segunda-feira, 29 de junho de 2009


Filho de pai negro e mãe com pele clara, o Malcolm Little e seus 7 irmãos iriam sofrer todos os preconceitos de uma sociedade extremamente preconceituosa, desigual e racista. Sua infância e adolescência foram marcadas pela violência característica dos guetos pobres norte-americanos.

Ainda mais após a morte brutal de seu pai, Earl Little,pastor batista afro-americano de militância ativa: o reverendo Earl Little, também filiado a UNIA – Associação para a Melhoria Universal do Negro.

Possuía uma deficiência, sendo cego de um olho e era alto, 1 metro e 90 centímetros de altura.

Earl era de Reynolds, estado da Geórgia, sul dos Estados Unidos e logo cedo teve que abandonar os estudos, para ajudar no sustento da família. Era um seguidor das idéias de Marcus Garvey que propunha para o negro a liberdade, independência e o amor próprio, além do retorno a África.

Foi 1931, violentamente assassinado após um espancamento. Seu corpo foi jogado em uma linha do trem e partido em dois após a passagem do mesmo. O Sr. Little foi mais um negro, entre milhares, a ser assassinado pelo ódio racista da classe dominante branca. Os assassinos, mais uma vez, não foram punidos pelo estado americano complascente com os linchamentos que ocorriam.

Assim, sua mãe, Louise Little ficou responsável por sustentar 8 filhos, tarefa praticamente imposível para uma afrodescente em uma sociedade como a norte-americano dos anos 1930. A mãe não suportou a presão e foi internada em um hospital para pessoas com deficiência mental. Após isso, a família foi separada, os dois irmãos mais velhos foram abandonado a própria sorte, pois já não tinham idade para a adoção. Os outros foram adotados por famílias diversas.

Malcolm foi morar em Boston após terminar a 8ª série como o melhor aluno de sua classe, demonstrando muito apreço pela leitura e sonhando em se tornar um advogado. Na cidade passou a viver com sua meia-irmã Ella. Durante a adolescência, sua vida foi como a de outros milhares de afro-americanos em uma sociedade que não lhes dava condições mínimas de cidadania. Malcolm teve que começar a trabalhar como sapateiro, dividindo seu tempo entre os estudos ginasiais e o trabalho. Logo, Malcolm aprendeu que nos Estados Unidos da década de 40, estudar e sonhar não era algo para negros.

Traficou, roubou e foi preso em 1946 juntamente com seu grande amigo Shorty e suas respectivas namoradas brancas. As mulheres brancas tiveram sua pena reduzida para de 1 a 5 anos, mas Malcolm foi condenado a 10 anos e Shorty a 8.

Foi na cadeia que a vida de Malcolm mudou radicalmente de mais um afro-americano que seria oprimido pelo sistema para um dos maiores e conhecidos líderes na luta por direitos civis dos negros nas décadas de 50 e 60 nos Estados Unidos. A chave de sua mudança foi a conversão ao islamismo ocorrida na cadeia.

O X vem dessa conversão e significava suas origens étnicas africanas, segundo revelação divina. Malcolm optava, então, por perder seu sobrenome branco, Little, para carregar o sobrenome de sua origem africana.

O agora Malcolm X começou a integrar a famosa Organização da Nação do Islã (NOI). Nos anos finais na cadeia e após a conversão, Malcolm será um leitor feroz, o que o tornará portador de uma grande erudição, que associado ao seu carisma e poder de oratória serão fatores que o farão o homem mais conhecido dos E.U.A. em fins da década de 50 e início da década de 60. Para se ter uma idéia da importância de X, a figura de Malcolm aparecia mais na mídia do que homens como Martin Luther King e John F. Kennedy.

O primeiro, o contexto da luta por direitos civis da sociedade norte-americana da época, que tinha várias matizes, desde o pacifismo de Martin Luter King até o radicalismo da NOI e dos Panteras Negras. O segundo, é a importância de X na mesma.

A pauta de luta da NOI era extremanente radical e incluia a condenação da miscegenação racial, a separação total entre brancos e negros, a luta por um estado preto, separado de um habitado por pessoas brancas, a desobediência civil e a luta e a desobediência civil para alcançar seus objetivos, X se tornou ministro da organização e seu segundo mais importante lider, atrás apenas de Elijah Muhammad.

Na década de 60, X começa a se desentender com Elijah Muhammad, que culminará com o seu rompimento com a NOI, em 1964. Após isso, faz sua perenigração a Meca, um fato marcante em sua vida. Tanto que mudará seu nome para Al Hajj Malik Al-Habazz. Ao conhecer outras formas de professar sua fé em Alá, sua visão de mundo se torna muito mais tolerante religiosamente.

Ao voltar para os Estados Unidos, funda a Organização da Unidade Afro-Americana, grupo não religioso e não sectário, criado para unir os afro-americanos com claras feições socialistas. X compreende que o problema enfrentado pelos afro-americanos era muito mais complexo do que apenas a cor e a opção religiosa. Era, sim, fruto do desenvolvimento do capitalismo nos E.U.A., em que os afro-americanos estavam no patamar mais baixo da sociedade.

Como tantos outros líderes que lutam por transformações, Malcolm se deparou com a morte repentina, sendo assassinado em 21 de fevereiro de 1965, na sede de sua organização. Ele recebeu 16 tiros de calibres 38 e 45. A maioria deles atinge o coração de X. Ele foi assassinado na frente de sua esposa Betty, que estava grávida, e de suas quatro filhas.

Malcolm X é uma sintese de uma parte do movimento negro nas década de 50 e 60 em três pontos fundamentais: o islamismo, a violência como método para auto-defesa e o socialismo.

A religão foi a porta de entrada de X para se questionar sobre os problemas sociais enfrentados pelos negros. Entretanto, com o decorrer de sua vida, percebeu que a questão do negro não era apenas de caráter teológico, e, sim, uma questão política, econômica e civil de uma sociedade capitalista. Maykon Santos


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Malcolm X vai servir de inspiração a vários movimentos de luta.


"Black Panther Party" - Panteras Negras, a finalidade original do partido era patrulhar guetos negros para proteger os residentes dos atos de brutalidade da polícia. Os Panteras tornaram-se eventualmente um grupo revolucionário marxista que defendia o armamento de todos os negros, a isenção dos negros no pagamento de impostos e de todas as sanções da chamada "América Branca", a libertação de todos os negros da cadeia, e o pagamento de compensação aos negros por séculos de exploração branca. Sua ala mais radical defendia a luta armada. Em seu pico, nos anos de 1960, o número de membros dos Panteras Negras excedeu 2 mil e a organização coordenou sedes nas principais cidades.

Nos meados dos anos de 70, tendo perdido muitos de seus membros e diminuído a simpatia de muitos líderes negros estadunidenses, levaram a uma mudança dos métodos do partido, que mudaram da violência para uma concentração na política convencional e em um fornecimento de serviços sociais nas comunidades negras. O partido estava efetivamente desfeito em meados dos anos de 1980.


Black Power (Poder Negro) é um movimento entre pessoas negras em todo o mundo, especialmente nos Estados Unidos. Mais proeminente no final dos anos 1960 e início dos anos 1970, o movimento enfatizou orgulho racial e da criação de instituições culturais e políticos negros para cultivar e promover interesses coletivos, valores antecipadamente, e segura autonomia para os negros.
O mais antigo conhecimento do uso da expressão "Black Power" veio de um livro de Richard Wright de 1954 intitulado "Black Power". O primeiro uso da expressão em um sentido político pode ter sido por Robert F. Williams, presidente da NAACP, escritor e editor da década de 1950 e 1960. A expressão "Black Power" foi criada por Stokely Carmichael, militante radical do movimento negro nos Estados Unidos, após sua vigésima sétima detenção em 1966. "Estamos gritando liberdade há seis anos. O que vamos começar a dizer agora é poder negro", anunciou.



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