terça-feira, 31 de agosto de 2010


Hasta siempre comandante Che Guevara


Aprendimos a quererte
Desde la histórica altura
Donde el sol de tu bravura
Le puso un cerco a la muerte.

Aquí se queda la clara,
La entrañable transparencia,
De tu querida presencia
Comandante Che Guevara.
Tu mano gloriosa y fuerte
Sobre la historia dispara
Cuando todo santa clara
Se despierta para verte.

Aquí se queda la clara,
La entrañable transparencia,
De tu querida presencia
Comandante Che Guevara.

Vienes quemando la brisa
Con soles de primavera
Para plantar la bandera
Con la luz de tu sonrisa.

Aquí se queda la clara,
La entrañable transparencia,
De tu querida presencia
Comandante Che Guevara.

Tu amor revolucionario
Te conduce a nueva empresa
Donde esperan la firmeza
De tu brazo libertario.

Aquí se queda la clara,
La entrañable transparencia,
De tu querida presencia
Comandante Che Guevara.

Seguiremos adelante
Como junto a ti seguimos
Y con Fidel te decimos:
Hasta siempre comandante.

Aquí se queda la clara,
La entrañable transparencia,
De tu querida presencia
Comandante Che Guevara.

Carlos Puebla




Che Jesus


Jesus Cristo e Che Guevara têm mais semelhanças do que pode parecer. Pelo menos é o que pensa William Izarra, um dos principais gurus do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e um dos propagadores, junto com Heinz Dietrich, da ideologia intitulada "socialismo do século XXI".

Para ele, tanto Cristo quanto o líder guerrilheiro que ajudou a fazer a revolução cubana buscavam o bem comum, acima de suas ambições e desejos pessoais. O amor ao próximo e a espiritualidade também são fundamentos essenciais para o sucesso de uma sociedade igualitária.

CHE GUEVARA: UM SANTO GUERRILHEIRO

Um paradoxo para o ateísmo marxista. Nos panteões religiosos de alguns povoados do interior da Bolívia, é possível encontrar, entre altares repletos de imagens de Cristo e da Virgem Maria, a imagem de Che Guevara celebrada como um beato popular. Logo ele, Ernesto Guevara, o revolucionário socialista que fez do fuzil sua profissão de fé e que se tornou um símbolo peregrino da Revolução Cubana. Barbado e fitando o infinito, Che (ou San Ernesto de La Higuera, como preferem seus fiéis) responde por uma boa parcela das súplicas e das oferendas daqueles católicos bolivianos

Por mais que as autoridades e o Exército tenham tentado, durante muitos anos, desestimular quaisquer reverências à sua memória, seu mito cresceu na clandestinidade, espraiando-se como rastilho de pólvora. Embora seus ideais sejam românticos aos olhos de um mundo globalizado, ele se transformou num ícone na história das revoluções do século XX e num exemplo de coerência política. Sua morte determinou o nascimento de um mito, até hoje símbolo de resistência para os países latino-americanos.

Contam os moradores que a população formou filas por aqueles dias de outubro, há mais de quarenta anos, para observar o corpo límpido de Che, os olhos estatelados que seguiam os romeiros. Parecia com a imagem de Jesus Cristo com a qual estamos acostumados, o que alimentou as crenças que perduram até hoje.
La Higuera, seu leito de morte, ele é mais do que um santo ou um comunista que matou bolivianos: o Comandante é uma necessidade de sobrevivência para o povo pobre deste pedaço da Bolívia.
La Higuera é um vilarejo onde vivem apenas 27 famílias e a energia elétrica ainda não chegou. Não é incomum encontrar, em suas casas, inscrições alusivas a Che. Há somente uma rua, que dá, em frente da pracinha local, em uma estátua do revolucionário, sorrindo, vestido de militar e com a mão direita levantada, segurando um charuto.

A uns poucos metros acima, avista-se, em cima de uma pedra, um enorme busto do comandante, ladeado por uma cruz e onde lê-se abaixo: "Seu exemplo ilumina um novo amanhecer". Mais adiante, está a escola onde Che foi mantido preso e executado. Hoje, abriga um pequeno museu em sua memória.
Victor Vallejos, que vive em La Higuera desde que nasceu, há 38 anos. Para o homem de forte traços indígenas, não há dúvida de que San Ernesto de La Higuera, como Che é cultuado por uma parte da população da região, é, de fato, um santo milagreiro. Mas não só isso. "Conhecemos o comandante Che como um herói, que veio à Bolívia procurando uma vida melhor para todos", diz.

René Villegas tinha dois anos quando mataram Che. Hoje, é diretor do Museu de La Higuera, e conta que há 20 anos realizam uma celebração no dia 8 de outubro, dia em que o Comandante caiu. “Celebramos um Che presente e espiritual”
Com a ajuda que recebe dos visitantes, planeja erigir uma placa de madeira para que os turistas não passem reto por ali. De uma forma sincera, manifesta sua devoção a San Ernesto de La Higuera:
“Quando não tenho nada, rezo para o Che e, no outro dia, chegam os turistas”.

Os guerrilheiros agora usam avental branco e se chamam embaixadores da Alternativa Bolivariana para as Américas. Só médicos cubanos são 1.800 na Bolívia, dois deles trabalhando em La Higuera, com a ajuda de um cavalo que os leva às moradas mais distantes do centro hospitalar inaugurado em 14 de junho do ano passado, data do aniversário do Che. Ali, funciona também a escola e o programa de alfabetização para adultos, baseado no método de Paulo Freire “Sim, eu Posso”, que já formou a primeira turma. “Era um compromisso do Che trazer assistência médica e educação gratuitas”, diz a médica cubana Adis Espinosa.

A urgência e a impaciência que Guevara nutria para salvar vidas humanas da desnutrição e das doenças ligadas à pobreza são nobres sentimentos humanos que, ainda hoje, conservam todo o seu valor. São sentimentos dos quais tem necessidade o nosso mundo, onde o hedonismo, o individualismo e a banalidade continuam a avançar. Exato, tais sentimentos são também os que estimularam Che a trocar a medicina por uma revolução. É preciso aprender de seus erros.

Além do mais, é vivo – e continua a criar confusão – o paralelo entre Guevara e Jesus Cristo, amparado em uma famosa foto onde o cadáver do guerrilheiro se assemelha, de maneira impressionante, ao Cristo morto de Mantegna (Andrea Mantegna, pintor italiano do séc. 15, ndr).

Guevara, “homem que quis carregar todos os homens” (Ítalo Calvino) e que se sacrificou por este ideal, agradou e continua a agradar muito aos católicos de esquerda.

Alguns teólogos da libertação, inspirados por uma profunda e sincera mística da pobreza, chegam a venerar Che como um santo, quando não como o verdadeiro Cristo libertador. Frei Betto, publicou, em julho, na agência Adital, uma “Carta aberta a Che”, que parece uma autêntica oração a Deus:
“Lá onde você se encontra, Che – lê-se no final – abençoe todos nós que compartilhamos de suas idéias e de sua esperança. Abençoe também os que estão fatigados, os aburguesados ou os que fizeram da luta uma profissão para o próprio benefício...”.

No modo como Che viveu e morreu existe, indubitavelmente, um forte componente de ascetismo estóico-cristão: adaptação à fadiga, às privações, à dor, à recusa ao luxo e aos prazeres sofisticados. Também a sua utopia evoca à mente o cristianismo primitivo. Mas transformá-lo em um modelo cristão é demais! Che considerava Cristo como um revolucionário falido e acreditava piamente na violência, nos processos e nas execuções sumárias de potenciais inimigos da revolução. Como ateu materialista, sacrificava-se unicamente para criar o paraíso neste mundo. A sua libertação era terrena. A salvação eterna não lhe interessava.

Mais do que um santo, Che foi e permanece um herói romântico e internacionalista, um tipo de homem que tem algo em comum com o santo. Disse-o magnificamente Angel Rama, em um breve texto, dentro da antologia Guevariana:
“O heroísmo produz a mesma luz fascinante e o mesmo pânico da santidade, porque é feito da mesma atroz enormidade e provoca, no imenso coro de nós, que assistimos à tragédia, a terrível consciência de sermos os destinatários daquele sacrifício”.

Mas o aspecto talvez mais vivo e politicamente influente de Che é o seu patriotismo latino-americano, finalmente liberto da gaiola dogmático-ideológica. Desde os anos da juventude, Che Guevara concebeu a América Latina, desde o Rio Bravo até a Terra do Fogo, como uma grande nação única, destinada a se unir e conquistar plena soberania. Che Guevara era argentino de nascimento, mas se sentia sobretudo latino-americano. O seu anti-imperialismo visceral, antes de se revestir de marxismo, procedia da tradição dos grandes homens da América: Simon Bolivar, Ruben Darío, José Martí.

Quando Che uniu-se à revolução cubana, assim o fez neste espírito; na época, ainda não se tinha transformado em marxista. Também Fidel Castro se movia neste sulco: quando comandava a guerrilha na Sierra Maestra, o Partido comunista cubano considerava-o apenas um bem intencionado aventureiro, cujas táticas não poderiam ter sucesso. Antes de se aproximar de Moscou, Castro queria “assegurar ao povo um regime de justiça social, baseado na democracia popular e na soberania política e econômica”, e já pensava na criação de um mercado único latino-americano.

A integração política e econômica da América Latina, a formação de um grande Estado continental nas terras libertadas por Bolivar, é uma idéia ainda viva, que assume força cada vez maior. A História caminha nesta direção. O historiador católico uruguaio Alberto Methol Ferré falou de uma “segunda fase da luta pela independência”, em cujo término haverá aquela unificação que o Libertador não conseguiu realizar. Cada latino-americano, ao menos nesta aspiração, pode reconhecer-se em Che Guevara.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010


Dizeres do pôster traduzidos para português:

“Che Guevara era um terrorista internacional e um genocida. Durante as suas viciosas campanhas para impor o comunismo em vários países pela América Latina, Che Guevara treinou e motivou os pelotões de fuzilamento de Fidel que executaram milhares de homens, mulheres e crianças.
Todos os indivíduos usados nesta fotomontagem foram mortos por Che e o regime cubano, revelando a verdade da sua hipocrisia assassina e cruel e reconhecendo suas incontáveis vítimas, conhecidas e desconhecidas.”

"E continuaremos executando enquanto for necessário! Essa é uma guerra de morte contra os inimigos da revolução!" Che - Assembléia Geral da ONU, em 9 de dezembro de 1964

Che promulgou mais de 400 sentenças de morte apenas nos primeiros meses em que comandava a prisão de La Cabaña. Um padre basco chamado Iaki de Aspiazu, que sempre estava à mão para ouvir confissões e fazer a extrema unção, diz que Che pessoalmente ordenou 700 execuções por fuzilamento durante esse período. Já o jornalista cubano Luis Ortega, que conheceu Che ainda em 1954, escreveu em seu livro "Yo Soy El Che!" que o número real de pessoas que Guevara mandou fuzilar é de 1.892.

"Eu não preciso de provas para executar um homem", gritou Che para um funcionário do judiciário cubano em 1959. "Eu só preciso saber que é necessário executá-lo!"

Em seu livro, Che Guevara: A Biography, o autor Daniel James escreve que o próprio Che admitiu ter ordenado "milhares" de execuções durante o primeiro ano do regime de Fidel Castro. Felix Rodriguez, o agente cubano-americano da CIA que ajudou a caçar Che na Bolívia e que foi a última pessoa a interrogá-lo, diz que Che, em sua última conversação, admitiu "algumas milhares" de execuções. Mas fez pouco caso delas, dizendo que todas as vítimas eram "espiões imperialistas e agentes da CIA".

http://www.thoseshirts.com/anticheshirts.html

Nota:


Cruzadas

Urbano II convocou a Primeira Cruzada (1096), com o objetivo de expulsar os "infiéis" (árabes) da Terra Santa, estabelecendo as seguintes metas: recuperar os locais sagrados do cristianismo e garantir a passagem de peregrinos para a Terra Santa. Quem tomasse a cruz para socorrer seus irmãos ganharia em troca a salvação. No total, oito Cruzadas se seguiram, entre 1095 e 1291. Elas garantiram a cristão e islâmicos vitórias relativas e derrotas substantivas: estima-se que ao redor de 1 milhão de pessoas morreram de cada lado. Jerusalém passou ao controle provisório dos cristão em períodos desse intervalo, mas, ao final dele, retornou às mãos dos muçulmanos.

Período Negro

Durante a Idade Média (século V ao XV), a Europa foi palco de inúmeras guerras sangrentas que levaram a morte para milhares de pessoas.
As guerras eram tão importantes na sociedade medieval que a nobreza militarizada, principalmente a cavalaria, tinha uma posição de destaque nos feudos e reinos. Os guerreiros possuíam grande importância e prestígio social e econômico. Preparavam-se desde a infância para serem guerreiros eficientes, leais e corajosos.

II Guerra

O número de vítimas da Segunda Guerra Mundial foi sem precedentes. Morreram aproximadamente 46 milhões de pessoas: cerca de 26 milhões de soviéticos, 4 200 mil alemães, 4 320 mil poloneses (a maioria judeus), 2 milhões de japoneses, 400 mil americanos e 370 mil ingleses.

Colonização da América Latina

A busca por riquezas e a conversão dos índios ao cristianismo foram, entre outros fatores, as bases motivadoras do projeto colonial em território americano,inúmeras atrocidades foram cometidas contra os povos dominados. A cruel matança de indígenas, bem como a ganância e a sede espanhola por metais preciosos.

“ (...) os espanhóis entravam nas vilas, burgos e aldeias não poupando nem crianças e velhos, nem mulheres grávidas e parturientes e lhes abriam o ventre e faziam em pedaços (...). Sempre matando, incendiando, queimando, torrando índios e lançando-os aos cães (...) e assassinaram tantas nações que muitos idiomas chegaram a desaparecer por não haver ficado quem os falasse (...) e no entanto ali teriam podido viver como num paraíso terrestre, se disso não tivessem sido indignos...”. (Las Casas)

Tão logo foram descobertas as minas de ouro e prata no Peru e no México, a coroa espanhola começou a explorá-las, utilizando-se para isso da mão-de-obra indígena. A partir daí, foi organizado um vasto sistema de exploração econômica, que baseava-se na servidão e na escravidão dos gentios da terra.

O trabalho forçado mostrou-se prejudicial aos índios, uma vez que os mesmos não estavam acostumados a uma existência calcada no trabalho sistemático e no sedentarismo imposto pelos europeus. Some-se a isso as doenças típicas do homem branco, o sadismo e o instinto bestial dos colonizadores e o resultado obtido foi a morte incontida de milhões de indígenas, bem como o desaparecimento completo de muitas civilizações.

Tem razão Frei Bartolomé de Las Casas, ao afirmar que a história da conquista e colonização da América, foi uma obra escrita com sangue. Comportando-se como verdadeiros tiranos, os espanhóis cegos pela cobiça e pela avareza, não mediram esforços para alcançar os seus objetivos coloniais. A conta dessa sanha conquistadora, foi paga pelos pobres nativos com o ceifamento precoce de suas vidas. Entretanto, para os colonizadores isso não possuía a menor importância, pois uma vez que os seus intentos, mesmo os mais espúrios, fossem plenamente satisfeitos, as demais coisas em nada lhes interessavam.

domingo, 22 de agosto de 2010


Uma história em quadrinhos escrita e desenhada pelo roteirista e desenhista sul-coreano Kim Yong-Hwe. Intitulada "Che: uma Biografia", a obra conta a trajetória do jovem argentino que viajou de motocicleta por cinco países da América Latina (período que também foi retratado no filme "Diários de Motocicleta"), e de como trocou a carreira de médico pela de guerrilheiro, participando de movimentos revolucionários em Cuba, Angola e na Bolívia, onde veio a ser executado.

Morte precoce = "Juventude eterna"
O que o guerrilheiro Che Guevara tem em comum com a atriz Marilyn Monroe, o ator James Dean e os roqueiros Jim Morrison e Kurt Cobain? Todos são exemplos de celebridades que morreram ainda jovens e que, por isso mesmo, acabaram sendo transformadas em ícones pela indústria cultural.

Como não envelheceram, permaneceram "eternamente jovens" no imaginário popular alimentado pela reprodução das imagens dessas celebridades em pôsteres, camisetas, souvenires etc. No caso específico de Che Guevara, a biografia em quadrinhos do guerrilheiro escrita e desenhada por Kim Yong-Hwe é mais um exemplo desse fenômeno.

Ao transformar Che Guevara em personagem de história em quadrinhos, o autor sul-coreano demonstra que o famoso guerrilheiro pode ser tão "eterno" quanto Batman, Super-Homem e Homem-Aranha, heróis da ficção que nunca envelhecem e morrem (ou quando "morrem", como é o caso do Super-Homem, são logo ressuscitados).

A diferença é que enquanto as aventuras dos heróis citados ajudaram a divulgar valores do american way of life (o estilo de vida norte-americano), Kim Yong-Hwe utiliza a linguagem dos quadrinhos para divulgar os ideais marxistas. Logo no início de sua narrativa, Kim Yong-Hwe faz uma comparação entre Che Guevara e um outro herói de ficção da indústria cultural norte-americana: Neo, protagonista do filme "Matrix" (interpretado pelo ator Keanu Reeves). Segundo o autor sul-coreano, enquanto Neo era "um herói imortal", Guevara teve "uma morte heróica".

Ícone cultural na Coréia do Sul


Ao nos depararmos com a obra de Kim Yong-Hwe, podemos nos perguntar o que leva um autor sul-coreano a produzir uma história em quadrinhos sobre a vida de um guerrilheiro que participou de uma revolução ocorrida há décadas atrás num distante (do ponto de vista coreano) país latino-americano. Talvez, se Kim Yonh-Hwe tivesse prestado mais atenção ao que acontece na sua própria vizinhança, mais especificamente na vizinha Coréia do Norte, ele teria produzido uma obra bem diferente.

É bastante contraditório um autor que vive na Coréia do Sul, país com economia de mercado e altos índices de desenvolvimento (exemplo de país que investiu seriamente na educação e que hoje é um dos maiores fabricantes de celulares e outros produtos tecnológicos), produzir uma obra que louve uma revolução que implantou em Cuba um regime semelhante ao adotado na Coréia do Norte, país que se encontra no ostracismo.

Provavelmente, a explicação para a fascinação do autor sul-coreano por Che Guevara pode ser mais de natureza psicológica ou cultural do que política ou ideológica. A sociedade sul-coreana, assim como outras do Extremo Oriente (independentemente do regime político ou econômico) é extremamente hierarquizada (em parte pela influência da filosofia de Confúcio que pregava o respeito aos mais velhos e a obediência aos superiores hierárquicos), o que significa rigidez tanto na vida escolar quanto no ambiente de trabalho.

Para um jovem sul-coreano, estressado de tanta cobrança nos estudos, a idéia de um guerrilheiro se aventurando nas selvas de um país distante pode parecer extremamente convidativa, um sonho de liberdade.

Na história em quadrinhos, Kim Yong-Hwe afirma que Che se tornou um ícone cultural entre os jovens sul-coreanos ao mesmo tempo em que a banda de rock norte-americana Rage Against the Machine se popularizava na Coréia do Sul. Vale lembrar que a banda é conhecida não apenas pelo seu som pesado, mas também pelas letras de suas composições, caracterizadas pelo seu teor político, especialmente pelos protestos dirigidos ao governo do presidente norte-americano George W. Bush. Assim, podemos dizer que tanto Che quanto a banda Rage Againt the Machine são ícones culturais no imaginário esquerdista.

Visão parcial
Na edição publicada pela Conrad, há um breve texto introdutório escrito pelo quadrinista coreano onde ele afirma que quanto às fontes de pesquisa para sua obra ele utilizou "quase todos os livros disponíveis sobre Che Guevara e a também a internet". Provavelmente, essa declaração é um exagero, pois existem muitos livros sobre Che Guevara e a Revolução cubana e seria muito difícil alguém pesquisar todos ou quase todos.

O maior problema é que ele não diz quais livros e nem quais sites pesquisou. A historiografia sobre o assunto é vasta e abrange obras escritas por historiadores das mais diversas correntes (incluindo a marxista), o que inclui tanto simpatizantes quanto críticos do governo de Fidel Castro.



Entre os que produziram um retrato mais favorável do regime de Fidel estão o jornalista brasileiro Fernando Morais, autor de "A Ilha", livro-reportagem sobre a Cuba pós-Revolução. Entre os que já expressaram opiniões desfavoráveis ao regime cubano estão o também brasileiro Paulo Roberto de Almeida, diplomata e doutor em Ciências Sociais, autor de um artigo intitulado "A História Não o Absolverá", uma crítica à tolerância de grande parte dos intelectuais brasileiros ao governo ditatorial de Fidel.

A julgar pelo tom panfletário da história em quadrinhos, podemos concluir que o autor utilizou apenas fontes favoráveis ao guerrilheiro, a começar por testemunhos de amigos e parentes, pessoas que tinham ligações afetivas com Guevara e que, portanto, jamais poderiam descrevê-lo com mais objetividade e isenção.

Em vários momentos, a história em quadrinhos chega a lembrar uma hagiografia, isto é a biografia de algum santo católico, apesar do fato de que, como marxista, Guevara era declaradamente ateu.

Narrativa "cinematográfica": influência dos mangas

Apesar desse tom panfletário e do fato de o autor não ter citado a bibliografia pesquisada, a biografia em quadrinhos de Che Guevara é uma obra que merece ser conferida. Um dos méritos da obra é o fato de que o autor conhece e domina a linguagem narrativa dos quadrinhos.

As histórias em quadrinhos se constituem numa arte que possui características muito específicas: diferente de um livro ilustrado, no qual as ilustrações apenas reproduzem o que está descrito no texto, os quadrinhos são mais parecidos com o cinema, no qual uma série de imagens são colocadas numa determinada seqüência para contar uma história. Os desenhos também devem ser "lidos", tal como as cenas de um filme.

O caráter "cinematográfico" dos quadrinhos é mais evidente nos mangás, os famosos quadrinhos japoneses, que exerceram forte influência na Coréia do Sul, onde os quadrinhos são chamados de manhwas. Essa influência dos mangás é bastante visível no trabalho de Kim Yong-Hwe.

As várias facetas de Che Guevara
"Che: uma Biografia" acerta ao mostrar que o guerrilheiro era um indivíduo com profundas convicções políticas, disposto a lutar pelos ideais em que acreditava. Se tais ideais valiam a pena, é uma outra discussão, cuja resposta pode variar conforme as opiniões ou simpatias políticas de cada leitor. A história em quadrinhos destaca alguns traços da personalidade de Che Guevara: seu carisma, sua capacidade de liderança.

A obra mostra ainda algumas das diversas facetas de Guevara: o filho atencioso, o guerrilheiro carismático, o pai carinhoso que escreve cartas para os filhos e também a do médico que prestava assistência aos necessitados, dentre os quais vítimas da hanseníase e até inimigos feridos.

No entanto, "Che: uma Biografia" omite outros aspectos da trajetória de Guevara. Não menciona que, obedecendo às ordens de Fidel Castro, Che Guevara foi o responsável pela execução de pelo menos duzentos condenados nos "tribunais revolucionários". Essas execuções ocorreram na forma de fuzilamentos e teriam rendido a Guevara o apelido, na época, de "carnicerito".

Os julgamentos não passavam de fachada, pois os réus, independentemente de terem de fato ou não colaborado com o governo do ditador cubano Fulgêncio Batista, já estavam condenados à morte antes mesmo de serem julgados. Bastava a simples suspeita de traição para alguém ser preso e condenado em um julgamento sumário, como costuma acontecer em qualquer revolução.

Em um desses julgamentos, pilotos das forças de Batista foram acusados de terem bombardeado vilarejos e cidades, mas foram absolvidos por falta de provas. O veredicto não agradou Fidel que ordenou a exoneração dos juízes e a realização de um novo julgamento que condenou os pilotos. Nem mesmo partidários da Revolução Cubana foram poupados: o guerrilheiro Huber Matos, colega de Guevara, foi preso e condenado à vinte anos de prisão apenas por ter discordado dos rumos tomados pelo regime de Fidel e a aproximação de Cuba com a União Soviética.

Mais omissões
Outro aspecto omitido em "Che: uma Biografia" é o fato de que a atuação de Guevara no Ministério da Indústria e na presidência do Banco Nacional de Cuba foram desastrosas para a economia cubana. A passagem de Guevara por esses dois órgãos foi caracterizada pela desorganização e pelo improviso. Guevara demonstrou que não tinha para a administração pública o mesmo talento que tinha para manejar o fuzil.

Jamais saberemos o que teria acontecido se Guevara ainda estivesse vivo. Talvez, ele tivesse se mantido fiel às suas convicções ou se tornado um crítico ainda mais radical do capitalismo e do que chamava de "imperialismo norte-americano". Por outro lado, talvez ele tivesse revisto suas opiniões, se tornado mais "moderado" ou mesmo renunciado ao marxismo e se arrependido de seus feitos de guerrilheiro. Nunca saberemos.

Seja como for, o mito criado em torno de Che Guevara permanece vivo e, ao que tudo indica, continuará assim por muito tempo. "Che:uma Biografia" é um exemplo da sobrevivência desse mito.


O subtítulo da biografia em quadrinhos é bastante apropriado, pois se trata de "uma" biografia, e não da biografia definitiva de Ernesto "Che" Guevara. Vale lembrar que existe uma obra homônima, uma biografia do guerrilheiro escrita pelo jornalista norte-americano Jon Lee Anderson, fruto de um trabalho de cinco anos, publicada no Brasil pela Editora Objetiva.

A versão em quadrinhos lançada pela Conrad pode ser uma interessante (e divertida) introdução ao assunto Revolução Cubana, mas sua leitura deve ser complementada com a de obras historiográficas mais atualizadas, de preferência, confrontando as opiniões de diferentes autores.

Túlio Vilela, formado em história pela USP, é professor da rede pública do Estado de São Paulo e um dos autores de "Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula" (Editora Contexto).

quinta-feira, 19 de agosto de 2010


Chevolution, documentário de Trisha Ziff e Luis Lopez, teve quatro apresentações durante a 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (além de uma sessão no Festival da Juventude), e conseguiu inovar ao retratar Che nas telas de cinema. O documentário fala da vida e das ideologias de Che Guevara de acordo com uma das fotos mais vistas nas últimas décadas, além da questão de como um signo visual pode evoluir e ganhar diversos significados com o passar do tempo.



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Foi em 5 de março de 1960, que Alberto Korda conseguiu aquela foto que entraria para história: num ato de protesto às 136 vítimas de sabotagem na explosão do cargueiro francês Le Coubre, no porto de Havana. Fidel Castro discursava ao lado de Che, Sartre e Simone de Beauvoir, enquanto Korda mantinha sua câmera posicionada na direção do palanque ali montado, e foi então que Che avançou para ver a multidão e, ao acaso, entrou nas lentes do fotógrafo. Houve tempo apenas para o fotógrafo focalizá-lo e dar dois cliques: um na horizontal, outro na vertical, então Che voltou ao local que estava. (Afirmação feita pela irmã de Korda em depoimento ao documentário).

Porém, a foto foi recusada pelo jornal Cubaco naquela época, e Korda resolveu guardá-la consigo. A imagem então teria saído dos estúdios do fotógrafo indo parar em uma reportagem da revista “Paris Match” por volta de 1967, para logo depois da morte de Che (no mesmo ano), tornar-se conhecida por toda a Europa através de centenas de cartazes, vistos principalmente nas revoltas de maio de 1968.

Segundo depoimentos do filme, a foto teria chegado às mão do editor italiano de esquerda, Giangiacomo Feltrinelli, como um presente oferecido por Alberto Korda e apoderando-se dos direitos autorais da foto (até então não existentes em Cuba). Feltrinelli teria transformado a foto em milhares de pôsteres que seriam espalhados pelo mundo.

O documentário procura analisar, a partir desse ponto, como essa imagem adquiriu diversos significados e pôde se transformar ao longo do tempo. Depois de Feltrinelli, viria o artista plástico Jim Fitzpatrick, que também participa do documentário. Che tem como plano de fundo a foto de Che Guevara, estilizada pelo próprio Jim, e reproduzida mais uma vez em forma de cartaz, aproximando-se da iconografia utilizada na ‘Pop Art’; levando aquela foto documental de origem política agora para o universo das artes plásticas.



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Desse segmento artístico, a imagem de Che continua a viajar para todos os tipos de artes e movimentos: o músico Tom Morello (da banda Rage Against The Machine) fala durante o documentário no uso que o grupo fez da imagem colocando-a na capa do cd Bombtrack de 1992, a fim de relacionar os ideais do guerrilheiro aos da banda, mas segundo a época que vivemos.

O processo que a irmã de Korda moveu contra a banda é inserido no depoimento do músico, já que agora a família de Alberto Korda conseguiu por meio da justiça os direitos autorais da imagem, o que é, segundo eles, para que se mantenha a imagem de Che Guevara segundo a ideologia em que o guerrilheiro acreditava. E a irmã de Korda diz sobre Che: “Seus ideais não morreram junto com seu corpo, inclusive continuam vivendo, cada dia mais”.

Da política a imagem saltou para o universo das artes plásticas, quando o então jovem artista gráfico Jim Fitzpatrick, também entrevistado no documentário, aumentou o contraste da imagem, removendo os tons intermediários e aproximando-a da iconografia do movimento artístico pop art, do qual Andy Warhol era um dos principais expoentes. Estilizado e mais facilmente reproduzível, o rosto de Che foi reproduzido ainda mais, já que, como Korda, Fitzpatrick não registrou os direitos autorais sobre o seu hoje famoso trabalho.

Impulsionada pela internet, já nos anos 90, a famosa foto de Che continuou a se espalhar, agora com mais força e velocidade, entre os jovens pró ou mesmo contra os ideais do líder comunista. Em uma passagem do filme, por exemplo, uma universitária americana que se declara do partido Republicano veste uma camiseta vermelha com o rosto estampado de Guevara onde se lê: “esta camiseta só foi oferecida a você graças ao sistema capitalista”.
Econômico nas críticas à atuação propriamente política de Guevara, apontado por seus detratores como um impiedoso assassino de guerra , “Chevolution” tem a qualidade de trazer a discussão para um outro e ainda pouco explorado campo: o da semiótica, ou ainda, o do estudo de como um signo visual é capaz de evoluir ao longo do tempo, ganhando novas camadas de significado até o ponto de representar idéias completamente diferentes ou mesmo diametralmente opostas quando submetidas a mentes distintas.

Essa questão é levantada graças ao uso excessivo dessa imagem, vinculada agora a diversos tipos de questões e movimentos, nem sempre aliados à causa de Che, ou até mesmo casos onde nem se sabe ao certo quem foi Che Guevara (“Ele não é o sujeito que inventou os ‘mojitos’?” diz um americano que usa uma camiseta com a imagem de Che). O documentário mostra dezenas de exemplos em que a foto de Che é usada: maços de cigarros, garrafas de vodka, camisetas, bolsas, bottons, tatuagens, biquínis, xícaras, bonés e ainda aparece nas cédulas de dinheiro cubanas, cortando cana de açúcar nos campos, produtos da sociedade capitalista de consumo, causa contra a qual o guerrilheiro lutava contra. São dados alguns depoimentos do que Che Guevara pensaria sobre isso: Carlos “Caliça” Ferrer, amigo argentino de Che Guevara, diz: “Ernesto era um pouco sarcástico”, e completa “Ele certamente riria muito disso tudo”.

O ator e diretor Antonio Banderas se põe contra essa posição e diz que esse uso é ir contra tudo que Che lutava.

É certo que nem todos que a estampam em seus objetos ou até no próprio corpo não sabem o que aquela imagem representa e a co-diretora do filme salienta que fica espantada “com a ignorância do público jovem americano, que pode usar a imagem de Che em suas camisetas e não saber nada sobre a ideologia, sobre as idéias desse homem”. “Tudo vem das idéias, da esperança, de nosso desejo de que a humanidade tenha heróis”, disse Ziff. “Che virou folclore. Ele é Robin Hood, de certa maneira. É uma coisa tão fundamental assim.”

Che tornou-se a luta contra o conformismo e a vontade de mudança em relação a algum tipo de estrutura política que se julga errada, e isso fica evidente através da indexação da figura de Che em diversos movimentos: desde as revoltas de 1968, passando pelo movimento hippie e pelo movimento gay.

A imagem de Korda tornou-se o ícone dessa luta sendo carregada por todos os cantos do mundo, e é interessante pensar na questão de como um signo visual é capaz de evoluir durante o tempo, ganhando novos significados ou até mesmo tornando-se completamente diferente, dependendo do contexto e da mente de quem as vê e reproduz.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010



CHE EL ANGENTINO


Primeira parte da cinebiografia do guerrilheiro, dirigida por Steven Soderbergh, se limita a reafirmar o mito sem lhe desvelar a face humana, num relato frio e simplista, apesar de bem realizado

Grande parte da juventude contemporânea, que anda por aí vestindo camisetas de grife estampadas com o rosto de Ernesto “Che” Guevara, não conhece a biografia ou as idéias do homem que co-liderou a revolução comunista em Cuba. Durante certo tempo, a comunidade cinematográfica esperou que a biografia em duas partes dirigidas por Steven Soderbergh, com suas quase cinco horas de duração, contribuísse para sanar essa lacuna histórica. A julgar por “Che: O Argentino” (Che Part One: The Argentinian, EUA/França/Espanha), contudo, o projeto não parece ter atingido o objetivo.

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Observando-se a reação dos críticos ao lançamento, realizado no início de 2008, é possível perceber que “Che: O Argentino” esteve muito longe de ser unanimidade. A maior parte da imprensa conservadora dos EUA achou que Soderbergh glorificou a figura de Guevara, contribuindo equivocadamente para solidificar a reputação mitológica de um homem que, segundo defende, foi um assassino. Do outro lado, comunistas de carteirinha e simpatizantes em geral consideraram o filme superficial, simplista e sem alma, como se tivesse dirigido por um diretor que não tinha convição e nem paixão sobre o que estava fazendo.

Descontando os exageros de parte a parte, há algo de verdadeiro nas duas posições. Pelo menos nesta primeira parte da cinebiografia, Che é apresentado como um estrategista militar duro, mas que nunca perde a ternura – ou seja, o filme não consegue ir um centímetro sequer além da imagem pública projetada pelo guerrilheiro e eternizada em livros de bolso que podem ser encontrados até em bancas de revista. Soderbergh, que entrou no projeto substituindo o diretor Terrence Malick, oferece um relato compacto dos dois anos em que a guerrilha cubana, liderada por Fidel Castro, lutou nas selvas de cuba até derrubar o ditador Fulgêncio Batista, em 1958. Não ganhamos a oportunidade de conhecer melhor Che, o homem. Seus medos, seus amores, suas dúvidas, nada disso aparece no filme.

O roteiro de Peter Buchman contribui para este retrato superficial, na medida em que entrelaça duas cronologias distintas, e este entrelaçamento reforça, talvez involuntariamente, a aura mitológica que envolvia o personagem.

Soderbergh intercala cenas em preto-e-branco e coloridas, realizando uma curiosa inversão – as imagens em P&B, cronologicamente posteriores, mostram Che em Nova York, durante a célebre conferência das Nações Unidas em que assumiu o papel de mito, mascando um charuto cubano e com a boina militar.

Essas cenas priorizam closes e planos-detalhes, em um estilo cuidadosamente calculado para dramatizar a curiosidade internacional a respeito daquele homem sedutor e de personalidade enigmática.

Já o relato da campanha nas selvas de Cuba é filmado quase sempre em planos gerais e/ou médios, com a câmera posicionada à distância, o que dá ao resultado geral uma atmosfera desdramatizada, sem emoção, quase jornalística.



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Soderbergh diz que evitou fechar o foco porque não queria mostrar Che sozinho em nenhuma tomada , afinal, ele fazia parte de uma revolução comunista, doava-se para o grupo e acreditava fervorosamente nessa ideologia.
Ao optar por essa estética, contudo, o cineasta acabou eliminando boa parte do drama, de forma que o filme se assemelha, muitas vezes, a um documentário jornalístico, frio e distante. Com isso, perde-se a emoção e as nuances humanas que poderiam ajudar a captar um pouco da desejável complexidade moral das ações polêmicas do personagem.

É importante observar, também, que julgar “Che: O Argentino” sem pensá-lo junto ao seu filme-gêmeo (“Che: A Guerrilha”, que dramatiza a tentativa fracassada da revolta boliviana, culminando com o assassinato do guerrilheiro) é forçosamente uma tarefa inconclusa, visto que os dois filmes foram escritos como um roteiro único, e divididos em duas partes distintas por razões estritamente comerciais. Isso posto, cabe ainda ressaltar a excelente interpretação de Benicio Del Toro (produtor original do filme) no papel-título, bem como a energia com que o numeroso elenco, incluindo o brasileiro Rodrigo Santoro, que aparece em algumas poucas cenas como Raul Castro, veste as fardas verdes dos guerrilheiros. Rodrigo Carreiro

Che: O Argentino (Che Part One: The Argentinian, EUA/França/Espanha)
Direção: Steven Soderbergh
Elenco: Benicio Del Toro, Julia Ormond, Santiago Cabrera, Rodrigo Santoro
Duração: 134 minutos


CHE 2 A Guerrilha

Após a Revolução Cubana, Che está no auge de sua fama e poder. Então ele desapareceu, ressurgindo incógnito na Bolívia, onde organiza um pequeno grupo de camaradas cubanos e recrutas bolivianos para começar a grande revolução latino-americana.
A história da campanha boliviana de Che é um conto de tenacidade, sacrifício, idealismo e de arte de guerrilha que no final das contas acabou por falhar, resultando na morte de Che.
Através dessa história, nós tentamos entender como Che continua sendo um símbolo de idealismo e heroísmo que vive nos corações das pessoas ao redor do mundo.
Elenco
Demián Bichir … Fidel Castro
Rodrigo Santoro … Raúl Castro
Benicio Del Toro … Ernesto Che Guevara
Catalina Sandino Moreno … Aleida March

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Logo no início de “Diários de Motocicleta”, o jovem estudante Ernesto Guevara recebe quinze dólares da namorada argentina, Chichina Ferreyra (Mia Maestro). Ele ganha a missão de comprar, com esse dinheiro, um maiô norte-americano para que a abastada garota possa se banhar nas praias portenhas vestida com as últimas novidades da moda internacional. O destino do dinheiro será um símbolo sutil, mas vigoroso, da jornada empreendida pelo jovem.

A narração da viagem de oito meses, que descortinou a dura realidade social da América Latina aos olhos de Ernesto, é o trabalho do cineasta Walter Salles. O filme expõe com autoridade e sutileza uma jornada de moto por cinco países latino-americanos, feita pelo jovem franzino e asmático, aos 23 anos. Ao lado do bioquímico Alberto Granado, Ernesto atravessou cinco países e 10 mil quilômetros em cima de uma velha moto, em 1952.

A jornada, a princípio uma grande farra de dois jovens que desejam viver uma grande aventura antes de assumir responsabilidades adultas, acabou por transformar Ernesto no lendário guerrilheiro “Che”. E o longa-metragem, que reconta a viagem com fidelidade aos diários dos viajantes (ambos publicados como livros), reafirma o talento e a maturidade do cineasta. O filme recoloca Walter Salles numa posição de liderança da nova onda de autores do cinema latino-americano.

Os tais quinze dólares, que volta e meia ressurgem nas conversas entre Ernesto e Granado, representam uma metáfora importante. Ao sair da Argentina, Guevara apega-se ao dinheiro como uma prova do compromisso para com a namorada. A verba é, num plano simbólico, a vida de Ernesto antes da viagem.

Walter Salles não deixa a platéia esquecer dos dólares; volta e meia, o cineasta mostra como Granado tentava convencer o colega, a todo instante, a gastar tudo com comida ou garotas. O destino do dinheiro, contudo, vira um poderoso símbolo da transformação daquele jovem idealista em um determinado líder político.

É digno de nota que Salles tenha utilizado uma metáfora tão sutil (para muita gente, falar do dinheiro nesta crítica pode provocar estranheza, tão insignificante parecem as cenas em que ele é mencionado) para representar o rito de passagem fundamental de um ser humano. Daí a beleza de “Diários de Motocicleta”. O filme corre tranqüilo no ritmo de um diretor que tem pleno domínio sobre sua narrativa. É simples, mas sofisticado, e justifica uma ambição que não tem nada de pequena.

As declarações de Salles, afirmando que queria mostrar a América Latina como uma região com identidade cultural única, reafirmavam uma ambição difícil de cumprir. Mas não importa, a essa altura, quais os motivos que levaram o cineasta brasileiro a levar o projeto adiante. Walter Salles soube ser econômico na narrativa, conciso nos diálogos, acessível na abordagem do tema e preciso nas escolhas estéticas.

Há que se perceber, por exemplo, a maneira como o diretor brasileiro estrutura a montagem do filme. Na primeira parte da viagem, as seqüências são curtas; os cortes, secos. Isso soa como se Salles quisesse encerrar o significado de cada cena dentro de si mesmo. O diretor também soube evitar a tentação de explorar em demasia as magníficas paisagens rurais da Argentina e do Chile, o que poderia dar um sentido de transcendência à jornada de Guevara. Nesse sentido, o filme se afasta de road movies tradicionais, como se um “Paris Texas” pudesse ser filmado por Carlos Drummond de Andrade.

Na metade final do longa-metragem, porém, a situação se inverte; as cenas ficam longas e o filme, mais contemplativo. Não é coincidência que isso aconteça depois que a platéia é informada do destino dos quinze dólares. Juntas, as duas ações comunicam ao espectador uma mudança essencial que opera no fundo da alma daquele jovem. É uma mudança que atinge um clímax perfeito na cena que marca a despedida de Guevara do leprosário de San Pablo, na Colômbia, o momento mais importante a viagem.

Salles, é evidente, não trabalha sozinho. A dupla de protagonistas está muito bem. O mexicano Gael Garcia Bernal faz um Guevara calado, observador, enquanto o argentino Rodrigo de la Serna (primo de segundo grau do verdadeiro “Che” Guevara) encarna com muita energia o brincalhão Granado.

Da mesma forma, o francês Eric Gaultier desenha uma fotografia brilhante. A América Latina rural de Gaultier tem belas paisagens, mas não exibe a luz esfuziante e exótica que Hollywood associou ao estrangeiro; possui as sombras melancólicas de uma tarde caindo. A luz evoca, de novo, um estado de transformação: o dia em noite, o menino em homem, o médico em guerrilheiro. A decisão de filmar em 16mm, ao invés de utilizar a película normal de 35mm, ajudou a capturar o clima intimista que o filme exigia.

Além disso, deu a Salles um dos seus maiores trunfos, que é a qualidade documental impecável. Há vários momentos em que os camponeses latino-americanos viram os verdadeiros protagonistas do filme. São espécies de pequenos clipes, com montagem acelerada, em que fitam diretamente a câmera e enchem a tela com um olhar cheio de dor e dignidade.

Essa qualidade documental é algo que aproxima “Diários de Motocicleta” de um filme pequeno e honesto. E a presença do verdadeiro Alberto Granado, na última cena do filme, ressoa o que Spielberg fez em “A Lista de Schindler”. Se Walter Salles desejava transmitir autenticidade e fazer um filme melodramático sem ser piegas, acertou na mosca.
Rodrigo Carreiro

(Diarios de Motocicleta, 2004, Inglaterra/França)
Direção: Walter Salles
Elenco: Gael Garcia Bernal, Rodrigo de la Serna, Mia Maestro, Susana Lanteri
Duração: 130 minutos


http://cinema.uol.com.br/ultnot/2004/05/06/ult831u255.jhtm



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segunda-feira, 16 de agosto de 2010


A versão HQ sobre a vida de Ernesto Che Guevara , é um dos atrativos editoriais para pôr no mercado a biografia do guerrilheiro publicada há mais de 40 anos na Argentina.
O relevante é que o lançamento marca a estréia no Brasil do escritor argentino Hector G. Oesterheld, inexplicavelmente adiada por mais de meio século, o "inexplicável" é por ele ser visto como o principal roteiristas de quadrinhos do país vizinho e um dos mais destacados das Américas, mesmo assim, permanecia inédito por aqui.

"Che - Os Últimos Dias de um Herói" (Conrad, 98 págs.) foi lançada na Argentina três meses após o assassinato do líder guerrilheiro, em 9 de outubro de 1967, na Bolívia.

A obra é narrada alternando diferentes momentos da vida de Che,da infância ao surgimento das idéias de igualdade social, do idealismo ao engajamento armado.
Uma parte relata como teriam sido os bastidores do golpe que pôs Fidel Castro à frente do governo cubano. Guevara teve importante papel nesse processo de tomada de poder.

O relato visual é feito por dois desenhistas, Alberto e Enrique Breccia (pai e filho).

O Breccia pai era parceiro de Oesterheld em outros trabalhos. Criaram juntos séries como "Sherlock Time" e "Mort Cinder" na virada das décadas de 1950 e 60.
O desenhista era conhecido pelo uso do preto e do branco em suas produções, o estilo influenciou outros profissionais de quadrinhos, não só argentinos, o norte-americano Frank Miller, autor da série "Sin City", é um dos que assumem publicamente a herança de Breccia.


O Breccia filho talvez seja mais conhecido dos leitores de quadrinhos por ter desenhado séries norte-americanas já publicadas no Brasil, como a do Monstro do Pântano.
Hoje com 63 anos, revelou ao jornalista Pedro Cirne, em matéria da "Folha de S.Paulo", que ele e o pai desenharam roteiros diferentes. Só depois viram a obra reunida.


"Nenhum de nós leu o roteiro do outro até termos terminado o livro. Na realidade, nos vimos apenas uma ou duas vezes no decorrer do trabalho", disse, na reportagem da Folha.

"Acho que ele [Oesterheld] agiu assim para diferenciar completamente as duas partes da história, sem que por isso perdessem a unidade."

Enrique Breccia é o único dos três autores ainda vivo.

O pai morreu em 1993, e tem (Braccia pai) no currículo o fato de ter enterrado uma dos exemplares originais da obra, proibida pelos militares, foi dessa versão que foram feitas as republicações. A última é de 2007.

Integrou o último volume da "Nueva Biblioteca Clarín de la Historieta", coleção com clássicos dos quadrinhos universais vendida e publicada pelo jornal portenho "Clarín".

Oesterheld morreu supostamente em 1977, a incerteza é porque não se consegue precisar a data exata, sabe-se apenas que foi vítima dos militares, ele, as quatro filhas, os genros.
Tal qual a figura real que biografa, Oesterheld tinha um lado militante e crítico à ditaduta.


A biografia de Che já fazia parte de uma segunda fase das obras dele, bem mais politizada, um ano depois de Che, produziu em quadrinhos a história de Evita Peron, na década seguinte, uma continuação nitidamente politizada de "El Eternauta", sua principal obra e ainda o maior clássico argentino.
Mas corrige uma injustiça de longa data, que é a ausência dos trabalhos de Oesterheld em solo brasileiro, há muito, muito mais da mesma fonte.

Uma dos discursos prontos sobre a história dos quadrinhos é que a Europa deu um olhar mais adulto aos quadrinhos a partir dos anos 1960, Oesterheld já fazia isso na Argentina na metade da década anterior.
Que seja, enfim, tardiamente descoberto pelos brasileiros.

O comandante Che Guevara está mais presente que nunca, e não apenas em camisetas e bottons. Além dos ótimos filmes,livros foram lançados sobre o eterno e ultracarismático guerrilheiro.

"Evocação - minha vida ao lado do Che" é o relato de sua viúva e mãe de quatro de seus filhos, Aleida March, sobre os oito anos que viveram juntos. Escrito quarenta anos depois da execução de Che na Bolívia, o livro traz fatos, fotos, documentos, poemas e especialmente cartas inéditas, em que se revela seu lado mais afetuoso e menos conhecido.

Depois de 40 anos de silêncio autoimposto, Aleida March, a viúva de Ernesto Che Guevara, escreveu um livro de memórias íntimas que revela o lado mais desconhecido de uma figura da história que marcou gerações. Evocação mostra o lado mais humano da figura de Che pela mulher que esteve ao seu lado durante oito anos e com quem teve quatro filhos, um testemunho excepcional da pessoa que mais sabe das satisfações e dissabores de conviver com um herói guerrilheiro para quem a revolução e seu próprio destino sempre vieram em primeiro lugar.

O duro e irredutível braço direito de Fidel Castro nunca havia, afinal, perdido a ternura. O que não significa que sua vida de casado tenha sido um mar de rosas. No governo cubano, na Rússia, Congo, Argélia ou finalmente na Bolívia, Che Guevara vivia acima de tudo para a revolução, com pouco tempo para idílios domésticos.

Mesmo assim, o depoimento de Aleida é muito precioso - ela mesma era uma revolucionária bastante corajosa, tendo conhecido o futuro e lendário marido em meio a tiros e explosões. Seu tom não cede a sentimentalismos, muito ao contrário. Orgulhosa de sua história, Aleida escreve como quem olha nos olhos do leitor.


"De Ernesto a Che", de Carlos "Calica" Ferrer, é um depoimento pessoal ,"Calica", amigo de infância do jovem asmático Ernesto Guevara de La Serna, conta como foi a viagem que fizeram pela América Latina, um ano depois daquela que ficou famosa no filme "Diários de Motocicleta" e no livro "De Motocicleta pela América do Sul" (Sá Editora).

Com pouquíssimo dinheiro mas muita disposição, partem num trem em Buenos Aires e vão para a Bolívia, atraídos pela revolução social por que passava o país, depois vão ao Peru e Equador, o destino final seria a Venezuela, onde Che assumiria um posto num hospital de leprosos.

O livro, mais indulgente e descompromissado, é pródigo em anedotas, mas também mostra como Che, já um estudioso de Marx, Freud e Lênin, consolidava sua consciência social diante da miséria de índios e negros que testemunhava no caminho, e se preparava para lutar contra toda e qualquer injustiça a que estavam expostos os povos latino-americanos.


Biografias
Quem quiser se informar mais detalhadamente sobre a vida de Che Guevara tem duas excelentes opções: "Che - a Biografia" (Objetiva), do jornalista e correspondente de guerra John Lee Anderson, e "Che Guevara: a vida em vermelho" (Companhia das Letras), do estudioso mexicano Jorge G.Castañeda.

Curiosamente, os dois livros foram lançados quase simultaneamente, em 1997, frutos de pesquisas exaustivas, que correram paralelamente. Fica inevitável compará-los.

O primeiro é tido como mais completo. Anderson, conhecido por sua cobertura dos conflitos no Oriente Médio, ficou cinco anos morando em Cuba e entrevistou, entre tantos outros, Aleida March, que até então se mantivera em silêncio.

“Che – Uma Biografia”, da editora Objetiva, é o livro definitivo sobre uma das figuras mais influentes, polêmicas e carismáticas de nosso século.

Jornalista de credibilidade e prestígio internacional, e um dos mais importantes colaboradores da revista The New Yorker, Jon Lee Anderson dedicou seis anos à pesquisa e elaboração desta obra.

Entrevistou amigos, familiares e companheiros de luta de Guevara, muitos deles aceitando falar pela primeira vez sobre o líder revolucionário.


Com o apoio integral da viúva de Che, Lee Anderson foi o primeiro a ter acesso a dois diários até hoje inéditos de Che, assim com às suas cartas pessoais. Em Havana, onde viveu três anos voltado exclusivamente para as pesquisas sobre Che, Lee Anderson obteve autorização para examinar arquivos secretos da revolução.

Em Moscou, entrevistou integrantes da cúpula da KGB, que lhe revelaram o papel fundamental de Che como articulador da aliança entre os revolucionários cubanos e a URSS.

Lee Anderson é ainda o único biógrafo a revelar toda a verdade sobre o foco guerrilheiro organizado por Che na Argentina, no início da década de 60, um episódio sobre o qual, até agora, se sabia muito pouco.

Ilustrado com 60 fotos inéditas e exclusivas, algumas delas arrebatadoras, “Che” é a obra mais completa e importante sobre a vida do grande líder revolucionário.
O nível de detalhamento de seu livro caudaloso (920 páginas, incluindo notas e bibliografia) impressiona. No longo trecho sobre a campanha na Sierra Maestra, é como se estivéssemos lá, vivendo nas difíceis condições dos guerrilheiros, lado a lado com Che, Camilo Cienfuegos e outros heróis menos famosos.

Acompanhamos os próprios pensamentos de Che, através de trechos escolhidos de seus diários - alguns inéditos, em que fica ainda mais clara sua ética de coragem e determinação e também seu lado absolutamente objetivo, por vezes implacável.

Não à toa, Anderson foi o principal consultor do filme de Steven Soderbergh.

"Che Guevara: a vida em vermelho"
O livro de Castañeda, por sua vez, é também bastante detalhado, mas adota um tom mais fluido, agradável, e se lê quase como romance. É mais curto também (630 páginas), e portanto mais indicado para quem desanima diante de calhamaços.

"Quando, em 1968, uma explosão de jovens dispostos a dizer não ao não sacudiu o mundo, Che Guevara foi imediatamente chamado à festa, a estampa de seu rosto levado à frente das multidões que tomara as ruas de Praga, Cidade do México, Paris...
Ainda não se completara um ano de seu assassinato nos grotões bolivianos, e ele já ressuscitava como mártir de uma nova revolução. Com o tempo, o próprio ano de 68 se converteria em marco e mito, eleito como o último instante em que tudo parecia possível.
À luz da nostalgia desses dias, o rosto que os simbolizou foi reproduzido à exaustão em camisetas e pôsteres, ao lado dos de Marilyn Monroe, Janis Joplin e Jimi Hendrix.
Aos poucos, o ícone foi encobrindo o homem, relegando sua vida a um segundo plano nebuloso.
Afinal, o que fez Che Guevara ocupar lugar de destaque junto a ídolos do rock e do cinema? Jorge Castañeda nos convida a buscar a resposta nesta minuciosa biografia repleta de revelações supreendentes sobre uma existência especialmente atribulada."

De Moto Pela América do Sul: Diário de Viagem

Diário escrito por Che Guevara, então com 23 anos, quando fez uma viagem de moto com seu amigo Alberto Granado pela América Latina. O relato, feito em 1952, mostra o espanto de Che ao conhecer o mar, sua indignação frente à situação miserável dos índios e uma gama de impressões que foram importantes para definir suas crenças políticas.

Este Diário de Viagem, de Che Guevara, é o registro da mesma aventura que ensejou o filme de Walter Salles Diários de motocicleta. Trata-se do diário em que o revolucionário latino americano registrou sua aventura pela América do Sul, em 1952, da Argentina à Venezuela, com o amigo Alberto Granado sobre sua motocicleta Norton 500, La Poderosa, assim por ele chamada.

O Diário de Viagem de Che Guevara interessa por apresentar ao leitor um pouco das impressões desse revolucionário que sonhou a América Latina como uma só unidade. Quanto desse seu sonho já não está presente nessas páginas de sua mais tenra juventude?

Não está em questão aqui os acertos e erros do homem, mas as expectativas que, quando jovem, ele nutriu em relação a um continente em grande parte florestal, mas já com uma história sofrida e com marcas de profundas contradições econômicas e sociais – nas quais pontua inequivocamente a injustiça e quase sempre a lei do mais forte.

“A pessoa que tomou estas notas morreu no dia em que pisou novamente o solo argentino. A pessoa que está agora reorganizando e polindo estas mesmas notas, eu, não sou mais eu, pelos menos não sou o mesmo que era antes. Esse vagar sem rumo pelos caminhos de nossa Maiúscula América me transformou mais do que me dei conta. (…) Agora, eu o deixo em companhia de mim, do homem que eu era…”

O Ministro Che Guevara - Tirso W. Saenz

O médico argentino Ernesto Che Guevara (1928-1967) foi um dos principais líderes da guerrilha e do processo revolucionário que derrubou o regime de Fulgencio Batista em Cuba, em 1959. Teve também papel importante na constituição do Governo revolucionário e na reorganização da economia e da sociedade cubanas. Entre outros cargos, foi, entre 1961 e 1965, Ministro da Indústria.
Che Guevara, o líder guerrilheiro, transformou-se num símbolo da luta pela liberdade, num herói cuja vida e obra, não raro romanceadas, têm inspirado biografias, ensaios, poemas e roteiros cinematográficos. Já o Ministro Che Guevara, sua luta e suas realizações no sentido de dotar Cuba de uma infra-estrutura produtiva, embora importantes, são pouco ou quase nada conhecidas.
Tirso Sáenz resgata neste livro, de forma inédita, o pensamento, as ações e o cotidiano do Ministro Che Guevara, de quem foi colaborador e companheiro nos primeiros anos do Governo revolucionário. Trata-se de um depoimento com revelações inéditas sobre uma das figuras mais marcantes do século XX e de um documento fundamental sobre a ciência, a técnica e a tecnologia, a sociedade e as intrincadas relações entre política, economia e cultura, sobretudo nos países “periféricos”. História a e memória sob a perspectiva de quem fez e viveu a revolução cubana.
Os desafios enfrentados por Che, Tirso e por todos os homens e mulheres que se dedicaram a construir a Cuba revolucionária persistem ainda hoje. Se a luta guerrilheira é história, a luta travada pelos revolucionários cubanos para encontrar parâmetros que equacionem desenvolvimento econômico, social e humano e cultura, local e global, nação e mundo é atual e urgente.
Che Guevara, não apenas como o líder guerrilheiro, rebelde e romântico que povoa a imaginação contemporânea, mas como projetista e construtor de uma nova sociedade, continua a ser um exemplo. Por isto, este livro de Tirso Sáez é mais que um livro de história. É um livro para o presente e para o futuro. Um livro para todos aqueles que, como Che, lutam para construir um mundo melhor.
Passagens da Guerra Revolucionária: Congo

"Essa é a história de um fracasso" : Assim começa o diário do Che sobre a expedição ao Congo em 1965, a 1ª missão internacionalista de Cuba, que se preparava para a sonhada redenção das Américas. À frente de um batalhão de revolucionários cubanos, o Che chega ao Congo depois do assassinato do presidente Lumumba para ajudar Kabila e outros dirigentes do movimento de libertação africano, que lutavam contra Mobutu, ditador imposto pelas potências coloniais;

Inédito por mais de trinta anos, o relato detalhado das desventuras de Guevara na África também apresenta as reflexões do guerrilheiro sobre as causas da derrota no Congo. Muitos acreditam que o livro foi "escondido" pela viúva de Che, Aleida March e por Fidel Castro, para que não fossem revelados a frustração e o desânimo que tomavam conta de Guevara.
No entanto, biógrafos do guerrilheiro conseguiram obter cópias da primeira versão do texto e publicaram seus trechos mais importantes, é a versão final do texto, com correções feitas pelo próprio Che. Levado da Tanzânia por Aleida em 1966, o livro é o relato de uma aventura condenada desde o princípio. Seu realismo permite compreender o que sentiu o Che nos momentos mais difíceis que passou na África e as razões que o levaram às selvas da Bolívia, onde viveu a última aventura de sua vida.

Também foram incluídos no livro diversos documentos de interesse para os estudiosos da Revolução Cubana, uma introdução escrita por Aleida Guevara March — filha de Guevara — e uma carta escrita para ele por Fidel em 1966, após a derrota no Congo, na qual Castro tenta convencê-lo a voltar a Cuba antes de viajar para a Bolívia.

"Durante 30 anos, Fidel Castro impediu que o livro fosse divulgado. Só quando apareceram cópias clandestinas, o ditador cubano tomou a iniciativa de publicá-lo oficialmente." — Mário Sérgio Conti (Folha de S. Paulo)
Socialismo e Juventude: Textos e Fotos, Che Guevara, Editora Anita Garibaldi, 124 páginas

Nós socialistas, somos mais livres, porque somos mais plenos; somos mais plenos por sermos mais livres. O esqueleto de nossa liberdade completa está formado, falta a substância proteica e a roupagem; nós as criaremos.
Nossa liberdade e sua sustentação contidiana têm a cor do sangue e estão repletas de sacrifício. Nosso sacrifício é consciente; uma cota para pagar pela liberdade que construímos.
O caminho é longo e em parte desconhecido; conhecemos nossas limitações. Faremos o homem do século XXI; nós mesmos.
Nós nos forjaremos na ação cotidiana, criando um homem novo com uma nova técnica.

Há ainda outros livros importantes para se conhecer a vida e obra do mito nascido em Rosário. O principal deles talvez seja, por motivos óbvios, "O Diário de Che na Bolívia", da Record.
Também sobre a guerrilha que resultou em sua morte, aos 39 anos, há "Che Guevara e a luta revolucionária na Bolívia" (Xamã Editora), do historiador carioca Luiz Bernardo Pericás, que ainda escreveu "Che Guevara e o debate econômico em Cuba" (Xamã) e "Um andarilho das Américas" (Editora Elevação).
Sobre o Che estrategista, fundamental para a derrubada do regime de Fulgêncio Batista, especialmente depois da tomada de Santa Clara, há "Comandante Che" (Globo), de Paul Jaime Dosal.
Nossa Luta Em Sierra Maestra - Ernesto Che Guevara

O Socialismo Humanista, Che Guevara, Editora Vozes, 105 páginas

Outra Vez, Che Guevara, Editora, Ediouro, 236 páginas

Política Che Guevara, Eder Sader, Editora Expressão Popular, 301 páginas

Sem Perder a Ternura – Che Guevara, Editora Record, 126 páginas

Cartas a Che Guevara – Emir Sader, Editora Paz e Terra S/A, 88 páginas

Che Guevara e o Debate Econômico em Cuba, Luiz Bernardo Pericas, Editora Xamã, 240 páginas

Quem Matou Che Guevara, Saulo Gomes, Editora Elevação, 224 páginas

O Jovem Che Guevara, Roniwal T. Jatoba, Editora Nova Alexandria, 160 páginas

Che Guevara: por Ele Mesmo

Che Guevara que Conheci e Retratei, O - Flavio Tavares

Che Guevara - Martin Claret
Encontros Imediatos com Che Guevara - Ben Fountain