sábado, 11 de setembro de 2010


سکينه محمدي آشتياني


Sakineh Mohammadi Ashtiani, mãe iraniana, pode ser executada a qualquer momento.

Segundo a informação das autoridades judiciais competentes no Irã, a condenada, “[...] não será executada por apedrejamento”, informou a embaixada do Irã no Reino Unido, em comunicado divulgado na noite de quinta-feira e publicado na íntegra hoje pelo jornal britânico “The Times”.

O texto não diz, em nenhum momento, que a pena de morte foi revogada. O advogado de Ashtiani, Mohammad Mostafavi, disse que sua cliente “continua na prisão” e que não foi informada de nenhuma decisão das autoridades iranianas de suspender a sentença.

“Não diz se a pena foi anulada, se foi trocada por outra, se será solta ou se haverá um novo julgamento”, disse o advogado.

ESPERANÇA

Mãe de dois filhos, Ashtiani recebeu 99 chicotadas após ter sido considerada culpada, em maio de 2006, de ter uma “relação ilícita” com dois homens. Depois, foi declarada culpada de “adultério estando casada”, crime que sempre negou, e condenada a morte por apedrejamento.

O recente anúncio de que a aplicação da pena “poderia ser iminente” despertou uma grande mobilização internacional, e países como França, Reino Unido, EUA e Chile expressaram suas críticas à decisão de Teerã.

O filho da condenada, Sajad, explicou ao jornal britânico “The Guardian” que falou com a mãe e ela se mostrou esperançosa com a mobilização internacional.

“Deram-me permissão para falar com ela e estava muito agradecida com todas as pessoas do mundo por apoiá-la”, disse por telefone ao jornal.
“Foi a primeira vez em anos que escutei alguma esperança na voz de minha mãe.”

ONDA DE CRÍTICAS

A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional pediu nesta sexta-feira que o Irã perdoe a vítima, alegando que “uma simples mudança do método de execução” não era suficiente diante da
“injustiça”.

”Castigar, e em alguns casos executar, as pessoas por manterem relações nas quais há consentimento mútuo não é assunto do Estado”,
declarou Hassiba Hadj Sahraoui, vice-diretora do programa Oriente Médio da Anistia.

A organização afirmou em comunicado que há pelo menos outros dez casos de pessoas condenadas a morte por apedrejamento.

O ministro de Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, pediu que as autoridades iranianas escutem
“os pedidos que vêm do Irã e do mundo para que triunfe o sentimento de humanidade”.

Seu colega britânico, William Hague, qualificou a morte por apedrejamento de “castigo medieval”. “Se isso for feito, vai levar indignação e horror ao mundo.”

Os Estados Unidos consideraram “selvagem” e “uma forma legalizada de morte mediante tortura”.

Já o Chile pediu que Teerã “proteja o direito à vida e integridade física” da vítima.

O embaixador brasileiro em Teerã, Antonio Salgado, abriu as negociações do Brasil para oferecer oficialmente asilo para a iraniana, o Itamaraty informou que as sugestões já foram apresentadas pelo representante brasileiro a autoridades em Teerã.
Após oferecer asilo à mulher, uma proposta aceita por ela , e ser criticado por Teerã, o presidente brasileiro avisou que não intercederia mais publicamente na situação .
Além disso, mais de 80 personalidades do mundo político e cultural assinaram uma carta aberta, expressando seu “horror e consternação” e pedindo que o Irã “reveja o caso”. Entre os signatários estão a ex-secretária de Estado americana Condoleezza Rice; o prêmio Nobel da Paz José José Ramos Horta; e os atores Robert Redford, Emma Thompson e Robert de Niro.

A defesa

O advogado da iraniana, Mohammad Mostafaei, conhecido ativista de direitos humanos, passou a se esconder desde o dia 24 de julho, por medo das autoridades iranianas, segundo a BBC Brasil. No dia 08/08, ele chegou à Noruega, depois de deixar o Irã na semana passada e passar pela Turquia, onde tentou ganhar a condição de refugiado.

Em entrevista ao diário turco Hürriyet, Mostafaei revelou que já entrou com um pedido de asilo junto ao governo norueguês. Ele contou que considerou se entregar às autoridades iranianas, mas depois mudou de ideia porque "a esposa nunca o perdoaria". O advogado também revelou que tomou a iniciativa de deixar o Irã depois de descobrir que as autoridades do país tinham a intenção de prendê-lo.

A mulher do advogado, Fereshteh, foi presa logo depois de ele ter saído do país, sob a acusação de "acobertar um suspeito procurado". Ela foi libertada no dia 07/08, sob fiança, depois de passar quase duas semanas confinada em uma solitária em Teerã, capital do país. Junto com a esposa de Mostafaei, também haviam sido presos seu cunhado e sogro, já soltos pelas autoridades iranianas.

O advogado espera que as autoridades iranianas o deixem retornar ao seu país para voltar a exercer sua profissão. Segundo ele, a decisão de pedir asilo à Noruega se deveu ao fato de já ter obtido um visto de um ano e à "ótima reputação relativa aos direitos humanos do país nórdico".

O Parlamento europeu concedeu apoio unânime à iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento, denunciando a prática como "desumana, de outra época".

"É indispensável continuar denunciando uma prática desumana, de outra época", disse, em nome da Comissão Europeia, o comissário da Agricultura, Dacien Ciolos. "A ideia de apedrejamento é tão bárbara que nossa condenação deve ser total", completou.

O Vaticano afirmou estar acompanhando de perto o caso da iraniana condenada à morte por apedrejamento, que é contrário à pena de morte, e afirmou que intercede ante as autoridades do Irã pelos "canais diplomáticos" e não publicamente.

O anúncio foi feito após o filho de Sakineh Mohammadi Ashtiani, Sajjad Ghaderzadeh, ter feito um apelo ao papa Bento 16 e ao governo italiano para intervirem pela vida de sua mãe, em entrevista a agência de notícias italiana Adnkronos.

"Eu lhes peço, não a abandonem. São vocês, uma vez mais, que nos têm dado as mãos. Se não fosse por vocês, minha mãe já estaria morta", pediu Sajjad, 22, em entrevista a filósofo Bernard-Henri Lévy, que será publicada nesta sexta-feira no jornal francês e no site da revista "La règle du jeu".

Um dos filhos da iraniana Sakineh Mohammadi-Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento pelo crime de adultério, divulgou nesta quinta-feira uma carta endereçada às Nações Unidas (ONU), solicitando a ajuda do organismo internacional no caso.

"Pedimos à ONU que se envolva neste caso, que uma comissão neutra internacional seja enviada ao Irã para analisar todas essas questões", disse o jovem Sajjad, de 22 anos.
"Temos recorrido à comunidade internacional e às pessoas em todo o mundo que queiram nos ajudar", diz Sajjad.

O jornal linha-dura "Kayhan" chamou Bruni de "prostituta" e alegou que seu estilo de vida significava que ela merecia um destino semelhante ao da iraniana que foi condenada à morte por adultério.


http://www.liberdadeparasakineh.com.br/

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