sábado, 23 de julho de 2011


"Que a sua alma perturbada encontre a paz".

A cantora inglesa Amy Winehouse, encontrada morta neste sábado (23), na Inglaterra, seguiu o mesmo roteiro trágico de outros ídolos mundiais da música pop, como Janis Joplin, Kurt Cobain, Jim Morrison e Jimi Hendrix. Todos esses artistas encerraram a carreira e a vida, a maioria por envolvimento com drogas, aos 27 anos.

Morto em 1970, também em Londres e sob circunstâncias nebulosas, Hendrix conquistou fama na década de 1960 ao mostrar seu talento com a guitarra, sendo considerado por muitos como um dos maiores guitarristas da história.

Uma das grandes cantoras de rock da década de 1960, conhecida por sua voz rouca e singular, a cantora norte-americana Janis Joplin também faleceu antes de completar 30 anos. A artista, que passou pelo Brasil em 1970 com sua turnê, ano de sua morte, foi vítima de uma overdose de heroína.

Em 1969, o ex-Rolling Stones Brian Jones foi encontrado no fundo de sua piscina, em 1969, e declarado morto por afogamento. Ele tinha 27 anos. Dois anos depois, o compositor e cantor Jim Morrison, vocalista e líder da banda The Doors, também faleceu. Ele havia dado um tempo na banda e tentar se dedicar a outras atividades. Foi encontrado em um hotel de Paris, França.

Mais de duas décadas depois, também com 27 anos, Kurt Cobain, vocalista da banda de rock Nirvana, foi encontrado morto em sua casa, após dar um tiro de espingarda na cabeça. O cantor sofria de depressão e também fazia uso de drogas.

Será que ela já tinha isso em mente? Acordar dia 23 de julho de 2011, encher a cara de álcool, drogas e tudo mais e esperar a tal overdose tomar conta das manchetes mundo afora?Amy era ingênua demais para isso.

Seria, então, uma maldição de entidades superiores?

A luta contra a dependência química é diária e muito árdua. Para uma pessoa se recuperar é preciso ser um leão e ter uma força de vontade sobrenatural. Amy pode até ter tentado seguir por esse caminho algumas vezes, mas era mais fraca (e talvez mais influenciável) que muita gente.

Quem conferiu sua apresentação na turnê pelo Brasil, em janeiro deste ano, se lembra de uma moça pequena, bem magra, “quicando” no palco. Quando alcançava alguma nota alta, ou fazia firula em determinada frase da canção, era ovacionada pelo público e parecia se intimidar com os aplausos. Assim como uma criança que se envergonha quando vira o centro das atenções.

“A diferença entre as divas e nós é que a vida delas está na vitrine, para nosso julgamento. Nossas dores ficam entre quatro paredes”.

Amy não tinha para onde correr com sua angústia. Nem a música, maior válvula de escape dos artistas, lhe completava mais. Ela estava esgotada da pressão, dos jornais, da família, dos palcos. Alguns poucos amigos tentavam mantê-la nos trilhos, mas após anos e anos escorregando era fácil demais cair de uma vez.

E Amy morria aos poucos, aos olhos de todos...

Durante uma entrevista em 2008, a mãe de Amy, Janis, disse que a família não ficaria surpresa se a filha morresse antes da hora. "Eu conheço minha filha há muito tempo e sei que ela pode estar morta dentro de um ano. Nós estamos olhando ela se matar lentamente", desabafou.

Ela entra na história como uma estrela que não soube agüentar seu brilho. Talvez ela não tivesse noção do tamanho da sua qualidade vocal. Talvez ela não estivesse mesmo nem aí pra isso. Ela só queria beber uma cerveja, virar a noite louca, fazer amor com seu homem e desfilar suas sapatilhas de balé.

Mas não se pode negar o talento de Amy.


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sábado, 16 de julho de 2011


A Gibicon é um evento internacional de história em quadrinhos, que vai ocupar diversos espaços da cidade de Curitiba com minicursos, oficinas, palestras, debates e muitos convidados da área.

Nos últimos anos, as histórias em quadrinhos têm mostrado cada vez mais sua força como arte e crescido em relevância no nosso país. A Gibicon em Curitiba prestigia os artistas locais e a força da sua produção no cenário nacional ao mesmo tempo que apresenta quadrinistas do mundo todo.

O evento surge como parte das festividades dos 30 anos da Gibiteca de Curitiba – a primeira do país – a ser comemorado ano que vem. Mas se o aniversário da Gibiteca é ano que vem, por que a Gibicon começa agora?

O evento é chamado de “zero” por ser um aquecimento, uma prévia das diversas atividades da próxima edição. Em 2011, a Gibicon será curta, porém intensa.

Mas não pense que isso faz da convenção deste ano algo menor! Embora concentrada em apenas três dias, o evento tem atrações bastante significativas para os quadrinhos nacionais e internacionais. Confira os convidados, as exposições e a programação pra ver o que vai acontecer na Gibicon de 2011.

Visite o evento, passeie por Curitiba, explore a Gibiteca e os espaços de exposição e debates, veja os artistas e prestigie sua produção. Venha para a Gibicon!


Acervo da Gibiteca

Exposição com originais de artistas que fazem parte do acervo da Gibiteca de Curitiba, tais como Flavio Colin, Solda, Shimamoto, Nilson Muller, Dante, Retamozzo, entre outros. Ela pode ser visitada no Museu da Fotografia, no Solar do Barão. A abertura aconteceu em 16 de julho, às 20 horas.

Die Evolution in Bildern / A evolução em imagens

Mostra de Jens Harder, artista alemão que vem à Curitiba para a Gibicon. Sua obra Alpha recebeu no Festival de Angoulême de 2010 o Prêmio da ousadia, para projetos de HQs audaciosas. A abertura da exposição aconteceu no dia 14 de julho, às 18 horas, com presença do autor, no Goethe-Institut, onde poderá ser visistada.

Caricaturas de Ángel Idígora - O flamenco visto por Idígora

Uma exposição do artista espanhol Ángel Idígora, que coleta uma série de suas caricaturas anteriormente publicadas em jornais da Espanha e do mundo. A exposição está aberta para visitação no Instituto Cervantes.

Ils Rêvent Le Monde/ Eles sonham o mundo

Uma mostra coletiva de diversos autores organizada pelo governo francês, com artes inéditas e um histórico da ficção científica francesa nos quadrinhos. A exposição conta com obras de artistas como: Moebius, Enki Bilal, Druillet, Killoffer, Montellier, Mathieu, Vatine e Blanchard, entre outros, na Aliança Francesa, localizada no Espaço Fábrika, rua Ubaldino do Amaral, 927, no bairro Alto da XV, em Curitiba.

Joe Bennett

Exposição de originais do trabalho do desenhista brasileiro Joe Bennet, que tem trabalhos publicados pelas editoras Marvel e DC. A mostra terá trabalhos como: Capitão America, Gavião Negro e Batman. A abertura aconteceu dia 15 de julho, com presença do autor e sessão de autógrafos, no Jokers Pub, onde a exposição permanecerá.

Made for USA

Coletiva de trabalhos dos artistas brasileiros de histórias em quadrinhos publicados nos EUA, tais como: Gabriel Bá, Fábio Moon, Joe Bennett, Ed Barrows, Carlos Magno, entre outros. A exposição pode ser visitada no Museu da Fotografia, no Solar do Barão. Abertura da exposição acontecerá no dia 16 de julho, as 20 horas.

Mônquei Bizines

Exposição de Rômolo D’Hipólito, mostrando as facetas de designer, quadrinista e ilustrador do artista. Rômolo é o autor de Malditos designers – tira já publicada em livro pela Barba Negra/Caderno Listrado. A mostra pode ser visitada no Museu da Gravura Cidade de Curitiba.

Quadrinhos Curitibanos

Exposição coletiva e inédita de obras de diversos autores curitibanos em atividade, tais como: André Caliman, Bennet, DW Ribatski, Rogério Coelho, Tako X, Pryscila Vieira, José Aguiar, entre outros. A mostra pode ser vista no Memorial de Curitiba. A abertura aconteceu em 15 de julho.

Seto - Samurai de Curitiba

Exposição inédita que homenageia Claudio Seto, precursor do mangá no Brasil e um dos maiores nomes dos quadrinhos em Curitiba. A mostra contém artes originais de Seto e pode ser visitada no Museu da Fotografia, no Solar do Barão. Abertura da exposição acontecerá no dia 16 de julho, as 20 horas.

A Lenda de Tex

Mostra inédita no Brasil, cedida pela Editora Bonelli, vinda diretamente da Itália, que conta com diversas páginas de histórias e releituras de Texfeitas por artistas de diversas nacionalidades. A exposição pode ser visitada no Memorial de Curitiba. A abertura aconteceu em 15 de julho.

Tex Brasileiro

Exposição coletiva de releituras do personagem Tex feitas por autores de todo o Brasil como Mike Deodato Jr, Pablo Meyer, Odyr, Sama, Bira Dantas, Paixão, entre outros. Visite a mostra no Memorial de Curitiba. A abertura aconteceu.



gibicon.com.br

quinta-feira, 7 de julho de 2011

"Vou lançar um projeto para criminalizar a heterofobia", diz Jair Bolsonaro

Como já era de esperar, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) resolveu dar o ar da graça durante o VIII Seminário LGBT, que aconteceu em Brasília. Durante a sua passagem pelo saguão da Câmara dos Deputados, o parlamentar destilou seu ponto de vista contrário às questões LGBT.

Cercado por jornalistas, Bolsonaro disse que não foi convidado para o Seminário LGBT porque não havia "homens" conduzindo o evento. Ao ser questionado pela reportagem de A Capa a respeito dos jovens gays agredidos em escolas, o parlamentar se irritou e disse que o repórter era um "palhaço" ao acreditar que isso é uma realidade no país.

"Os jovens gays não morrem por conta de homofobia nas escolas, eles morrem trocando seringas nas ruas. Só você sendo um palhaço para acreditar", declarou Bolsonaro. Em seguida, o deputado disse que o governo federal pretende ensinar a pornografia nas escolas.

Sobre suas opiniões homofóbicas, o deputado se defendeu. "Se defender as família e os bons costumes é ser homofóbico, então eu sou homofóbico. Inclusive, vou usar uma camiseta: orgulho de ser homofóbico", disse.

No momento em que Jair Bolsonaro iniciou seus ataques ao VIII Seminário LGBT, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) pediu para que se fechassem as portas do auditório Nereu Ramos. "Não vamos dar ouvidos para quem apenas quer aparecer", justificou Wyllys.

Marcha do Orgulho Heterossexual

A Câmara Municipal de São Paulo discute a aprovação, em segunda discussão, do projeto de lei 294/ 2005, do vereador Carlos Apolinário (DEM), ligado a uma igreja evangélica, que institui, no Município de São Paulo, o Dia do Orgulho Heterossexual.
A lei determina que a data deverá ser comemorada todo terceiro domingo do mês de dezembro. O PT e o PPS buscam evitar a aprovação do texto, chamado pelo vereador Ítalo Cardoso (PT) de "provocação".

O projeto estabelece que a data passará a constar do calendário oficial do município e afirma que caberá à Prefeitura de São Paulo "conscientizar e estimular a população a resguardar a moral e os bons costumes", diz o texto.

Autor do projeto, o vereador Carlos Apolinário afirmou que a decisão de apresentar o projeto não tem vínculo com sua atuação religiosa. "Não mistura igreja. Eu sou o vereador Carlos Apolinário. A Assembleia de Deus é uma coisa particular."

Apolinário nega que a lei seja contra a comunidade LGBT. "Hoje se fazem dezenas de leis favoráveis aos gays. Esse meu projeto é muito mais para fazer uma reflexão. Será que os gays querem direitos ou privilégios?", afirmou. Questionado se busca atender ao seu público, Apolinário deixou claro que defende convicções pessoais. "Eu nasci assim e penso assim. É defeito de fabricação", afirmou. Apolinário disse que a escolha do dia foi aleatória. "Poderia ser qualquer outra", afirmou.

O vereador se queixa de que a Parada LGBT foi mantida na Paulista enquanto a Marcha para Jesus foi deslocada da avenida. "Tiraram Jesus da Paulista e deixaram os gays. Eu acho que está errado. Se não pode a Marcha para Jesus, não pode também a Parada Gay."

Silas Malafaia solta o verbo contra parada gay

O programa questiona a repercussão dada pela mídia aos dois eventos que aconteceram em São Paulo, a Marcha para Jesus e a Parada Gay

O pastor Silas Malafaia questionou muitas coisas em seu programa, Vitória em Cristo, que foi ao ar neste sábado, 2, na Rede TV! e na Bandeirantes. Entre os assuntos estava o número de participantes na Marcha para Jesus, Parada Gay e a repercussão desses eventos em São Paulo nos jornais e televisão.

Malafaia comparou o percurso da Marcha para Jesus que tinha cerca de 500.000m², em sua visão, separando quatro pessoas por metro quadrado o evento evangélico da capital paulista reuniu cerca de dois milhões de pessoas, o pastor também lembrou que a polícia militar calculou um milhão de pessoas na concentração, mas somando quem marchou e voltou pra casa, e quem apareceu apenas para o evento dá pra dizer que 2,5 milhões de pessoas estiveram marchando para Jesus.

Dito isso, o pastor apresentou um exemplar do jornal O Estado de São Paulo e um exemplar da Folha de São Paulo que fizeram a cobertura do evento. Ele também mostrou o jornal O Globo que deu apenas uma pequena nota dizendo que 1 milhão de pessoas participaram do evento.

O líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo comparou então o tamanho das notícias nesses mesmos jornais e mostrou que o jornal O Globo separou meia página para falar da Parada Gay, um espaço muito maior do que o dado para falar do evento evangélico.

Sobre a Parada Gay o pastor comparou o percurso, a Avenida Paulista tem 126.000 m², e se colocar quatro pessoas por metro quadrado dá cerca de 500 mil pessoas. O pastor questiona o fato de que no evento dos homossexuais a Polícia Militar de São Paulo não quis calcular o número de participantes e os organizadores deram o número de 4,5 milhões de pessoas.

“500 mil pessoas é um bom número de pessoas, não precisa dizer que tinha quatro milhões e meio na Parada Gay,’ disse o pastor que ainda se explicou. “Eu não odeio homossexuais, se eu odiasse eu não poderia ser pastor, não poderia ser nem cristão.”

Parada Gay ridiculariza santos católicos

O ponto polêmico foi quando ele cita que quando um pastor da Igreja Universal do Reino de Deus chutou uma santa durante o culto, a mídia falou sobre esse assuntou durante 15 dias e o pastor teve que sair do Brasil por causa de ameaças. Mas durante a Parada Gay deste ano os homossexuais ridicularizaram santos católicos colocando-os em situações homoeróticas e a mídia não disse nada.

Sobre a repercussão que a mídia oferece a notícias sobre homossexualidade, o pastor diz que isso acontece pela quantidade de homossexuais dentro das redações de jornais e das redes de televisão. “Dentro das editorias estão cheio de gays, eles manipulam as informações,” acusa Malafaia.

Citando Efésios 5:11 e 13, Silas Malafaia lembra aos pastores que se omitem sobre esse assunto dizendo que o direito dele como cidadão e o chamado dele como pastor, baseado na Bíblia, lhe dá o direito de condenar as práticas das trevas. “Eu não vou me calar,” diz.

Folha causa polêmica ao comparar a Marcha Para Jesus com a Parada Gay

O colunista da Folha de S. Paulo, Revista Veja e da Rádio CBN, Gilberto Dimenstein, causou polêmica ao escrever em seu blog o texto “São Paulo é mais gay ou evangélica?”. Na análise, o jornalista argumenta que “os gays usam a alegria para falar e se manifestar”, enquanto “a parada evangélica tem um ranço um tanto raivoso, já que, em meio à sua pregação, faz ataques a diversos segmentos da sociedade”.

Dimenstein foi criticado por outro conhecido colunista da Revista Veja, Reinaldo Azevedo, que em seu blog classificou o texto como “tolo”, “burro”, “falacioso” e “preconceituoso”, rebatendo, linha por linha, todas as afirmações contidas no artigo de Gilberto Dimenstein. “Há uma diferença que a estupidez do texto de Dimenstein não considera: são os militantes gays que querem mandar os evangélicos para a cadeia, não o contrário”, argumenta Azevedo.


Abaixo você confere a íntegra do artigo de Gilberto Dimenstein:


" Como considero a diversidade o ponto mais interessante da cidade de São Paulo, gosto da ideia de termos, tão próximas, as paradas gay e evangélica tomando as ruas pacificamente. Tão próximas no tempo e no espaço, elas têm diferenças brutais. Os gays não querem tirar o direito dos evangélicos (nem de ninguém) de serem respeitados. Já a parada evangélica não respeita os direitos dos gays (o que, vamos reconhecer, é um direito deles). Ou seja, quer uma sociedade com menos direitos e menos diversidade.


Os gays usam a alegria para falar e se manifestar. A parada evangélica tem um ranço um tanto raivoso, já que, em meio à sua pregação, faz ataques a diversos segmentos da sociedade. Nesse ano, um do seus focos foi o STF. Por trás da parada gay, não há esquemas políticos nem partidários. Na parada evangélica há uma relação que mistura religião com eleições, basta ver o número de políticos no desfile em posição de liderança. Isso para não falar de muitos personagens que, se não têm contas a acertas com Deus, certamente têm com a Justiça dos mortais, acusados de fraudes financeiras.


Nada contra, muito pelo contrário, o direito dos evangélicos terem seu direito de se manifestarem. Mas prefiro a alegria dos gays que querem que todos sejam alegres. Inclusive os evangélicos. Civilidade é a diversidade. São Paulo, portanto, é mais gay do que evangélica."

Parada do Orgulho Gay

A festa comemorou aniversário de 15 anos. Houve polêmica com a Igreja por causa dos cartazes com imagens de santos espalhados pela Avenida.

A 15ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo reuniu pelo menos quatro milhões de pessoas, segundo os organizadores, na Avenida Paulista neste domingo, dia 26. E causou polêmica usando santos em uma campanha pelo uso de preservativos.

Em 170 cartazes distribuídos em postes por todo o trajeto, 12 modelos masculinos, representando ícones como São Sebastião e São João Batista, apareciam seminus ao lado das mensagens “nem santo te protege” e “use camisinha”.

“Nossa intenção é mostrar à sociedade que todas as pessoas, seja qual for a religião delas, precisam entrar na luta pela prevenção das doenças sexualmente transmissíveis. Aids não tem religião”, diz o presidente da Parada, Ideraldo Beltrame.

Ao eleger como tema “Amai-vos Uns Aos Outros”, a organização uniu a vontade de conclamar seguidores com a de responder a grupos religiosos. Na Marcha para Jesus, na última quinta-feira, 23, a decisão do Supremo Tribunal Federal – STF em favor da união estável homoafetiva foi atacada.

As opiniões de evangélicos dissidentes, que fundaram igrejas inclusivas e acompanham a Parada, no entanto, são variadas. “Não tinha necessidade de usar pessoas peladas para representar santos. Faz a campanha, mas não envolve as coisas de Deus”, opina a pastora lésbica Andréa Gomes, de 36 anos, da Igreja Apostólica Nova Geração. “A campanha foi mais de encontro aos ditames da Igreja Católica. Nós não temos santos”, diz o pastor José Alves, da Comunidade Cristã Nova Esperança.

“Infeliz, debochada e desrespeitosa”

O cardeal d. Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, classificou como “infeliz, debochada e desrespeitosa” a colocação de cartazes com imagens de santos católicos em postes da Avenida Paulista. Para o cardeal-arcebispo, o “uso instrumentalizado” das imagens por parte da organização do evento “ofende o sentimento da Igreja Católica”.

“Isso ofende profundamente, fere o sentimento religioso do povo. O uso debochado da imagem dos santos é ofensivo e desrespeitoso, nós desaprovamos”, criticou Dom Odilo Scherer.

“A associação das imagens de santos para essas manifestações da Parada Gay, a meu ver, foi infeliz e desrespeitosa. É uma forma debochada de usar imagens de santos, que para nós merecem todo respeito”, disse d. Odilo. “Vamos refletir sobre medidas cabíveis para proteger nossos símbolos e convicções religiosas. Quem deseja ser respeitado também tem de respeitar.

Para o cardeal, a organização da Parada Gay pregou os cartazes “provavelmente” para atingir a Igreja Católica, “porque a Igreja tem manifestado sua convicção sobre essa questão e a defende publicamente”. O cardeal também voltou a manifestar posição contrária ao slogan escolhido pela organização da Parada, “amai-vos uns aos outros” (parte de versículo do Evangelho de São João).

“Jesus recomenda: ‘amai-vos uns aos outros, como eu vos amei’. O uso de somente parte dessa recomendação, fora de contexto, em uma Parada Gay, é novamente um uso incorreto, instrumentalização da palavra de Jesus.”

A comemoração foi com valsa e debaixo de chuva mesmo.

“Esse ano vim de branco representando a paz, pedindo muita paz, pedindo muito amor para que as pessoas se amem mais e que acabe a homofobia”, pediu o cabeleireiro Rogério Andrino Tomás.

Como a festa era de debutantes, o vestido de princesa não podia faltar. “Eu só perdi a primeira, porque eu era novinho na época, minha família não deixava eu vir. Mas foi bem gostoso”, contou a drag queen Xênia Star.

Como toda festa de debutante, tem que ter valsa. O difícil é conseguir um espaço na Avenida Paulista.

Entre os milhares de debutantes, gays, lésbicas, bissexuais e transexuais estavam também os simpatizantes, aqueles sem preconceito. Um ensinamento que vai de geração em geração.

“Eu estou achando bonito. Uma mocinha passou e me deu um papel escrito: ‘o amor é pra todo mundo’. Então é o amor”, disse a contadora Vilma Botelho, de 73 anos.

Tinha até camarote para enxergar a Parada até onde a vista alcança. “É show. Somos privilegiados de estar aqui em cima vendo bem melhor”, garantiu a dona de casa Ana Carla Pereira dos Santos.

Valeu dançar na chuva e se divertir.

“Nós queremos dizer para a sociedade brasileira que nós não queremos transformar as pessoas em homossexuais. Nós queremos a convivência pacífica, a convivência cidadã, de todas as diferenças”, pediu o presidente da Associação da Parada GLBT, Ideraldo Luís Beltrame.

A noite caiu e ninguém se abalou. Os trios elétricos e as milhares de pessoas lotam as ruas com o mesmo pique. Com 15 anos bem comemorados, a Parada Gay se despediu de 2011.


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Marcha para Jesus vira ato contra união homoafetiva

Temas como legalização da maconha e criminalização da homofobia também pautaram evento, que levou ao menos 1 milhão às ruas em SP

A 19ª edição da Marcha para Jesus, uma das maiores manifestações religiosas do planeta, se transformou em um ato de afronta ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaças aos políticos por parte de lideranças evangélicas. Apesar dos esforços dos organizadores para restringir o enfoque a temas religiosos, assuntos como a união civil de pessoas do mesmo sexo, homofobia e legalização da maconha acabaram dominando os discursos de alguns líderes religiosos.

"A marcha não deixa de ser um ato político", resumiu o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), ligado a Igreja Universal do Reino de Deus. O discurso mais radical foi do pastor Silas Malafaia. Com palavreado vulgar, usando termos como "otário" e "lixo moral", Malafaia atacou duramente a decisão do STF de legalizar a união estável entre pessoas do mesmo sexo. "O STF rasgou a Constituição que, no artigo 226, parágrafo 3º, diz claramente que união estável é entre um homem do gênero masculino e uma mulher do gênero feminino. União homossexual uma vírgula", disse o pastor.

Organizadores tentaram manter foco em discurso religioso, mas manifestações políticas deram o tom do evento

Na sequência, Malafaia passou a atacar a decisão do STF de liberar as marchas da maconha no Brasil.
"Amanhã se alguém quiser fazer uma marcha em favor da pedofilia, do crack ou da cocaína vai poder fazer. Nós, em nome de Deus, dizemos não."

A multidão, estimada pela Polícia Militar em 1 milhão de pessoas - e pelos organizadores em 5 milhões - foi ao delírio e respondeu com gritos de "não, não" com os braços levantados para o céu.
Malafaia ameaçou orientar seus fiéis a não votarem em parlamentares que defendem o Projeto de Lei 122/2006, que criminaliza a homofobia no País. "Ninguém aqui vai pagar de otário, de crente, não. Se for contra a família não vai ter o nosso voto", ameaçou.

O pastor defendeu a desobediência por parte de pastores caso o PL 122 seja aprovado. "Eles querem aprovar uma lei para dizer que a Bíblia é um livro homofóbico e botar uma mordaça em nossa boca. Se aprovarem o PL 122 no mesmo dia, na mesma hora, tudo quando é pastor vai pregar contra a prática homossexual. Quero ver onde vai ter cadeia para botar tanto pastor."

Lixo moral'

Malafaia classificou como "lixo moral" as pessoas que questionam a interferência das igrejas em assuntos do governo e, embora tenha dito que não tem objetivo de instaurar um estado evangélico no Brasil, "os países mais práticos e as democracias mais evoluídas do mundo tem origem no protestantismo".

Já Crivella adotou um tom mais ameno em relação aos direitos civis dos homossexuais, mas foi duro em relação ao STF que, segundo ele, está agindo politicamente e se imiscuindo em temas que dizem respeito ao Legislativo. "O Congresso tem que se levantar contra o ativismo político do STF. Só o Congresso pode detê-los", afirmou o senador.

A contrariedade maior de Crivella é em relação ao ministro Ayres Brito. "Fui o relator do processo de aprovação do Ayres Britto no Senado e na época alguns colegas me alertaram que ele tem pretensões políticas mas não dei ouvidos. Ele foi candidato a deputado pelo PT de Sergipe e não foi eleito. Agora quer se vingar do povo sergipano e levar na mão grande", acusou. Segundo ele, o Congresso trabalha em um projeto de lei que contemple tanto os direitos civis gays quanto os dos pastores evangélicos de pregarem contra a prática homossexual. "O que não pode é querer fazer na marra. Aí desencadeia reações radicais como a que vimos agora a pouco", disse ele, em referência a Malafaia.

Marcha reuniu 1 milhão de pessoas, segundo a Polícia Militar, evento reuniu cerca de 5 milhões de pessoas, segundo estimativa dos organizadores.

O apóstolo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer, organizador da marcha, reafirmou o caráter estritamente religioso do evento e disse que manifestações como as de Malafaia e Crivela são opiniões pessoais. Apesar disso, admitiu ser contra o "casamento gay" e a liberação da maconha. Questionado por um repórter sobre o qual fator pesa mais na desagregação da família, o homossexualismo ou o crime de evasão de divisas, pelo qual foi condenado a pena de 140 dias de prisão nos EUA, o apóstolo mudou de assunto.

'A serviço de satanás'

Entre os milhares de pessoas que participaram da marcha, os temas polêmicos também foram os assuntos principais. A reportagem do iG abordou um grupo de oito jovens que veio de Cidade Adhemar para a marcha e perguntou quais as opiniões deles sobre direitos homossexuais, homofobia, aborto e legalização da maconha. Com visual moderno, estilo emo, todos disseram ser contra a união civil de pessoas do mesmo sexo, aborto e legalização das drogas e defenderam os pastores que consideram o homossexualismo uma prática pecaminosa.

"Quem defende o homossexualismo e a maconha está aqui a serviço de Satanás", disse o auxiliar de informática Natanael da Silva Santos, de 19 anos, que foi à marcha usando calça apertada, cinto de taxinhas e a tradicional franja emo. Enquanto a reportagem entrevistava os jovens, a aposentada Jovelina das Cruzes, de 68 anos, ouviu a conversa e fez uma intervenção. "Vocês estão falando sobre o que não conhecem. Meu sobrinho é gay e é um rapaz maravilhoso. Ótimo filho, muito educado, muito honesto e estudioso. Já o meu filho é machão e vive batendo na esposa, não respeita ninguém, não para no emprego."

Quando Jovelina virava as costas para continuar a marcha Natanael, que não se deu por vencido, fez uma observação. "Cuidado, tia. Se o pastor escuta a senhora falando uma coisa dessas ele não deixa mais a senhora entrar na igreja". E Jovelina respondeu. "Igreja é o que não falta por aí. Se me impedirem de ir em uma, vou em outra. Não tem problema."

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