domingo, 5 de abril de 2009

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Drogas e Religião

O uso de psicoativos é milenar, porém, em meados do século XX, coincidindo com uma série de eventos sociais considerados de Nova Era, surge o interesse cada vez maior do ocidente em relação às culturas religiosas do oriente, a acentuada busca de autoconhecimento e individuação, a procura e a curiosidade por substâncias psicoativas que pudessem expandir a consciência, descobrir novas realidades, conhecer mais profundamente a alma humana. Diversas pesquisas científicas, produções literárias e artísticas sobre o tema tiveram assim solo fértil para se manifestar.O consumo de substâncias psicoativas não está necessariamente relacionado com propósitos espirituais. Vão desde mera curiosidade, estímulos diversos, fugas, moda, rebeldia, entretenimento.

O ser humano descobriu a muito tempo que certas plantas e substâncias tinham a capacidade de alterar estados de consciência ao serem ingeridas, aplicadas ou fumadas. Algumas civilizações atribuíram esses estados a formas de contato espiritual, deuses e forças mágicas da natureza, “plantas de poder” para fins místicos.

O uso de plantas capazes de alterar os estados de consciência tinha como finalidade “quebrar” a percepção ordinária do mundo que temos. O mundo como o vemos seria apenas uma descrição que nos é ensinada desde cedo e não uma realidade maior e definitiva,o uso das plantas seria o único meio de conseguir perceber essa outra realidade.

O uso de substâncias psicoativas em contexto religioso, muito comum na antiguidade, é ainda controverso na nossa civilização. Apenas poucos países autorizam religiões a utilizarem em seus ritos sustâncias derivadas de plantas que alteram o estado de consciência de seus seguidores. Mas, usar o termo psicoativo não é apenas uma forma de disfarçar o que poderíamos chamar de droga?


Porém fica claro que o uso da palavra droga tem sentido pejorativo, negativo em nossa língua,o que deve ser analisado é como as pessoas que consomem algumas dessas substâncias se comportam dentro da sociedade, no seu ambiente de trabalho e no seu relacionamento familiar e com amigos, pois a definição de droga tem como implicação que a pessoa esteja se alienando do convívio social saudável, tornando-se incapaz de produzir e ser responsável, além de ter prejuízos para sua saúde, estar dependente e se tornar perigosa para si mesma e para outras pessoas.

As substâncias podem criar atalhos, muitas vezes de pouca utilidade para pessoas despreparadas, mas técnicas como as meditações, orações fervorosas, contemplação, jejum, celibato e sexualidade (Tantra por exemplo), entre tantas outras práticasconhecidas dentro de diversas religiões e seitas, podem levar o ser humano a ter experiências similares dessa enteogenia provocada por essas plantas.
Não se pode atingir o sentido religioso, o religare do ser humano ao divino, sem passar também pelo biológico, ou seja, estar “encarnado”. Não se pode esperar muito quando há divisões entre pensamentos, emoções e ações. A palavra integridade deve ser vista como uma integração no indivíduo entre sua mente, corpo, emoções e espírito. Na chamada Nova Era, se assistiu uma proliferação de novas religiões, técnicas terapêuticas, sincretismos diversos, onde é possível caminhar por diversas opções, experimentar formas diferentes desse religare, dessa integração, de obter um conhecimento maior desses diversos “eus” que somos, como administrálos para nosso bem-estar, felicidade e saúde e de como contemplar o incognoscível sem apreensão, desconfiança ou medo.

A maconha é planta proscrita no Brasil e em muitos países do mundo. Não pode ser cultivada e se nascer na natureza deve ser destruída. Há muita controvérsia quanto ao uso dela, se realmente faz mal, se é tão perigosa como o álcool ou faz tão mal quanto o cigarro e outras comparações como estas com o intuito de desmistificar o seu uso, a guerra contra essa planta foi motivada muito mais por fatores raciais, econômicos, políticos e morais do que por argumentos científicos.
A maconha é usada por algumas religiões atualmente, como no Havaí
e na Jamaica, como parte do seu ritual de comunhão. Algumas delas remetendo o uso da cannabis ao cristianismo primitivo.

A erva "ganjah" (marijuana) foi reconhecida como "o fumo da sabedoria", e líderes Rasta determinaram que ela seria fumada como um ritual religioso, alegando que fora achada crescendo na cova do Rei Salomão e citando passagens bíblicas, para atestar suas propriedades sagradas: "Ele criou a grama destinando-a ao gado, e a erva à serviço do Homem, de forma que trará comida farta pelo mundo afora".

O rastafarianismo, também conhecido como movimento rastafári ou Rastafar-I (rastafarai) é um movimento religioso que proclama Hailê Selassiê I, imperador da Etiópia, como a representação terrena de Jah (Deus). Este termo advém de uma forma contraída de Jeová encontrada no salmo 68:4 na versão da Bíblia do Rei James, e faz parte da trindade sagrada o messias prometido. O termo rastafári tem sua origem em Ras ("príncipe" ou "cabeça") Tafari ("da paz") Makonnen, o nome de Hailê Selassiê antes de sua coroação.O movimento surgiu na Jamaica entre a classe trabalhadora e camponeses negros em meados dos anos 30, iniciado por uma interpretação da profecia bíblica em parte baseada pelo status de Selassiê como o único monarca africano de um país totalmente independente e seus títulos de Rei dos Reis, Senhor dos Senhores e Leão Conquistador da Tribo de Judah, que foram dados pela Igreja Ortodoxa Etíope.Alguns historiadores, afirmam que o movimento surgiu, e teve posteriormente adesão, por conta da exploração que sofria o povo jamaicano, o que favorece o surgimento de idéias religiosas e líderes messiânicos.Outros fatores inerentes ao seu crescimento incluem o uso sacramentado da maconha ou "erva", aspirações políticas e afrocentristas, incluindo ensinamentos do publicista e organizador jamaicano Marcus Garvey (também freqüentemente considerado um profeta), o qual ajudou a inspirar a imagem de um novo mundo com sua visão política e cultural.O movimento é algumas vezes chamado rastafarianismo, porém alguns rastas consideram este termo impróprio e ofensivo, já que "ismo" é uma classificação dada pelo sistema babilônico, o qual é combatido pelos rastas.

Na religião hindu, maconha era a comida favorita do deus Shiva.
Para os budistas da tradição Mahayana, Buda passou 6 anos de sua vida comendo apenas uma semente de maconha por dia antes de sua iluminação.
Os sufi, corrente mística esotérica do Islã, até recentemente, consideravam a cannabis fundamental em seus ritos.

O Peiote é um pequeno cacto que nasce no México e sudoeste dos Estados Unidos, país onde existe a Peyote Way Church e a Native American Church entre outras, que o utilizam. Presentes em alguns estados americanos, essas igrejas lutam por legalizar seu rito em mais estados pelo país. A tolerância ao Peiote por lá é devido ao uso durante séculos pelos índios norte-americanos.Durante algum tempo só era permitido para pessoas que pudessem provar ter descendência dos nativos da região. Porém alguns estados americanos aceitaram o uso religioso por membros não indígenas.

No início da colonização espanhola o uso dessas plantas era considerado coisa do diabo pelo cristianismo. A Santa Inquisição esteve presente para dizimar essas “culturas hereges”. Porém os ritos não desapareceram completamente.
O ritual do Peiote é muito antigo, data de 7000 AC, conforme descobertas em cavernas no Texas. Seu uso estava totalmente estabelecido em rituais de tribos mexicanas até a invasão dos europeus ao continente.

A Coca é uma planta comum na América do Sul. Os Incas possuíam plantações dela e a consideravam um presente dos deuses, bebida em forma de chá, ela é uma planta estimulante. Os mensageiros Incas costumavam levar folhas de Coca para darem conta de cobrirem longas distâncias.
A Coca desempenha importante papel nas práticas espirituais dos nativos, que a chamam de “folha sagrada”. O espírito da planta é antropomorfosiado como “Mama Coca”. As folhas são queimadas em oferenda à Pacha Mama (Mãe Terra) ou ao deus Inti (deus Sol). As folhas também são lidas em processos de adivinhação, semelhante à leitura do chá por outras culturas.

Na América do Sul, em paises da região amazônica, tribos indígenas e civilizações antigas como a dos Incas, conheciam uma combinação de plantas psicoativas chamada em língua quíchua (Peru) de Ayahuasca.
No Brasil, nas primeiras décadas do século passado, apareceram os primeiros sincretismos religiosos misturando o cristianismo com as tradições caboclas e xamânicas da bebida sacramental Ayahuasca, chamada de Yagé, Santo Daime, Hoasca ou simplesmente Vegetal.Há três religiões principais no Brasil que usam em seus rituais a Ayahuasca. São elas o Santo Daime, a Barquinha e a União do Vegetal. Essas religiões contam com aproximadamente 12.000 membros espalhados por todos os estados.
O CONAD, Conselho Nacional Anti-Drogas, reconheceu o uso ritualístico da Ayahuasca em Novembro de 2004.
Historicamente, a primeira religião ayahuasqueira é aquela que ficou conhecida como Santo Daime. Ela foi criada pelo ex-seringueiro Raimundo Irineu Serra - o Mestre Irineu - no início de 1930, na periferia da cidade de Rio Branco, no então território federal do Acre. (...) Em 1945, surge outra religião da ayahuasca, e que consideramos como sendo historicamente a segunda linha dessa tradição religiosa, a Barquinha, também em Rio Branco, criada por Daniel Pereira
de Mattos, o Mestre Daniel, que freqüentou o culto fundado pelo Mestre Irineu por cerca de dez anos. (...) Finalmente, em 1961, aparece a terceira religião da ayahuasca, ou seja, aquela que é cronologicamente a terceira linha da tradição religiosa ayahuasqueira, a União do Vegetal ou UDV, como é conhecida. Ela foi fundada por José Gabriel da Costa, natural do estado da Bahia, que chegou à região amazônica no início de 1940, trabalhando aí como seringueiro, tal como os fundadores das demais linhas. Inicialmente o nome do centro fundado pelo Mestre Gabriel era Associação Beneficente União do Vegetal .
Na língua quíchua Ayahuasca significa “vinho (ou cipó) da morte” ou “vinho (ou cipó) do espírito (ou da alma)”.
Nos rituais religiosos as “más viagens” não são consideradas negativas e sim limpezas e oportunidades para a pessoa enfrentar seus medos e dificuldades.

A Salvia Divinurum encontrada no sul do México, esta planta contém um poderoso psicoativo conhecido como Salvinorin.Tradicionalmente era usada para tratamentos diversos e finalidades adivinhatórias pelos Mazatecas, que viviam no estado de Oaxaca, México. Há diversas espécies de Salvia, mas penas a Divinorum possui características psicoativas.

Os Cogumelos são seres vivos do reino Fungi. Muitas espécies são comestíveis, porém há dezenas que são psicoativas.
Existem várias espécies diferentes de cogumelos psilocibinos, nome científico atribuído aos cogumelos que contêm os alcalóides Psilocibina e Psilocina. As espécies mais comuns são a Psilocybe mexicana, Psilocybe caerulescens e a Psilocybe (ou Stropharia) cubensis. Os cogumelos psicoativos são todos aqueles que contêm estes ou outro tipo de alcalóides capazes que afetar o Sistema Nervoso Central. As espécies Amanita muscaria e Amanita pantherina são cogumelos psicoativos mas não psilocibinos.
Os cogumelos psicoativos eram usados no México, Guatemala e Amazonas em rituais religiosos e por curandeiros. Os Maias utilizavam um fungo ao qual chamavam, na língua nahuátl, teonanácatl (a "carne de deus") há já 3500 anos. No seu território foram encontradas figuras de pedra com representações de cogumelos datadas de 1000 a.C. e 500 d.C.

As primeiras referências do consumo de cogumelos foram encontradas em livros por volta de 1502, nos quais era mencionado o uso em rituais como nos realizados para as festas de coroação de Montezuma, o último imperador Azteca. Os conquistadores espanhóis, não preparados para os efeitos, assustaram-se e proibiram o uso de cogumelos e da religião nativa.

Um dos cogumelos mais famosos é a Amanitas Muscaria, está descrito aqui à parte dos demais por uma pequena variação nos efeito e outras curiosidades. Está em 90% dos casos fatais de envenenamento por ingestão de cogumelos. Famoso por sua cor vermelha salpicada de pequenas protuberâncias brancas, pode ser visto em ilustrações de livros infantis ao lado de fadas, gnomos e duendes.

Alguns pesquisadores acreditam que o Amanitas muscaria é o Soma, muito citado nos Vedas, a mais antiga literatura sagrada da humanidade. Seria, portanto, um dos primeiros psicoativos usados para fins espirituais.
Essa planta contém elementos que permanecem intactos em sua passagem pelo organismo, por isso os xamãs siberianos guardavam e consumiam a própria urina para ser bebida no inverno, quando não havia o cogumelo.

A Datura há mais de 20 espécies, são plantas do grupo Sonaláceas.
No Brasil algumas espécies nascem facilmente e podem ser encontradas em terrenos baldios e valetas pelas cidades. A Datura tem seu uso xamânico de longa data pelos Astecas e por tribos norte americanas como os Zuni e os Navajo entre outras, como também na China e na Índia.
A Datura, flor sagrada do deus Shiva, mestre da vida e da morte, que provoca estados de êxtase, é também um veneno mortal. É chamada de “Erva do Diabo” entre os mexicanos. Na Antiga Grécia os sacerdotes de Apolo induziam seu estado profético com Datura. (José Eliézer Mikosz )


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