. As camadas intermediárias eram compostas por agricultores, pequenos comerciantes, artesãos e o baixo clero. As camadas pobres eram compostas pela maioria da população camponesa, servil e escrava.
Em 565, quando o imperador Justiniano morreu, o Império Bizantino ficou fragilizado por causa dos grandes gastos militares com a proteção de suas fronteiras, da intolerância da Igreja e pela incompetência da administração sem o imperador. Durante o século VI, diversos pontos da Europa foram invadidos, fator que impulsionou a queda de Constantinopla que definitivamente ocorreu em 1453, quando os turcos otomanos atacaram com balas de canhão e armamentos modernos findando o Império.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

impérios
ROMA
No século I a.C., as conquistas militares de Otávio lhe garantiram uma rápida ascensão política. Com a chancela do Senado, Otávio alcançou o título de Augusto ou “o escolhido dos deuses” o primeiro dos imperadores romanos. Dessa forma, o Senado poderia estar subordinado ao poder do imperador. Dispondo de amplos poderes em mãos, Otávio Augusto iniciou uma profunda reforma nas instituições e costumes romanos.
No campo administrativo, foram reduzidos os poderes dos magistrados e houve um maior controle do império sobre as divisas arrecadadas com a cobrança de impostos. Para aperfeiçoar o controle sobre as províncias, também foi criado um sistema de correios que mantinha as autoridades romanas informadas de todos os acontecimentos nas porções mais remotas dos extensos domínios imperiais. Para extinguir as antigas rixas das tradicionais classes sociais romanas, Otávio também reformulou uma nova classificação entre os cidadãos romanos.
O critério consangüíneo deu lugar a uma organização baseada na capacidade financeira de cada indivíduo. O mais alto posto da nova hierarquia social era ocupado pela ordem Senatorial. Esses cidadãos deveriam ter uma fortuna de, no mínimo, um milhão de sestércios (moeda utilizada na época).
Os integrantes da ordem Senatorial deveriam utilizar uma peça de tecido púrpura e seu elevado poderio econômico concederia o exercício de direitos políticos. Ocupando uma faixa intermediária, a ordem Eqüestre era composta por todo cidadão romano com renda superior a 400 mil sestéricos. Esses poderiam usufruir de alguns cargos públicos e utilizariam uma peça de tecido azul. Aqueles que tivessem uma renda menor que 400 mil sestéricos seriam da ordem Inferior e não possuiriam nenhum tipo de privilégio político. Além de reorganizar as ordens sociais, Otávio Augusto buscou interferir no modo de vida do povo romano. Interessou em financiar a produção de obras artísticas. A família deveria permanecer sólida e as mulheres adúlteras passaram a sofrer punição.
Para evitar o inchaço da cidade de Roma, Otávio também se preocupou em incentivar a ocupação dos espaços rurais.
Preocupado em manter a unidade dos domínios imperiais, Otávio também reformulou o exército romano. Os soldados foram profissionalizados, sendo que cada um deles receberiam uma porção de terras ou uma equivalente recompensa financeira. Com um exército de natureza permanente, o Império Romano tratou de manter sua hegemonia territorial frente os povos com quem faziam fronteira. Abandonando o critério hereditário, os próximos imperadores seriam escolhidos pela indicação do próprio imperador. Nesse período, períodos de prosperidade e crise alternavam-se no contexto político romano.
A excessiva concentração de poderes nas mãos do imperador era, por vezes, motivo para que várias tramas políticas e rebeliões acontecessem em Roma. Com o inchaço da cidade de Roma, as diversas disputas políticas e a crise de uma economia dependente de sua mão-de-obra escrava, Roma tornou-se um grande conglomerado de terras que enfrentaria sérios desgastes com o fim de suas conquistas.

Após o auge vivido nos dois primeiros séculos da Era Cristã, o Império Romano viveu anos de extrema dificuldade. Uma série de fatores reuniu-se para que um dos maiores impérios do
mundo Antigo viesse a ruir paulatinamente, podemos apontar a crise do sistema escravista, a estagnação comercial, a diminuição da produção agrícola e a pressão exercida pelos povos germânicos que viviam nas fronteiras do império.

A partir do século III, diversas transformações do mundo romano deram fim ao esplendor de um dos mais poderosos impérios da Antigüidade.

impérios GRÉCIA

No século IV a.C., os conflitos causados pela Guerra do Peloponeso deixaram as cidades-Estado gregas gravemente desgastadas. Sem condições de garantir a autonomia de seus territórios, elas tornaram-se uma presa fácil para povos estrangeiros.
Ao norte da Grécia, a civilização macedônica começava a empreender um projeto expansionista que, em pouco tempo, foi capaz de assegurar o controle sobre o mundo grego. A partir desse processo de dominação que se iniciou o chamado Período Helenístico. No ano de 356 a.C., Filipe II tornou-se rei da Macedônia. Frente ao governo, Filipe foi responsável por uma reforma agrária que confiscou terras dos grandes proprietários e redistribuiu as mesmas entre os camponeses. Tal medida, ao mesmo tempo em que afastou as elites macedônicas do governo, engrossou as fileiras dos exércitos macedônicos formados por indivíduos de origem popular. Com isso, o rei Filipe II criou as condições necessárias para o alargamento de seus territórios. Inicialmente, os exércitos macedônios conquistaram as regiões da Potidêia, Antifípolis e Pidna, anteriormente controladas pelos atenienses. Tempos depois, executou um plano de alianças políticas que incentivaram a desunião política das cidades-Estado gregas.
Antevendo as pretensões de Filipe II, o orador ateniense Demóstenes, em seus discursos conhecidos como Filípicas, alertou sobre as intenções do governo macedônio. No entanto, a preparação militar dos macedônios já era avançada. Na Batalha de Queronéia (338 a.C.), os exércitos de Filipe derrubaram os atenienses e tebanos. Enquanto preparava um novo exército para levantar-se contra os persas, Filipe II foi assassinado por um aristocrata coríntio, em 336 a.C. Com sua morte, o trono foi disputado pelos filhos de Filipe e as cidades-Estado gregas empreenderam uma revolta contra o Império Macedônio.
Foi nesse momento que Alexandre Magno, filho de Filipe, derrotou a revolta grega liderada pela cidade de Tebas.
Para vencer seus irmãos, possíveis herdeiros do império, Alexandre organizou um banquete onde ordenou os assassinatos. Respeitando as tradições do povo grego, Alexandre se proclamou líder supremo dos gregos e tomou para si a missão de libertar os povos balcânicos da dominação persa. Graças à sua notória habilidade militar, Alexandre iniciou um notável processo de expansão que controlou as regiões da Pérsia, do Egito, chegando a fixar seus territórios até as regiões próximas da Índia. Alexandre, dessa forma, consolidou um vasto império. Ao impor seu domínio, Alexandre teve habilidade de consolidar uma ação política capaz de evitar levantes contrários ao seu governo. Respeitando e incorporando as tradições dos povos por ele conquistados, empreendeu um conjunto de alianças responsável pela manutenção de seus territórios. Tendo sua formação educacional influenciada pela cultura grega e admirador dos valores dos povos orientais, Alexandre desejou conceber uma nova civilização.
O helenismo foi uma política de fusão de diferentes culturas, principalmente a grega, persa e egípcia. Entre outras ações, Alexandre desposou a princesa da Pérsia e incentivou o casamento de seus soldados com mulheres orientais. Ao mesmo tempo, criou novos centros urbanos (Alexandria, Antioquia, Pérgamo) irradiadores da cultura clássica e Oriental.
Bibliotecas, estudos científicos, obras filosóficas, teorias matemáticas e esculturas representavam os maiores dos avanços empreendidos pela cultura helenística.
Morto aos 33 anos, Alexandre não deixou um herdeiro direto para o trono macedônio. Isso favoreceu a disputa entre os principais generais que lideravam os exércitos do Império Alexandrino. Ao final da disputa, os territórios acabaram sendo divididos entre os generais Antígono, Ptolomeu e Seleuco. O processo de desintegração enfraqueceu militarmente esses novos reinos, que acabaram conquistados, nos século II e I a.C., pelos romanos.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Escravidão Sexual


Corpos sem almas

Durante a escravidão, os portugueses (e portuguesas) podiam exercer,sem nenhuma censura, qualquer espécie de manifestação de luxúria sobre o corpo dos escravos.

O 'direito de propriedade' era extensivo às emoções e aos sentimentos dos cativos.

O processo foi 'aperfeiçoado'com o tempo.Para satisfazer a necessidade de povoar um país tão grande, nada melhor do que a promiscuidade nos navios negreiros.

Quando as negras engravidavam, o patrimônio de seus senhores aumentava porque, segundo as leis da época, o senhor não pagava pelo feto no ventre da mãe.

Máquinas de fazer sexo

O caráter lúbrico da escravidão existia na própria organizacão hierárquica: para preservar a honra das moças de família, futuras sinhazinhas, os senhores estimulavam a iniciacão sexual de seus filhos com as escravas adolescentes.

As esposas brancas eram usadas apenas para reprodução, enquanto as escravas serviam para a satisfação dos verdadeiros desejos.

Os mulatos gerados desta violência no calor tropical eram aproveitados na lavoura, o trabalho braçal era considerado algo desprezível pelos rapazes brancos.Os homens negros também eram mais atraentes e robustos que os pálidos sinhozinhos e muitas vezes serviam como solução para o problema carencial das sinhás.

"Casa Grande e Senzala” de 1933, o clássico de Gilberto Freyre, é leitura fundamental para explicar o comportamento sexual do brasileiro do tempo da Colônia e do Império.

“Nenhuma casa grande do tempo da escravidão quis para si a glória de conservar filhos maricas ou donzelões. O que a negra da senzala fez foi facilitar a depravação com sua docilidade de escrava: abrindo as pernas ao primeiro desejo do senhor–moço".

Gilberto Freire (1900-1987) conta que, nos mercados, os compradores examinavam a mercadoria (normalmente nua), para ver a dentição,o estado dos pulmões, o tamanho dos órgãos sexuais e a rigidez dos seios das negras.As mulheres brancas, para sublimar o abandono que sofriam dos maridos, costumavam exagerar na dose quando puniam escravos, de preferência as de sexo feminino. Algumas iaiás mandavam cortar mamilos das adolescentes, outras destruiam os dentes pefeitos da raça negra com o salto de suas botinas de couro legítimo, algumas tinham amantes negros.
Relações homoeróticas também eram comuns.Sadismo e masoquismo exercidos pelos donos dos cativos, dissimulação, rivalidade e licenciosidade nas relacões familiares, crueldade, e exclusão social foram o resultado final dos três séculos e meio de escravidão africana no Brasil.

Exploração Sexual

Conceitualmente, tráfico de pessoas é "o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude, ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração. A exploração incluirá, no mínimo, a exploração da prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual, o trabalho ou serviços forçados, escravatura ou práticas similares à escravatura, a servidão ou a remoção de órgãos". Segundo a OIT, quase um milhão de pessoas são traficadas no mundo anualmente com a finalidade de exploração sexual, sendo que a maioria são mulheres.
Retrato em preto e branco
Quem são as vítimas do tráfico de mulheres para fins de exploração sexual no Brasil

- Mulheres e adolescentes afro-descendentes com idade entre 15 e 25 anos.
- Pertencem a classes populares, apresentam baixa escolaridade e habitam a periferia dos centros urbanos.
- Moram com algum familiar e têm filhos.
- Muitas já tiveram passagem pela prostituição.
- Exercem atividades relacionadas a serviços domésticos (arrumadeira, empregada doméstica, cozinheira, zeladora) e ao comércio (auxiliar de serviços gerais, garçonete, balconista de supermercado, atendente de loja de roupas, vendedoras de títulos etc.), funções desprestigiadas ou mesmo subalternas.
- Geralmente já sofreram algum tipo de violência dentro de sua família (como abuso sexual, estupro, sedução, atentado violento ao pudor, corrupção de menores, abandono, negligência, maus-tratos) ou fora dela (em escolas, abrigos ou em redes de exploração sexual).

Fonte: Pesquisa sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para Fins de Exploração Sexual Comercial, realizada a partir de entrevistas, análises de inquéritos, processos judiciais e reportagens publicadas na imprensa em 19 estados do país. O trabalho foi coordenado pela professora Lúcia Leal, da Universidade de Brasília.

Traficantes: um perfil

Quem são os criminosos que comercializam mulheres e adolescentes para fins de exploração sexual.

- Em sua maioria, são homens, mas há uma alta presença de mulheres (43,7% dos indiciados por tráfico), que atuam principalmente no recrutamento das vítimas.
- Têm mais de 30 anos de idade. No caso das mulheres aliciadoras, o fato de serem mais velhas parece lhes conferir credibilidade e autoridade para "aconselhar" as vítimas a aceitar as ofertas vindas do exterior.
- Os acusados declaram ter ocupações em negócios como casas de show, comércio, casas de encontros, bares, agências de turismo, salões de beleza e casas de jogos.
- A maioria dos brasileiros acusados está associada a um conjunto de negócios escusos (drogas, prostituição, lavagem de dinheiro e contrabando), que, por sua vez, mantêm ligações com organizações sediadas no exterior.
- Entre os acusados há uma presença maior de pessoas com nível médio e superior. Isso se explica, em parte, porque o tipo de crime, por seu caráter internacional, exige maior escolaridade.
- Há tanto brasileiros quanto estrangeiros envolvidos.


Fonte: Pesquisa encomendada pelo Ministério da Justiça E pelo Escritório das Nações Unidas Contra Drogas e Crime, que analisou 36 processos judiciais e inquéritos policiais nos Estados do Ceará, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo.


O tráfico de crianças para escravidão sexual é um dos crimes mais repudiados pela sociedade, por sua feição abjeta, mas é corriqueiro na Amazônia. A Secretaria Especial de Direitos Humanos, do governo federal, traçou um mapa atualizado da exploração sexual de crianças. Nele, a Região Norte vem em último lugar, com 109 municípios, contra 298 municípios da região recordista, o Nordeste. No Acre, são 9 municípios; no Amapá, 6; no Amazonas, 19; no Pará, 37; em Rondônia, 14; em Roraima, 5; e no Tocantins, 19. Mas se a Região Norte tem menos municípios ligados à prostituição de menores, o nefando comércio é intenso no Trópico Úmido.

No Brasil, foram identificadas 241 rotas de tráfico de mulheres, crianças e adolescentes; 76 na Amazônia, segundo a

Pesquisa sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para Fins Sexuais, coordenada pelo Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes (Cecria), em 2002, confirmada, em 2005, pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Exploração Sexual, do Congresso Nacional. A CPI descobriu, por exemplo, que candidatas a modelo, em Manaus, eram enviadas para o exterior, principalmente Madrid, Espanha, para escravidão sexual.

A Interpol francesa calcula que a rede internacional de tráfico de pessoas movimenta cerca de US$ 9 bilhões por ano. Mas parte dessas pessoas fica aqui mesmo, no país.

Conforme o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho da Oitava Região, José Cláudio Pinto Filho, o tráfico interno atende mais o comércio de escravos para trabalhos no campo. O mercado brasileiro importa também mulheres da Bolívia, para escravidão sexual em Rondônia, e do Peru, para trabalhados forçados em confecções em São Paulo.Assim como ocorre com políticos corruptos, a imunidade, digo, impunidade, é garantida.

O holandês Kunathi, um dos maiores traficantes de pessoas em atividade na Amazônia, já foi preso em flagrante, no Pará, mas a Justiça o soltou para responder ao processo em liberdade. Não deu outra, Kunathi fugiu para o Suriname, antiga Guiana Holandesa, onde é dono da maior boate local, na qual só trabalham brasileiras, muitas delas do Pará e do Amapá.



A quem incomoda a denúncia das injustiças da pobreza?

Trabalho infantil gera lucro pra quem explora, pobreza pra quem é explorado, faz parte da cultura econômica brasileira e está diretamente ligado ao trabalho escravo.


A quem incomoda a luta contra o trabalho infantil?


Incomoda aos que se incomodam com a luta contra o trabalho escravo. Incomoda aos que se incomodam com a luta contra o trabalho degradante. O combate ao trabalho infantil incomoda a quem lucra com o trabalho infantil, a quem lucra com o trabalho escravo e a quem lucra com o trabalho degradante.


No Brasil, o trabalho infantil não é conseqüência da pobreza, mas sim instrumento financiador dela. Empregar crianças significa lucro fácil. A exploração infantil gera o desemprego dos pais, trabalho escravo, crianças doentes, subnutridas, morando em precárias condições, prejudicadas na sua capacidade intelectual e no seu direito à educação, lesadas no seu direito ao lazer, ao carinho, à alegria; sem infância.


Infelizmente, ainda não existe no Brasil uma política social que faça a associação entre trabalho infantil e trabalho degradante, análogo a escravo ou escravo, de forma a romper esse círculo. A realidade é que o trabalhador escravo de hoje foi o trabalhador infantil de ontem. A realidade do trabalho nas carvoarias brasileiras merece uma análise diferenciada. Muitas vezes o trabalho não é considerado trabalho escravo, outras vezes sim.
Porém, sempre é um trabalho extremamente pesado e quase sempre, mesmo em casos de carteira assinada, um trabalho degradante. Acaba com a saúde do trabalhador. Muitas vezes, olhar uma carvoaria em pleno vapor é, do ponto de vista humanitário, algo inaceitável.
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Revista "MUNDO e MISSÃO"
São 7 milhões de menores entre 5 e 17 anos trabalhando no país A Constituição proíbe "trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de 18 anos e qualquer trabalho a menores de 14 anos, salvo na condição de aprendiz".


Cerca de 3,3 milhões de crianças brasileiras, na faixa etária de 10 a 14 anos, desempenham funções que configuram trabalho regular. O Nordeste concentra o maior contingente delas. São meninos e meninas envolvidos em atividades pesadas, como o corte da cana-de-açúcar e as fábricas de sisal.


Nas carvoarias de Mato Grosso do Sul, estado onde a produção de carvão vegetal é mais organizada, há 2 mil crianças e adolescentes em atividade. Cerca de 90% das famílias de carvoeiros de Minas moram e trabalham no Vale do Jequitinhonha, a região mais pobre do estado. No cômputo geral, nas carvoarias de Minas, estado que é o maior produtor de carvão vegetal do país, a estimativa dos órgãos públicos é de que pelo menos 4 mil menores estejam na lida diária do corte e da queima da madeira. Como essa é uma atividade itinerante, as famílias de carvoeiros com freqüência migram para outros estados, o que compromete a exatidão das estatísticas. Outros estados com significativa produção de carvão vegetal são Goiás, Bahia e Espírito Santo. Nessas regiões, no entanto, não há sequer estimativas de quantas crianças e adolescentes estão recrutadas pelas carvoarias.


Trabalhadores enfrentam temperaturas de 70 graus Celsius nos fornos A equipe da UFMG, em contato direto com os trabalhadores de Carbonita, levantou uma situação de saúde das mais preocupantes.


A desnutrição é problema recorrente entre as famílias de carvoeiros. Doenças respiratórias resultam basicamente da liberação de gases na queima do carvão, repassado às siderúrgicas.


Há casos de câncer de pulmão. Tuberculose, tétano e doença de Chagas: moléstias infecciosas e parasitárias têm alta incidência. Manifestações alérgicas: são quase que obrigatórias no ambiente da carvoaria. Surgem na forma de dermatoses, resfriados e conjuntivites, motivados pelas nuvens de fumaça e poeira.


Pelo contato direto com altas temperaturas, são registrados casos freqüentes de insolação, síncope, exaustão térmica, além das queimaduras. Dores musculares e problemas de coluna resultam de uma atividade braçal das mais extenuantes. Envenenamento por picadas de cobras e insetos complicam o quadro geral de saúde.

Os meninos trabalham sem carteira assinada e não têm qualquer garantia trabalhista. São recrutados pelos chamados empreiteiros, que controlam pequenas carvoarias e vendem a produção para empresas maiores - essas, por sua vez, repassam para as siderúrgicas. Assim, na outra ponta de um processo produtivo essencial para o país, processo que garante a distribuição de ferro, aço e outras ligas para incontáveis setores da indústria, existem simplesmente crianças. Hoje, a terceirização da produção de carvão vegetal é cada vez mais comum no Brasil, como forma de as grandes empresas do setor driblarem a fiscalização trabalhista. Há ainda os intermediários, que recrutam carvoeiros volantes em Minas Gerais - inclusive menores - e os levam para carvoarias em outros estados, sobretudo o Mato Grosso do Sul. Esses intermediários são conhecidos como "gatos" e trabalham para os empreiteiros.

A pesquisa da UFMG, uma das nove selecionadas pelo Programa Comunidade Solidária, no ano passado, para mapear o trabalho infantil no Brasil, servirá de base das ações do governo federal. Aí reside a esperança de meninos e meninas até então condenados a não ter infância e a perder a saúde logo cedo. De conjuntivite a câncer de pulmão, é imensa a lista de moléstias que afetam os que vivem lidando nos fornos de barro.

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