segunda-feira, 6 de julho de 2009

Михаил Сергéевич Горбачёв


Союз Советских Социалистических Республик - União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, de proporções continentais, que cobria praticamente um sexto das terras emersas do planeta, fundado em 30 de dezembro de 1922 pela reunião dos países que formavam o antigo Império Russo, na Europa e na Ásia, dissolveu-se oficialmente em 26 de dezembro de 1991.

No inicio dos anos 80, a economia soviética, inteiramente controlada pelo Estado, encontrava-se a beira do colapso. O parque industrial, em sua maior parte, estava obsoleto. Os niveis de produção caiam a cada ano e a qualidade de vida tornava-se insatisfatória para a maioria da população. Oficialmente não havia desemprego na União Soviética. O governo não divulgava informações sobre a verdadeira situação do Estado. Na verdade, em algumas regiões, como no Caucaso, mais de um terço da população economicamente ativa estava sem trabalho.

A crise chegou a alguns bairros de Moscou. Os moradores enfrentavam a falta de alimentos, produtos basicos e a precariedade de serviços, como o fornecimento de luz, agua e telefone. A população formava grandes filas para comprar pão, leite e outros produtos essenciais.

Essa realidade contrastava com o dia-a-dia de um reduzido grupo de cidadãos com acesso a todo tipo de privilégios. A opulência dos altos funcionários do Partido Comunista, uma das mais notórias distorções dos ideais marxistas, ficava ainda mais visivel num momento de crise econômica. Os funcionários da burocracia estatal, moradores de amplos apartamentos, faziam suas compras em lojas especiais, longe das filas. Possuiam carros novos ou andavam em limusines, viajavam sempre ao exterior e se refugiavam em confortaveis casas de campo, as famosas datchas. Os cidadaos comuns, de modo quase oposto, moravam em pequenos apartamentos, muitas vezes com outras familias, viajavam para as colonias de férias determinadas pelo governo, e aguardavam alguns anos na lista de espera para adquirir um carro popular.
De um modo geral, um quadro como esse, de desequilibrio economico e injustiça social, costuma estimular o surgimento de grupos de oposição. Mas, na União Soviética, as tentativas de oposição organizada eram logo reprimidas com rigor pela KGB, a temida policia politica que não media esforços para eliminar os focos de resistência ao regime.

De 1964 a 1982, mais do que nunca, a KGB foi utilizada para preservar os privilégios dos burocratas de alto escalão do PCUS. Durante esse período o homem forte da União Soviética era Leonid Brejnev, que chegou ao poder em outubro de 64, em substituição a Nikita Khruschev.

Na época da morte de Brejnev, em 1982, o único setor em boas condições, alem da burocracia do Partido Comunista, era o militar. A industria bélica e espacial manteve a produção de misseis e foguetes de alto nivel de sofisticação, apesar do elevado custo social.

O novo secretário-geral do Partido Comunista era Yuri Andropov, uma figura enigmatica que assumiu o poder com fama de linha dura, por ter sido chefe da KGB durante 15 anos. Andropov ficou no poder até a morte, em fevereiro de 1984.
O sucessor de Andropov, Konstantin Tchernenko, assumiu o poder já em condiçoes precarias de saude. Governou por 11 meses, ate morrer em março de 1985. Hoje, sabe-se que sua indicaçao pelo partido foi um modo de adiar por algum tempo a questao sucessoria, ate que os dois grupos em disputa chegassem a um acordo.

Mikhail Sergueievitch Gorbatchev assumiu a secretaria-geral do Partido Comunista em março de 85, aos 54 anos. Sua ascensçao ao cargo foi resultado de uma trajetoria rapida e brilhante dentro da estrutura do partido. Membro desde 1980 do Politburo, a instancia maxima do Comite Central do PCUS, Gorbatchev demonstrava uma habilidade diplomatica incomum, e quando assumiu o poder ja era uma figura conhecida nos meios politicos ocidentais.

Em agosto de 85, Gorbatchev surpreendeu o mundo ao suspender os testes nucleares subterraneos, declarando uma moratoria nuclear unilateral. A medida, no entanto, soou como mais uma peça de propaganda sovietica. O lider reservava mais surpresas para o 27.º Congresso do Partido Comunista, em fevereiro de 86, quando expos um audacioso programa de reformas politicas e economicas. No plano politico, Gorbatchev queria enterrar a corrida armamentista e estabelecer um projeto de colaboraça entre as naçoes. No plano economico, a meta era revitalizar todos os setores de produção, estagnados desde a epoca de Leonid Brejnev.

Em pouco tempo, Gorbatchev deu ao mundo provas de que falava sério ao propor reformas substanciais no Estado sovietico. Essa disposiçao começou a inquietar setores do Partido Comunista. No final de 87, o governante lidava com duas alas antagonicas dentro de seu partido. Nao demorou para que essas divergencias fossem de conhecimento publico.

Перестройка ( Perestroika) - reconstrução - sistema socialista, apesar de não precisar de ser substituído, certamente necessitava de uma reforma,era reduzir a quantidade de dinheiro gasta em defesa e, para fazer isso,deveria: desocupar o Afeganistão, negociar com os Estados Unidos da América a redução de armamento (os acordos de Yalta) e não interferir em outros países comunistas (A Doutrina Sinatra).
A Perestroika é largamente avaliada como tendo falhado em seu objetivo principal de reestruturar a economia soviética. As razões para o seu fracasso foram o insucesso na promoção e criação de entidades económicas privadas e semi-privadas e a indisposição de Gorbachev em relação a uma reforma na agricultura soviética.Outra possível razão seria a má-vontade dos altos oficiais do Partido Comunista da União Soviética (a linha dura) e da facção liberal apoiada pelos EUA e que tinha como principal líder Boris Yeltsin
em aceitar as medidas da Perestroika. Enquanto os primeiros não queriam mudanças, os últimos queriam que elas acontecessem mais rapidamente. Isso gerou forte oposição ao projeto da Perestroika, não só falhou no propósito de trazer benefícios econômicos imediatos para a maioria das pessoas, mas o desmantelar da economia planejada criou o caos econômico, o que constituiu um fator importante para o colapso da União Soviética..

гласность (Glasnost) - transparência- a meta principal desta política foi fazer o governo do país transparente e aberto para discutir, deu novas liberdades à população ,também um maior grau da liberdade dentro dos meios de comunicação, que contribuiu em grande parte para a intensificação de um clima de instabilidade causado por agitações nacionalistas, conflitos étnicos e regionais e insatisfação econômica, sendo um dos fatores causadores da ruína da URSS.

O ano de 1988 foi decisivo para a implantação da glasnost e da perestroika.
Gorbatchev autorizou a Igreja Ortodoxa Russa a celebrar seu milésimo aniversário em todo o país. A medida contribuiu para criar um clima inédito de festa e de liberdade espiritual.

Além disso, em maio de 88, o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, visitou Moscou numa atmosfera de descontração política que prenunciava importantes acordos sobre desarmamento.

As mudanças chegaram aos costumes, que tornaram-se mais liberais. Em junho, o primeiro concurso de Miss Moscou mostrava que a preocupação com a beleza frívola já não era mais considerada um sinal de decadência burguesa ou um desvio do socialismo. O cinema soviético logo refletiu a liberalização dos costumes.

Gorbatchev anunciou sua determinação de permitir o pluralismo político no país, respeitando as particularidades do regime socialista. A partir dessa data, os membros do partido precisariam disputar para valer, através do voto, os cargos eletivos do Estado e as vagas do Soviete Supremo, o órgão máximo de poder do país.

Na mesma conferência, Gorbatchev condenou abertamente, pela primeira vez, a natureza do socialismo soviético, classificada por ele de arbitrária. Defendeu a criação de um sistema de garantias dos direitos dos cidadãos, o estado de direito. Com essa postura, o dirigente entrou em confronto direto com Igor Ligatchov, o líder dos burocratas do partido.

Os ventos da mudança começavam a soprar mais rapidamente sobre Moscou. A primeira decisão importante depois da conferência do Partido Comunista foi tomada em agosto de 88: as tropas do exército soviético começaram a deixar o Afeganistão depois de nove anos de ocupação e guerra.

Outro fato significativo foi o surgimento das Frentes Populares nas repúblicas que formavam a União Soviética. Eram organizações não partidárias, mas com uma plataforma política definida, que reuniam milhares de membros do Partido Comunista, especialmente os mais jovens. De um modo geral, essas frentes lutavam pelo fim da opressão exercida durante décadas pelo poder central.

Faziam denúncias dos crimes da era stalinista e lutavam contra o descaso do governo em relação às questões ambientais. Nas repúblicas de maioria islâmica, as frentes populares impulsionavam movimentos religiosos, como no Tadjiquistão. Muitas dessas frentes, desde o início de suas atividades, enfatizavam a necessidade da proclamação da independência em relação à União Soviética.

Todos os setores da sociedade foram sacudidos pelas reformas de Gorbatchev. As pressões políticas e econômicas sobre Moscou vinham de todos os lados. Nas repúblicas, movimentos nacionalistas queriam a independência. Na economia, a população temia a instabilidade, a inflação e os abusos do mercado negro. Na política, o Partido Comunista estava cada vez mais dividido, enquanto as frentes populares cresciam.

Em março de 1989, as eleições para o Congresso dos Deputados do Povo, liquidaram o monopólio do poder exercido pelo Partido Comunista. Inúmeros candidatos reformistas conseguiram se eleger, ampliando a base de apoio de Gorbatchev.

Nessa época, Mikhail Gorbatchev era identificado, no Oriente e no Ocidente, como um estadista empenhado no fim da corrida armamentista, que levaria o mundo a uma nova era de paz. Em maio de 89, a visita de Gorbatchev a Pequim acendeu o estopim do movimento dos jovens pela democratização da China, que resultaria no massacre da Praça da Paz Celestial, no começo de junho.

Em outubro do mesmo ano, na Alemanha Oriental, o dirigente advertiu o líder comunista Erich Honecker de que a União Soviética não toleraria uma repressão violenta ao movimento pela democracia, cada vez mais forte naquele país. A visita de Gorbatchev à capital do país fez deslanchar o movimento popular que resultaria, no mês seguinte, na queda do Muro de Berlim.

A queda do muro representou o fim do sociAlismo no mais rico, próspero e politicamente fechado país da Europa Oriental.

Em pouco tempo, o processo se alastrou por todos os países do bloco socialista.

Os episódios mais violentos foram vividos na Romênia, em dezembro de 89. A luta popular pelo fim da ditadura custou a vida de pelo menos 10 mil pessoas, que tombaram diante das forças da Securitate, a polícia política do ditador Nicolai Ceaucescu. O processo terminou quando o Exército, que se voltou contra o governo, prendeu e realizou o julgamento sumário e a execução de Ceaucescu e de sua mulher Helena, no Natal de 89.

Na prática, com esses acontecimentos deixava de existir o Pacto de Varsóvia, um acordo de cooperação econômica e militar entre os países do bloco socialista criado em 1955 e formalmente extinto em julho de 91.

No entanto, o tratado dos países ocidentais, a OTAN, seguia firme e forte. Foi nesse contexto que Gorbatchev reuniu-se pela primeira vez com o presidente norte-americano George Bush na ilha de Malta, no finalzinho de 89.

Para muitos historiadores, esse encontro representa o início do que se convencionou chamar de Nova Ordem Mundial, uma fase da história contemporânea marcada pela existência de uma única superpotência. O bloco socialista estava em ruínas e o Ocidente dava as cartas. Na volta a Moscou, o líder da perestroika ainda precisou enfrentar novos obstáculos, na difícil condução da União Soviética à normalidade institucional.

No início de 1990, Gorbatchev organizou o 28° Congresso do Partido Comunista, que viria a ser o último da história soviética. O encontro tornou-se especialmente importante por duas razões. Bóris Ieltsin, recém-eleito presidente da Rússia pelo Congresso do Povo, rompeu definitivamente com o comunismo.

Além disso, o Partido Comunista aprofundou suas divergências internas, determinando o fim da política conciliatória de Gorbatchev.
Num esforço final, o líder preparou o Tratado da União, para ser assinado por todas as repúblicas soviéticas em 21 de agosto de 1991. O golpe de Estado do dia 19, no entanto, frustrou as negociações.

As pessoas que deram o golpe não toleravam a possibilidade de que a Rússia deixasse de ser o grande império, a grande mãe Rússia

Os golpistas permaneceram menos de 72 horas no poder. O presidente da Rússia, Bóris Ieltsin, que havia sido reconduzido ao cargo em maio de 1991 pelo voto direto, liderou a resistência ao golpe.

Gorbatchev ainda tentou manter a estratégia do Tratado da União, mas era tarde demais. Em poucos dias, as repúblicas do Báltico conquistaram a independência. Nos meses seguintes, todas as repúblicas soviéticas seguiram o mesmo caminho.

No dia 8 de dezembro de 91, Bóris Ieltsin proclamou a independência da Rússia e a formação da Comunidade dos Estados Independentes, as demais repúblicas foram ratificando a decisão, com exceção das bálticas - Letônia, Estônia e Lituânia.

Na prática, a União Soviética não existia mais.

Mikhail Gorbatchev renunciou no dia 25 de dezembro de 1991, por não concordar com a forma como se concretizou o fim da União Soviética. De qualquer modo, em 6 anos e nove meses o líder da perestroika esteve à frente de acontecimentos que conduziram o planeta a uma nova ordem mundial, às vésperas do século XXI.

Com o fim do militarismo exacerbado e da política de amedrontamento da Guerra Fria, o jogo geopolítico deixou de estar diretamente relacionado ao poderio nuclear deste ou daquele país. O fator econômico passou para o primeiro plano, desencadeando a formação de blocos supranacionais que disputam interesses num cenário cada vez mais competitivo.

As mudanças que resultaram no fim da União Soviética e do bloco socialista aconteceram com uma rapidez vertiginosa. Ao mesmo tempo em que o mundo se reorganiza sem a polarização da Guerra Fria, os países que abandonaram o socialismo estão construindo seus próprios modelos políticos e de relacionamento com as demais nações do planeta.

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