sexta-feira, 17 de julho de 2009

Guerra da Bósnia


Alvo de disputas de longa data, a Região dos Bálcãs sofre ainda hoje com os conflitos e guerras que se originam na diversidade étnica, cultural e religiosa daquela região. No ano de 1929, a criação do Estado Iugoslavo colocou esse conjunto de nações unidas sobre a égide do governo repressor de Alexandre I.

Com a intervenção do expansionismo nazista, durante a Segunda Guerra Mundial, os croatas conseguiram criar um estado independente naquela região. Com o declínio do regime nazista e o processo de polarização política observado no pós-Segunda Guerra, os comunistas e monarquistas entraram em choque.


Desse conflito, temos a realização do processo de reorganização da Iugoslávia. Sob a liderança do general Broz Tito, esse novo Estado conduziu um governo personalista onde práticas ditatoriais e ações de natureza aparentemente socialista fizeram seu governo perdurar até o início dos anos 80. Com sua morte, vários movimentos nacionalistas exigiram a construção de diversas repúblicas independentes na região balcânica.


Em 1987 a guerra voltou e a ONU mostrou muita indecisão. Estruturada na divisão capitalismo x comunismo, não se adaptou a um conflito que envolve parâmetros não ideológicos, mas culturais e religiosos.
Na Europa pós-Guerra Fria potências antes aliadas estão agora em campos diferentes e estrategistas temem que a divisão do poder mundial não se dê mais no âmbito da ideologia, mas no das diferenças culturais. Esta guerra apontou para isso de forma preocupante.

Há na ex-Iugoslávia três grupos oponentes:
  • os sérvios, católicos ortodoxos,
  • os croatas e eslovenos, católicos romanos,
  • e os bósnios, muçulmanos.


A razão do conflito está na tentativa de cada um em criar seu próprio estado independente e etnicamente homogêneo. Para isso, tentam a força estabelecer seu território e, na medida do possível, expulsar ou até eliminar as minorias de outras religiões que ali se encontram através da chamada “limpeza étnica”. Em 1989, o presidente sérvio Slobodan Milosevic passou a defender a reintegração política dos territórios da Eslovênia e da Croácia à Iugoslávia. Além disso, o dirigente sérvio desejava anular o processo de independência que fez, desde 1960, o Kosovo uma região independente.
No fim da década de 1990, a queda do regime socialista potencializou ainda mais os movimentos favoráveis ao separatismo. A independência da Croácia e da Eslovênia, em 1991, foi logo retaliada por tropas sérvias.
Em abril de 1992, o governo sérvio criou a República Federal da Iugoslávia, formada pela Sérvia, Montenegro e a porção muçulmana do Kosovo.

Sua violência é tão grande que os bósnios pedem a intervenção da ONU, a repressão iugoslava contra os separatistas sagrou um período de extrema violência e perseguição étnico-religiosa contra bósnios muçulman os e croatas. Face às evidências de massacres promovidos pelos sérvios, esta decreta um embargo econômico à Sérvia e Montenegro e já em maio de 1993 se compromete em proteger seis cidades bósnias sitiadas, denominadas “zonas de segurança”, entre elas Sarajevo.

Suas populações muçulmanas aceitam entregar suas armas à ONU acreditando na proteção dos “capacetes azuis”.

Quanto aos croatas, antes aliados dos Bósnios contra a Sérvia, passaram a observar com interesse a possibilidade de, no caso de uma vitória Sérvia, dividir com ela a Bósnia-Herzegovina (retomaram até a República Sérvia da Krajina, sem resistência dos sérvios, num aparente acordo para uma futura divisão da Bósnia).
No ano subseqüente, um grupo de origem albanesa passou a controlar parte do território kosovar buscando desanexá-lo do domínio iugoslavo.
Entretanto a ONU não ofereceu a segurança prometida às seis cidades.
Em meio a essas constantes lutas, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) resolveu impor uma forte ofensiva militar contra os sérvios para que, dessa forma, encerrasse o estado de guerra na região.


A guerra da Bósnia não interessava aos EUA, que não tinham na região o menor interesse. Quanto tinham, com a Guerra do Golfo, mesmo tendo a Turquia e a Grécia como parceiros na região, a Turquia, muçulmana, apóiava os Bósnios, e a Grécia, ortodoxa, os Sérvios.
Mas isso não impediu os EUA de, com a Alemanha, armar discretamente a Croácia. Não se esquecem que se com a ajuda internacional a Bósnia-Herzegovina se firmar, a Croácia será a última fronteira católica da Europa frente aos muçulmanos.


De seu lado a Rússia apóia historicamente a Sérvia, enquanto a Inglaterra manteve seu alinhamento com os EUA, a França mudou de postura com a eleição de Chirac que, ao contrário de Mitterrand, não simpatizava com os sérvios e foi um dos responsáveis pela retomada de força da ONU.
Após tantos acordos rompidos, os muçulmanos confiarão numa ONU que se mostrou completamente perdida face aos novos parâmetros impostos pelo fim da Guerra-Fria. Pois sabem que se obtiverem armas, serão capazes de retomar rapidamente os territórios que perderam. E muitos países árabes estavam se alinhando para isso.

No ano de 2001, Milosevic foi preso acusado de má administração dos recursos públicos e prática de crimes de guerra. Julgado e condenado pelo Tribunal Internacional de Haia, Milosevic faleceu na cadeia, em março de 2006. Em 2003, a Iugoslávia se transformou em Sérvia e Montenegro. Três anos depois, no plebiscito de maio de 2006, a população montenegrina decidiu tornar-se independente da Sérvia. Ainda hoje, o Kosovo é uma região de disputas políticas. Algumas nações, como a Rússia e a atual Sérvia, alegam que a independência kosovar se mostra uma grande ameaça à preservação territorial russa ou serviria de incentivo a outros focos de tensão separatista da Europa.

O perigo foi a Bósnia se tornar, a exemplo do que ocorreu na Espanha às vésperas da Segunda Guerra, um ensaio geral de um próximo conflito mundial.Foi o mais longo e violento conflito na Europa depois da 2ª guerra mundial e deixou um saldo de 200 mil mortos e um rastro de destruição.
Os povos da Sérvia adotaram o cristianismo na segunda metade do século IX (870), por intermédio de missionários enviados pelo Patriarcado Ecumênico, sendo a sede de seu bispado a cidade de Rask.

Passado Histórico


Os Papas conseguiram subjugar a Sérvia nos meados do século XI, porém na era do Rei Estêvão Niman (1159 - 1195), acabou-se a soberania de Roma sobre a Sérvia, ficando esta, entre o fluxo e refluxo políticos.

Em 1219 houve um levante na Igreja da Sérvia declarando-se o Arcebispado independente, na cidade de Ibik, e em 1346, o Santo Sínodo da Sérvia elevou o Arcebispado à categoria de Patriarcado, sem o consentimento do Patriarcado de Constantinopla, o que provocou uma dissidência entre as duas Igrejas, da Sérvia e de Constantinopla, que só veio a terminar quando as Dioceses, motivo da discórdia, voltaram para a Igreja do Patriarcado de Constantinopla.

Em 1766, o governo da Turquia aboliu o Patriarcado de Ibik, mandando submeter todas as Dioceses da Sérvia ao Patriarcado de Constantinopla, na era de seu Patriarca Samuel I.

Em 1831, a Igreja da Sérvia conseguiu a sua autonomia, sob o patrocínio do Patriarca Ecumênico e o Arcebispado de Belgrado e o Metropolita Sérvio e em 1879, declarou-se a sua independência integral na era do Patriarca Ecumênico Joaquim III.

Nossa Senhora de Medjugorje


As aparições de Nossa Senhora de Medjugorje estão na mira do Vaticano. A Igreja desconfia da veracidade dos relatos dos seis videntes.

O maior fenômeno de devoção católica surgido nos últimos trinta anos teve início em junho de 1981, quando os adolescentes Vicka, Ivan, Ivanka, Mirjana, Jakov e Marija afirmaram ter visto Nossa Senhora no céu de Medjugorje, vilarejo no sul da Bósnia-Herzegovina.

Tamanha devoção, no entanto, sofreu recentemente um golpe duro; e aplicado pela própria Igreja. O papa Bento XVI ordenou, no início do ano, o confinamento do padre franciscano Tomislav Vlasic, o líder espiritual dos videntes, em um monastério da Ligúria, na Itália. O religioso é apontado como "manipulador de consciências", "herege" e acusado de "doutrina dúbia e imoralidade sexual", entre outros crimes previstos pelo código canônico.

Depois de se tornar padre, ele engravidou uma freira chamada Rufina. Para evitar o escândalo, convenceu-a a partir para a Alemanha, sob o argumento de que, tão logo abandonasse o hábito, ele se juntaria a ela.à freira grávida para "seguir o exemplo de Nossa Senhora e aceitar seu destino em terras estrangeiras, comportando-se com discrição".
Orador hábil, pertencente à Renovação Carismática, movimento católico caracterizado por grupos de oração animados, missas coreografadas e cenas de transe místico,Vlasic transformou-se em conselheiro espiritual dos seis jovens videntes,foi a partir dessa aproximação que as visões adquiriram teatralidade.ele criou a comunidade Rainha da Paz, Completamente Vosso. Sob sua liderança, integrantes do grupo passaram a relatar visões. Não só da Virgem, como de Jesus e até de extraterrestres.
Para além do comportamento suspeito de Vlasic, há outro motivo para a desconfiança da Igreja em relação ao fenômeno de Medjugorje. As aparições tiveram início um ano depois da morte de Josip Broz Tito, o ditador comunista que mantinha com mão-de-ferro a unidade da então Iugoslávia. Seu desaparecimento alimentou ainda mais as ambições de independência das repúblicas que compunham o país, entre elas a Bósnia. O que Nossa Senhora tem a ver com as confusões nos Bálcãs? Talvez não fosse essa a intenção da santa, mas o fato é que as visões no começo da década de 80 foram oportuníssimas do ponto de vista político: serviram para fortalecer os franciscanos locais, naquele momento fonte de apoio de grupos nacionalistas croatas de extrema direita que desejavam ampliar sua influência na Bósnia. Ou seja, num primeiro instante, as aparições levaram a que todo o esforço do Vaticano para enfraquecer os franciscanos na região fosse por água abaixo. "A notícia das aparições ajudou os integrantes da ordem a ganhar prestígio junto à população. Isso tornou tudo mais delicado para a Igreja",

Como se não bastassem as estripulias do padre Vlasic e a oportunidade política das visões, Nossa Senhora de Medjugorje contraria a tradição que cerca a Virgem – o que redobra a desconfiança da Igreja em relação ao fenômeno. Em primeiro lugar, a Nossa Senhora de Medjugorje aparece (e fala) demais. A levar a sério os relatos dos seis videntes, ela já teria dado o ar de sua graça mais de 40 000 vezes nos últimos 27 anos – e em vários lugares, não só no vilarejo bósnio.
Hoje, Vicka, Ivan, Ivanka, Mirjana, Jakov e Marija estão na faixa dos 40 anos. Quatro deles permaneceram na Bósnia. Marija vive em Monza, na Itália, e Ivan, em Boston, nos Estados Unidos. Todos se casaram tiveram filhos e engordam a renda familiar com palestras sobre a Nossa Senhora de Medjugorje. Como algumas visões acontecem com hora marcada, é possível promover espetáculos em torno delas – que rendem a videntes e organizadores um bom dinheiro. Em 1997, durante uma visão na Califórnia, Ivan conseguiu arrecadar 70 000 dólares sob a forma de doações voluntárias.
Nenhum católico é obrigado a acreditar em aparições de santos.

Mariano ardoroso o papa João Paulo II esteve na Bósnia por duas vezes e jamais colocou os pés em Medjugorje. "Foi o único grande local de peregrinação católica que não recebeu a visita dele"

Se um papa místico como João Paulo II não cedeu à popularidade da Virgem dos Bálcãs, só um milagre, e dos grandes, possibilitará que um papa cerebral como Bento XVI venha a reconhecer a sua legitimidade.

"É extremamente remota a probabilidade de o veredicto ser favorável às aparições em Medjugorje"


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