sexta-feira, 5 de junho de 2009

H o l o d o m o r

Holodomor ou Golodomor (em ucraniano: Голодомор) é o nome atribuído à fome de carácter genocidário, que devastou principalmente o território da República Socialista Soviética da Ucrânia (integrada na URSS). Este acontecimento também conhecido por "Grande Fome da Ucrânia " representou um dos mais trágicos capítulos da História da Ucrânia, devido ao enorme custo em vidas humanas.
Apesar de esta fome ter igualmente afectado outras regiões da URSS, o termo Holodomor é aplicado especificamente aos factos ocorridos nos territórios com população de etnia ucraniana: a Ucrânia e a região de Kuban, no Cáucaso do Norte.
Como tal, é por vezes designado de "Genocídio Ucraniano"ou "Holocausto Ucraniano", significando que essa tragédia seria resultante de uma ação deliberada de extermínio, desencadeada pelo regime soviético, visando especificamente o povo ucraniano, enquanto entidade socio-étnica.
O termo Holodomor deriva da expressão ucraniana 'Морити голодом' (moryty gholodom), tendo como raíz etimológica as palavras holod (fome) e moryty (matar através de privações, esfaimar), significando por isso "matar pela fome".
Entre os anos 1932 e 1933, os ucranianos protagonizaram, a contragosto, algumas das páginas mais tristes e menos conhecidas da história soviética. Foram “páginas em branco”, porque omitidas durante décadas pelo regime capitaneado, à época, por Stalin.
A Ucrânia era considerada, até então, o “celeiro da Europa”, graças à fertilidade de seu solo negro (chernozem), explorado pela maioria de seus cidadãos, historicamente agricultores.
Em 1929, com plenos poderes ditatoriais, Stalin forçou a implantação de uma indústria estatal e a colectivização das atividades agricolas, através de kolkhozes (cooperativas agrícolas) em seu vasto império. Naturalmente, essa política econômica encontraria sérios obstáculos entre os agricultores ucranianos mais prósperos e favoráveis à economia de mercado (chamados pejorativamente de kurkuls).
A reação do Stalin foi dar uma “lição aos nacionalistas renitentes”.
Primeiramente, acabou com os kurkuls. Muitos proprietários abonados foram assassinados e os demais (2.800.000) foram deportados para o Kasaquistão e a Sibéria. O segundo passo foi a nacionalização das pequenas propriedades privadas, obrigando a filiação de seus donos às kolkhozes. Finalmente, decretou o confisco dos alimentos. Pela primeira vez no Estado moderno alguém utilizaria a fome como uma arma de destruição colectiva.
Mecanismos perversos
Em lingua ucraniana, o neologismo Holodomor (Grande Fome provocada artificialmente) identifica a tragédia que varreu o pais, transformando-o em uma estepe vazia onde rastejava, em completa inanição, a população inocente. Os sobreviventes não tinham forças para sepultar seus mortos.

Através de uma intolerável politica fiscal, todos os recursos monetários foram exauridos pelo Estado soviético. A totalidade da produção agricola era obrigatoriamente requisitada pelas cooperativas. A chamada “lei das cinco espigas”, proposta pessoalmente pelo ditador em agosto de 1932, exigia a morte por fuzilamento ou a prisão por dez anos para o infeliz surpreendido roubando comida.
As mercadorias da população foram confiscadas e proibido o seu comércio, sob pena de fuzilamento ou prisão por dez anos. Outras regiões da URSS estavam proibidas de ajudar aquelas populações. Foram retidos os passaportes internos, de modo que as famílias não podiam procurar alimentos em outras áreas da URSS. A repressão foi acompanhada por um ataque impiedoso à cultura ucraniana, à fé ortodoxa e à consciência nacional.
Silêncio!
A direção da polícia política secreta decretou:
“É categoricamente proibido a qualquer organização ter o registro dos casos de doença ou morte por fome, excepto os órgãos da polícia política”.
Em 1934, ela decidiu que todos os registros do censo de 1932-1933 fossem enviados a repartições especiais, onde, com toda a probabilidade, foram destruidos. Como se aquela gente jamais tivesse existido.
Na verdade, elas foram mortas duas vezes:
Primeiramente pela fome.
Em seguida, pela omissão a que foram submetidas por mais de setenta anos pelo regime soviético.
Na perspectiva do ditador, o Partido Comunista e o Governo, ucranianos tinham sido infiltrados por agentes nacionalistas ("Petliuristas") e espiões polacos ("agentes de Pilsudski"), e as aldeias renitentes à colectivização, estavam sob a influência de agitadores contra-revolucionários.
A decisão de utilizar a fome, provocando artificialmente o seu alastramento, para "dar uma lição" aos camponeses , foi tomada no Outono, num contexto especialmente delicado para o ditador, com a agudização da crise provocada pelo 1.º Plano Quinquenal, o receio de uma guerra com a Polônia,e o suicídio da sua esposa Nadezhda Alliluyeva.

"A Ucrânia é hoje em dia a principal questão, estando o partido, o Estado e mesmo os órgãos da polícia política da república, infestados de agentes nacionalistas e de espiões polacos , correndo-se o risco de se perder a Ucrânia, uma Ucrânia que, pelo contrário, é preciso transformar numa fortaleza bolchevique sem olhar a custos." Josef Stalin

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