domingo, 28 de junho de 2009



O ano de 1968 é conhecido como "O ano que não terminou", e entrou para a história como um ano extremamente movimentado e cheio de acontecimentos importantes, além de inúmeras manifestações, sobretudo estudantis, contra os regimes autoritários vigentes em diversos países do mundo, sobretudo na América Latina

68 continua enigmático, estranho e ambíguo como um adolescente em crise existencial.

Ele foi o ano da livre experimentação de drogas.

Das garotas de minissaia.

Do sexo sem culpa.

Da pílula anticoncepcional.

Do psicodelismo.

Do movimento feminista.

Da defesa dos direitos dos homossexuais.

Do assassinato de Martin Luther King.

Dos protestos contra a Guerra do Vietnã.

Da revolta dos estudantes em Paris.

Da Primavera de Praga.

Da radicalização da luta estudantil e do recrudescimento da ditadura no Brasil.

Da tropicália e do cinema marginal brasileiro.

Foi, em suma, o ano do “êxtase da História”, para citar uma frase do sociólogo francês Edgar Morin, um dos pensadores mais importantes do século XX. Foi um ano que, por seus excessos, marcou a humanidade. As utopias criadas em 68 podem não ter se realizado. Mas mudaram para sempre a forma como encaramos a vida.

O cantor americano Bob Dylan disse recentemente que 1968 foi o último ano em que todas as utopias eram permitidas e que hoje em dia “ninguém mais quer sonhar”. Numa simplificação, pode-se afirmar que o período simboliza a utopia de milhões de jovens rebeldes e cabeludos de acabar com a moral repressora da velha sociedade. Por si só, isso já seria grande o suficiente.

Mas foi só isso?

Para o escritor e jornalista Zuenir Ventura, autor de 1968 – O Ano Que Não Terminou, serão necessários muitos anos para que se entenda seu legado. “Ainda ninguém explicou por que tudo aconteceu naquele ano e de que forma o mundo absorveu os impulsos revolucionários daquela geração”, diz Zuenir, que vai lançar em abril, 1968 Terminou?, continuação de seu primeiro livro sobre a época, publicado há 20 anos, a energia revolucionária que desabrochou há quatro décadas.

Uma forte corrente acredita que o mundo seria hoje muito pior se 68 não tivesse acontecido. Nesse time jogam as pessoas que mantêm as idéias de esquerda frescas na memória. “Se a juventude, e não a repressão, tivesse vencido, o Brasil teria avançado mais rapidamente nas reformas democráticas”, diz José Dirceu de Oliveira, um dos protagonistas do 68 brasileiro. Para ele, os principais protestos civis da história recente do país só ocorreram porque o caminho foi traçado pelos rebeldes de sua geração. Seriam exemplos dessa herança contestatória a campanha das Diretas Já e os caras-pintadas que foram às ruas pedir o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. Em seus tempos de líder estudantil, José Dirceu pregava a liberdade e a justiça social.

As rebeliões estudantis que varreram universidades da Europa, EUA e América Latina nos anos 60 não tiveram como ponto de partida o Maio de 68 francês na Sorbonne e em Nanterre, mas no "Free Speech Movement"-Movimento pela Liberdade de Expressão- na Universidade de Berkeley (Califórnia), em outubro de 1964.
1968 foi um ano célebre pelos acontecimentos que o marcaram.
Na França, o mês de Maio caracterizou-se por uma série de manifestações estudantis que contribuíram para as reformas sociais que se vieram a verificar em muitos países europeus.
A "Primavera de Praga", na Checoslováquia , foi um período de liberalização política e em Março de 1968 os estudantes universitários polacos revoltaram-se a favor de reformas e da liberdade de expressão. A Primavera de Praga foi o movimento liderado por intelectuais reformistas do Partido Comunista Tcheco, interessados em promover grandes mudanças na estrutura política, econômica e social, na Tchecoslováquia.
A experiência de um "socialismo com face humana” foi comandada pelo líder do Partido Comunista local, Alexander Dubcek. A proposta surpreendeu a sociedade tcheca, que em 5 de Abril de 1968 soube das propostas reformistas dos intelectuais comunistas. Os russos conseguiram uma ocupação total em poucas horas, porém chegaram a um impasse político, as diversas tentativas para criar um governo colaboracionista fracassaram e a população tcheca foi eficiente em minar a moral das tropas.
No dia 23 se iniciou uma greve geral e no dia 26 se publicou o decálogo da não cooperação:
não sei, não conheço, não direi, não tenho, não sei fazer, não darei, não posso, não irei, não ensinarei, não farei!
As reformas foram canceladas e o regime de partido único continuoua vigorar na Tchecoslováquia.
Em protesto contra o fim das liberdades conquistadas, o jovem Jan Palach ateou fogo ao próprio corpo numa praça de Praga em 16 de Janeiro de 1969.
As alterações decorrentes dos acontecimentos de 1968 desempenharam um papel importante na construção da Europa actual, representada no Parlamento Europeu. O debate sobre o legado de há 40 anos continua aberto, mas muitos defendem que está na hora de olhar para o futuro.
A Passeata dos 100 Mil foi um dos eventos mais importantes da luta contra a ditadura militar.
No dia 26 de junho de 1968, aproximadamente cem mil pessoas ocuparam as ruas do Centro do Rio de Janeiro para protestar contra o ambiente de opressão e violência que dominava a sociedade brasileira do período.
A partir de 1967, as passeatas estudantis foram a forma mais significativa de oposição por parte da sociedade ao regime militar, agregando cada vez mais manifestantes por evento e refletindo a crescente insatisfação com a ditadura.
No segundo semestre de 1968, as autoridades militares passaram a perseguir líderes estudantis, políticos e artistas críticos ao regime. No dia 13 de dezembro de 1968, o governo edita o AI-5, ato institucional que acabava definitivamente com as liberdades individuais e reprimindo violentamente todo ato de insubmissão contra a ditadura.
O movimento e cultura hippie nasceu e teve o seu maior desenvolvimento nos EUA. Foi um movimento de uma juventude rica e escolarizada que recusava a injustiças e desigualdades da sociedade americana, nomeadamente a segregação racial. Desconfiava do poder económico-militar e defendia os valores da natureza. Dois valores defendidos eram a "paz" e o "amor". Opunham-se a todas as guerras, incluindo a que o seu próprio país travava no Vietname. Defendiam o "amor livre", quer no sentido de "amar o próximo", quer no de praticar uma actividade sexual bastante libertária. Podia-se partilhar tudo, desde a comida aos companheiros.
A palavra de ordem que melhor resume este sentimento foi a famosa "Make Love Not War".
Em Março de 1965 os estudantes da Universidade de Michigan levaram a cabo a primeira acção com o objectivo de mostrar que a guerra do Vietname era imoral e que os EUA a deveriam abandonar.
"Foram os melhores tempos. Foram os piores tempos. Foi uma amálgama que não se voltará a repetir".
Janeiro: Ofensiva do Tet (Vietnã) As forças norte-vietnamitas atacavam centenas de cidades do sul, entre elas Hue e Saigon. A ofensiva surpresa, que causou comoção na opinião pública americana e desacreditou o governo do presidente Lyndon Johnson (1963-1969), mostrou que uma guerrilha poderia desafiar o até mesmo o poderio bélico dos EUA.
Março: Nanterre se agita (França) Estudantes liderados por Daniel Cohn-Bendit ocuparam a torre administrativa da Universidade de Nanterre e criaram o Movimento 22 de Março.
15 de março - São desapropriados, em Cuba, os últimos estabelecimentos privados -bares, livrarias e oficinas
16 de março - Militares norte-americanos massacram cerca de 150 civis vietnamitas na aldeia de My Lai, no Vietnã
28 de março - O governo da África do Sul apresenta três leis que culminam no apartheid
Abril: Assassinato de Martin Luther King (EUA) Ativista contra a segregação racial nos EUA, o pastor negro e Prêmio Nobel da Paz em 1964 foi assassinado no dia 4 por um segregacionista branco em Memphis (Tennessee). Os distúrbios que se seguiram atingiram as grandes cidades americanas, entre elas Washington. Pouco tempo depois, o presidente americano Johnson assinaria a lei dos direitos cívicos, proposta por King.
05 de abril - É lançado, na Tchecoslováquia, o programa de reformas políticas que ficou conhecido como Primavera de Praga

10 de abril - Caetano Veloso participa da "Noite da Banana" no "Programa do Chacrinha" (Rede Globo)

17 de abril - 68 municípios são considerados área de segurança nacional. Com isso, ficaram suspensas, nessas cidades, as eleições municipais de novembro
28 de abril - Cerca de 60 mil manifestantes protestam, no Central Park, em Nova York, exigindo o fim da Guerra do Vietnã (1959-1975)
30 de abril - Estréia na Broadway o musical "Hair"
Maio: A insurreição parisiense (França)

Em Maio de 68, a França concentrou em um mês as transformações sociais de uma década que já ocorriam nos Estados Unidos e em países da Europa e da América Latina. Em 30 dias, os estudantes criaram barricadas, formando verdadeiras trincheiras de guerra nas ruas de Paris para confrontar a polícia. Mais do que isso, os jovens tiveram idéias e criaram frases tidas como as mais "ousadas" da segunda metade do século 20.
A agitação universitária se transformava em insurreição na madrugada de 10 de maio, com barricadas e incêndios de viaturas policiais no bairro latino Quartier Latin. Uma greve geral lançada no dia 13 do mesmo mês paralisa o país.
Desconcertado a princípio, o governo se recupera e organiza, no dia 30, uma enorme manifestação de apoio ao presidente Charles de Gaulle, que declara: "Não sairei".
Em julho, De Gaulle vence as eleições legislativas e se fortalece.

Enquanto a agitação causada pelos protestos contra a Guerra do Vietnã (1959-1975) se instala nos campi norte-americanos, o maio parisiense se estende a países como a Itália, a Alemanha, o Brasil, a Turquia e o Japão
Junho: Um segundo Kennedy assassinado (EUA) No dia 5 de junho, na noite de sua vitória nas primárias democratas da Califórnia, o senador Robert Kennedy, o Bobby, irmão mais novo do ex-presidente John F. Kennedy(1961-1963), assassinado em 1963, recebe vários tiros à queima-roupa disparados pelo palestino Sirhan Sirhan, e morre no dia seguinte.
16 de junho - A polícia francesa retoma à Sorbonne, até então ocupada pelos estudantes

26 de junho - É realizada, no Rio de Janeiro, a "Passeata dos Cem Mil", reunindo principalmente estudantes, intelectuais, artistas, padres e mães, autorizada pelo governo federal.

Julho: Fome em Biafra (Nigéria) Tragicamente famosa pelas imagens da fome difundidas pela mídia na época, a Guerra de Biafra, iniciada em 1967 pela luta separatista dessa região do leste da Nigéria, desencadeia um movimento humanitário internacional.
18 de julho - Integrantes da peça "Roda Viva" são agredidos no teatro Ruth Escobar, em São Paulo. A ação foi atribuída a integrantes do CCC (Comando de Caça aos Comunistas).

Agosto: Repressão à Primavera de Praga (Tchecoslováquia)
Nomeado secretário do Partido Comunista tcheco em janeiro, Alexander Dubcek instaura a experiência original do "socialismo com face humana" e liberaliza o regime, algo inaceitável para Moscou, que, no dia 21, envia os tanques do Pacto de Varsóvia (aliança militar dos países do Leste Europeu) para reprimir os anseios por democracia.
21 de agosto - A Tchecoslováquia é invadida por tropas do Pacto de Varsóvia, em represália à "Primavera de Praga"

24 de agosto - A França explode, no oceano Pacífico, a sua primeira bomba de hidrogênio 03 de setembro - O deputado federal Márcio Moreira Alves, do MDB (atual PMDB), discursa contra as Forças Armadas na Câmara dos Deputados, em Brasília

Outubro: Massacre no México Entre 200 e 300 estudantes mexicanos que realizavam protestos morrem após serem atacados pelas forças de ordem, no dia 2 de maio, na praça das Três Culturas, na Cidade do México.
O massacre ocorre dez dias antes da abertura dos Jogos Olímpicos, quando, diante das câmeras de TV do mundo todo, dois atletas afro-americanos sobem ao pódio com os punhos erguidos com luvas negras, uma saudação do grupo de defesa dos direitos civis aos negros Panteras Negras.
02 de outubro - Confronto entre estudantes da Universidade Mackenzie e da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras da USP, em São Paulo, mata o estudante José Guimarães

10 de outubro - A Assembléia Nacional da França realiza reformas no sistema educacional do país

12 de outubro - Cerca de 1.200 estudantes são presos em Ibiúna (São Paulo), quando realizavam clandestinamente o 30º Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes)

05 de novembro - O republicano Richard Nixon (1969-1974) é eleito presidente dos EUA

21 de novembro - O presidente Costa e Silva aprova a lei de censura de obras de teatro e cinema. É criado também o Conselho Superior de Censura

22 de novembro - Chega às lojas, nos EUA, o "Álbum Branco" dos Beatles.

13 de dezembro - Entra em vigor o AI-5 (Ato Institucional nº 5), que suprime as liberdades democráticas no Brasil. Com o AI-5, o Congresso Nacional é colocado em recesso e vários parlamentares têm seus mandatos cassados.
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Um comentário:

  1. Texto ótimo, mas por favor, essa letra é horrível de ver ainda mais nessa cor.

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