quinta-feira, 2 de julho de 2009



جمهوری اسلامی ایران

Jomhuri-ye Eslami-ye Iran, República Islâmica do Iran é um país asiático do Médio Oriente que limita a norte com a Arménia, o Azerbaijão, o Turquemenistão e o Mar Cáspio, a leste com o Afeganistão e o Paquistão, a oeste com o Iraque e a Turquia, a sul com o Golfo de Omã e com o Golfo Pérsico.
A sua capital é Teerão, a sua língua oficial é o persa e a sua moeda é o rial.

Conhecido no Ocidente até 1935 como Pérsia, passou desde então a ser conhecido como Iran , palavra que significa literalmente "terra dos arianos" (no sentido étnico do termo e não no seu sentido religioso, ligado ao arianismo).
Em 1979, com a Revolução Islâmica promovida pelo Ayatollah Ruhollah Khomeini, o país adoptou a sua actual designação oficial de República Islâmica do Iran. Os seus nacionais se chamam iranianos, embora o termo persas seja ainda utilizado.
Durante a história, o território do país tem tido grande importância geográfica, visto a sua posição entre o Oriente Médio, Cáucaso, Ásia Central e o Golfo Pérsico, além da proximidade entre o Leste Europeu e o subcontinente Indiano.

Anteriormente a 1979 o imperialismo via o Iran como uma barreira crucial contra os avanços soviéticos no Oriente Médio e no Sul da Ásia. Suas reservas fabulosas de petróleo eram vitais para o interesse ocidental.

Em 1953 um movimento nacionalista radical liderado pelo primeiro ministro Mosadeq da Frente Nacional tentou nacionalizar as indústrias petrolíferas do país, iniciando manifestações em diversos locais, com características de levantes populares.

O Xá foi forçado a se exilar por causa do movimento das massas nas ruas.

A reação do imperialismo foi decisiva. Os britânicos e os americanos pediram a prisão de Mosadeq e mandaram forças clandestinas oara criar confusão e forçar o exército iraniano a lidar com os riscos aos seus rendimentos.

O Xá foi reinstalado e governou o Iran com uma mão-de-ferro por 25 anos.

Em seu retorno, todas as organizações políticas de oposição e os sindicatos foram declarados ilegais.

As forças de segurança foram reorganizadas com a ajuda da CIA.

Após 1953, o Iran embarcou num período de industrialização frenético, esvaziando o programa econômico da capitalista Frente Nacional e, portanto, distruindo sua popularidade. A idéia era transformar a nobreza em uma classe capitalista moderna, uma classe governante no modelo ocidental.

A reforma agrária foi introduzida enriquecendo os feudais donos de terra. Eles receberam enormes compensações, com as quais eles eram encorajados a investir em novas indústrias.
Os principais atingidos foram os caponeses pobres. Mais de 1,2 milhão tiveram suas terras roubadas, levando à fome e a um inexorável exôdo para as cidades onde eles ofereciam trabalho barato para os novos capitalistas.

Antes da revolução, 66% dos trabalhadores da indústria do tapete na cidade de Mashad tinham idade entre seis e dez anos, enquanto que em Hamadam o dia de trabalho era estafantes 18 horas. Em 1977, muitos trabalhadores ganhavam 40 libras ao ano. Apesar de um piso mínimo tinha sido garantido pelo regime, 73% dos trabalhadores ganhavam menos que isso.
Com a migração dos camponeses para a cidade, a população urbana dobrou e atingir 50% do total. Teerã passou de 3 milhões para 5 milhões entre 1968 e 1977, brotando 40 favelas nas periferias da cidade.

Quando o preço do petróleo quadruplicou entre 1972-1975 como resultado da guerra Arabe-israelense, o PNB iraniano cresceu 34% em apenas um ano. Vários bilhões possibilitaram ao Xá possíveis investimentos.
Mas com 45 famílias possuindo 85% das médias e grandes firmas e os 10% mais ricos consumindo 40% do dinheiro, o hiato entre as classes crescia dia-à-dia.

Manifestações ilegais das massas envolveram o Irã entre outubro de 1977 e fevereiro de 1978. Demandando direitos democráticos e a partilha da riqueza do país, os estudantes, e posteriormente a classe trabalhadora, desafiaram os tiros na rua. Seguindo o alvejamento de centenas na cidade sagrada de Qom em Janeiro de 1978, uma greve geral de dois milhões em Teerã propagada para Isfaha, Shiraz e a cidade santuário de Mashad.
Faixas pediam por: “Vingança contra o brutal Xá e seus amigos imperialistas americanos”, enquanto outros demandavam: “Uma república socialista baseada no Islã”.

Reforçando, os soldados começaram a fraternizar com a multidão, gritando: “Nós estamos com o povo”.

Mesmo a classe capitalista liderada pela Frente Nacional de Mehdi Bazargan, que tinha previamente limitado suas ambições em conseguir de Xá a divisão de poder, foi forçada, no desenvolvimento de uma atmosfera vermelha, a adotar um programa “semi-socialista”.

Os operários do petróleo, que se declaram em greve por tempo indeterminado, dão o golpe final à ditadura. A economia se paralisa, o exército se divide e um setor dos militares também se rebela. O Xá é obrigado a fugir do país.

Em janeiro de 1979, após um ano de grandiosas mobilizações a revolução derruba a ditadura do Xá Mohammed Reza Pahlevi.

A revolução iraniana desdobrou-se em um nível superior ao da revolução russa de 1905 com a qual possui vários paralelos. No Irã, os apelos podiam ser ouvidos em qualquer lugar e pediam que o Xá deveria ser derrubado.
A classe trabalhadora encabeçou a luta contra o Xá através de manifestações, de uma greve geral de quatro meses e finalmente de uma insurreição. A ordem antiga foi varrida para sempre. Nessa luta ela ficou consciente de seu poder, mas não consciente de como organizar o poder que agora estava em suas mãos.
As maiores forças de esquerda no Irã na época eram o Partido Comunista Tudeh, a guerrilha marxista Fedayeen Khalq e a guerrilha islâmica Mojaheddin. Apesar de desfrutarem de uma grande militância e uma forte estrutura e armamentos, eles sofriam de uma confusão programática. Eles não possuiam uma política independente para a classe trabalhadora, ao invés, procuraram se unir ao Ayatollah Ruhollah Khomeini atendendo aos interesses dos cléricos e sufocando um movimento dos trabalhadores independente.

A derrubada da autocracia revelou um vácuo político. Agora, num momento crítico no destino das massas, quando o poder real esteve em suas mãos, o Tudeh demonstrou o objetivo de estabelecer uma “República Muçulmana Democrática”.

Isso significa, na realidade, que o Tudeh renunciou o papel de liderança da revolução e, ao invés, seguiu a agenda política dos Mullahs – sacerdotes paroquiais.

As relações entre o ocidentalizado xá e a Mesquita Islâmica há muito tempo já eram tensas. Quando o xá desapropriou as terras do clero, os cléricos muçulmanos reagiram furiosamente e oraram contra o regime ateu. O líder espiritual dos xiitas iranianos, Ayatollah Khomeini, foi exilado na Turquia e posteriormente Paris, após participar de uma revolta contra expropriação de terras em 1963 quando centenas foram alvejados.

Khomeini e outros mullahs construiram uma imagem de liberdade e democracia, reivindicando um retorno ao fundamentalismo islâmico puro, livre de todas as influências ocidentais e não-islâmicas que, eles argumentavam, tinham corrompido a cultura e deixado a sociedade perdida.

Enquanto a Frente Nacional buscou compromissos com a dinastia, Khomeini chamou para sua deposição.

As massas interpretaram esse chamado para uma República Islâmica como uma república do “povo”, e não dos ricos, onde suas demandas seriam atendidas.

Diante do retorno triunfante do exílio de Khomeini em 1o de Fevereiro, o Tudeh imediatamente proferiu seu apoio total para a formação do Conselho Revolucionário Islâmico e pediu que ele se junta-se numa Frente Unida Popular.

Khomeini no entanto foi o beneficiário dessa onda revolucionária. Seu movimento, um estranho híbrido que combinou contraditórios e opostos interesses de classe, obteve o apoio das forças seculares e não-clericais pois falava a retórica do populismo radical: uma república islâmica que estaria em favor dos oprimidos contra as tiranias locais e o imperialismo americano.

Os cléricos militantes estavam em posição para “sequestrar” a revolução pos eles eram a única força na sociedade como intenções políticas definidas, organização e uma estratégia prática.

Em 1o de Abril Khomeini obteve uma vitória arrebatadora em um referendo nacional no qual as pessoas tinham uma simples escolha :

– República Islâmica: “sim” ou “não”.

No entanto, ele foi forçado a dar passos cuidadosos. Num lado, conflitos estouraram entre a Guarda Revolucionária Islâmica e trabalhadores que queriam manter as armas adquiridas resentemente.

Entretanto Khomeini denunciou aqueles que queriam manter a greve geral como “traidores que nós devemos socá-los na boca”.
O Partido Islâmico Republicano estabelecido pelos cléricos do recente Conselho Revolucionário era ligado a pequena burguesia (pequenos capitalistas) e aos comerciantes que queriam ordem e a defesa da propriedade privada.

Liderados pelo Ayatollah Khomeini, os xiitas diziam que tanto a União Soviética quanto os Estados Unidos eram regidos pelo Grande Satã. Acreditavam na Jihad, uma guerra santa para converter o mundo à fé islâmica. Khomeini instaurou no Oriente Médio um sistema político-religioso que não seguia a lógica da Guerra Fria.

Para Washington e Moscou, era importante impedir a expansão da revolução islâmica. Os Estados Unidos temiam que a difusão do radicalismo iraniano incentivasse um sentimento antiamericano no mundo muçulmano. A União Soviética, por sua vez, acreditava que o crescimento da religião poderia encorajar o separatismo nas repúblicas soviéticas, como o Cazaquistão e o Turcomenistão, com população de maioria muçulmana.

Enquanto era pressionado pela strata conservadora, Khomeini preparou um golpe contra o imperialismo ocidental, através da nacionalização de setor petrolífero.

O Estado Islâmico Iraniano é uma república capitalista de tipo especial – um Estado capitalista clerical.

O imperialismo americano assistiu impotente os últimos dias do XÁ no Irã. Apesar de vozes no Pentágono urgissem que mandassem aviadores e marinheiros para o Golfo, as cabeças mais sábias das classes governantes americanas alertaram “nunca se invade uma revolução popular”. Além disso, os EUA ainda sofriam dos ferimentos causados no Vietnã.

Uma invasão liderada pelos EUA no Irã teria repercursões em escala global incalculáveis. Especialmente no mundo colonial onde o XÁ era visto, entre todos, o mais podre sobre os olhos das massas.

A revolução iraniana fez a América tremer.

O presidente americano Jimmy Carter foi humilhado quando os Ayatollah's fomentaram movimentos de rua levando ao tumúltuo na embaixada dos EUA em Teerã que fez 66 reféns.

Nos anos 80, os Estados Unidos mantinham o apoio incondicional a Israel e a amizade de governos árabes conservadores, como a monarquia da Arábia Saudita. A União Soviética, por outro lado, mantinha vínculos com governos nacionalistas, como a Síria, e dava um apoio discreto à OLP.

Em 1983 Ronald Reagan foi forçado a retirar-se do Líbano após as tropas americanas sofrerem perdas através das mãos do Hizbolah, movimento apoiado por Teerã.

O imperialismo fez diversas tentativas de retomar seu domínio sobre o Irã: sanções econômicas, financiamento de oposições pró-imperialistas e, durante o mandato de Reagan, inclusive do armamento de Saddam Hussein, para que declarasse a guerra ao Irã, que durou oito anos (1980-88) .
Os dois países vinham tendo problemas desde 1975, quando o Irã passou a ter controle de territórios que até então pertenciam ao Iraque.

O Irã passou a estimular os xiitas iraquianos à rebelião contra o governo de Bagdá. E o Iraque, por seu lado, reacendeu o desejo de ter de volta os antigos territórios.

A guerra, uma das mais cruéis e sangrentas das últimas décadas, deixou mais de um milhão de mortos. Regiões inteiras dos dois países foram devastadas, terminou sem vencedores.

Por outro lado, a guerra serviu também de pretexto para que os Ayatollah's reprimissem o movimento operário e estabelecessem um controle férreo sobre a juventude.

Os eventos no Irã iniciaram o crescimento da militância política do Islã através do mundo muçulmano.

Na superfície eles demonstraram o poder das massas em golpear o imperialismo.
A contradição dessa revolução foi sempre sua direção, a hierarquia xiita, que tratou de desmobilizar as massas e estabeleceu um Estado ditatorial e teocrático, que manteve o sistema capitalista, atacou os comitês operários, perseguiu o movimento sindical independente e obrigou a população a aceitar os desígnios dos Ayatollah's.


Foram os fracassos passados dos movimentos nacionalista secular árabe e as traições dos partidos comunistas que definitivamente criaram as condições para o surgimento de uma corrente política de direita islâmica. Isso refletiu, no Irã e em outros lugares, o impasse do capitalismo na região e a necessidade para as massas oprimidas em procurar uma saída.

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