sábado, 11 de abril de 2009




RAVE SEXO DROGAS PSY TRANCE

A nova onda do psy-trance mistura Woodstock, circo e tecnologia em festas que duram até uma semana.
Rave é um estilo de festa que surgiu na Inglaterra no final dos anos 80, em seguida à política repressiva do governo Tatcher que implementou uma nova lei obrigando o fechamento dos clubes noturnos à meia noite. Os jovens ingleses que desejavam festejar começaram a organizar por eles mesmos eventos “ilegais” fora do circuito tradicional do mundo da noite. Esses encontros passaram a acontecer geralmente em lugares mais afastados da cidade, na natureza. Esse foi um período em que a música eletrônica (acid house, techno) surgia e se disseminava associada com o surgimento de novas drogas (ecstasy). “Uma nova música, uma nova droga e enfim uma nova maneira de fazer festas: rapidamente as raves se multiplicaram”

Vários motivos explicam tanto sucesso:
Primeiro, o psy quebra a sisudez das festas embaladas nos últimos 20 anos pelos gêneros eletrônicos, como drum'n'bass ou tecno.
Segundo, a atmosfera das raves evoca os efeitos de um transe lisérgico: é alegre e lúdica e não esconde o sabor de revival dos anos 60.
Terceiro, a música soa mais acessível que a das raves dos anos 90. Serve de porta de entrada tanto para a moçada como para gente mais madura, tornando a diversão mais democrática.
Finalmente, o ambiente eufórico e informal faz parte do espetáculo. As festas não acontecem em galpões fechados ou escuros, mas a céu aberto, em lugares paradisíacos, promovendo o encontro dos participantes com a natureza. Os eventos costumam contar com superprodução. Os organizadores investem em decoração e nas fantasias de artistas de circo, como malabaristas ou engolidores de fogo, para animar a imensa pista ao ar livre. No tecno e na house music, o público gosta de se concentrar na música. No psy, predominam o visual espalhafatoso, a exibição dos corpos e a variedade sonora.

PSY ( abreviação de psicodélico ): composição das palavras gregas psiké (mente) e deloun (sensorial). Refere-se a uma manifestação da mente que produz efeitos profundos sobre a experiência consciente.

Trance: palavra inglesa que significa transe ou êxtase, experiência definida por estados alterados / elevados da consciência, induzidos pela meditação ou pela estimulação dos órgãos sensoriais do organismo.

Nas últimas décadas do século XX o movimento musical conhecido como “Trance Global Psychedelic Culture” espalhou-se pelo mundo através de uma união “mística” entre a música, a dança, a natureza, e as substâncias psicodélicas. Foi em meados de 1993 que o estilo musical alternativo conhecido como trance encontrou a psicodelia no balneário alternativo de Goa, na Índia, que desde os anos 60 é a “Meca” de hippies, viajantes e freaks. Com sua natureza paradisíaca, fartura de LSD e Haxixe, misticismo hindu e tradição hippie-psicodélica, o local tornou-se um grande atrativo para a cultura das raves que surgia principalmente na Alemanha e Inglaterra em um período histórico de transições. Dessa mistura característica da era planetária, uma união entre as mais novas tecnologias, e os mais antigos conhecimentos ancestrais acerca da música deu nascimentoao Psychedelic Trance – Transe Psicodélico - que desde então vem ultrapassando todas as fronteiras até se tornar no século XXI um fenômeno global.
O movimento global do transe psicodélico está associado ao uso de “psicodélicos”, substâncias que tem como características fisicoquímicas a baixa toxicidade e a dose mínima necessária é baixíssima, quase não produzem efeito fisiológico, exceto uma certa midríase (aumento da pupila) e taquicardia. A natureza fundamental de seu efeito é psíquica, esfera que sofre uma ação impactante dessas substâncias, que são basicamente as seguintes:
a cannabis, o LSD , a mescalina , a psilocibina (cogumelos mágicos), a DMT , a ayahuasca e também as anfetaminas psicodélicas, como o Ecstasy (MDMA), das quais existem ao menos algumas centenas de análogas. No entanto, nas festas e festivais de transe psicodélico tenho observado também o uso de substâncias excitantes, como cocaína e ketamina, e também de inebriantes como o álcool e inalantes como o lança-perfume.

A música ‘psychedelic trance’ é composta com base em estruturas e freqüências
sonoras que levam ao transe. E com toda a tecnologia disponível atualmente através dos
samples e outros recursos de som, os músicos que compõe transe psicodélico utilizam-se de
freqüências elevadíssimas que influenciam o estado de consciência e podem ativar todos os
chakras, elevando conseqüentemente a energia dos que estão entregues ao som.
Stalisnav Grof utilizou a música sistematicamente no programa de terapia
psicodélica com LSD e reconheceu seu potencial para a cura. A música mobiliza emoções
associadas a memórias reprimidas, leva-as à superfície e facilita sua expressão. Ajuda a abrir a porta do inconsciente, intensifica e aprofunda o processo terapêutico e fornece um
contexto significativo para a experiência. O contínuo fluxo da música cria uma onda de
freqüências que ajudam o indivíduo a passar por experiências e impasses difíceis, levando a
superar suas próprias defesas psicológicas.
As vibrações da música levam a estados alterados de consciência quando a pessoa

deixa de vibrar na freqüência habitual da consciência cotidiana, para vibrar na música, e quando todo o corpo se funde na experiência da dança, então o ego da consciência habitual cotidiana é transcendido e a pessoa consegue acessar níveis de percepção e consciência talvez nunca antes alcançados. E para complementar, o uso de substâncias psicoativas potencializa os processos de alteração da consciência, levando os participantes a atingirem campos que envolvem emoções, sentimentos, afetos, ou seja, esferas do ser humano que muitas vezes são esquecidas e reprimidas em uma sociedade que valoriza demasiadamente o lado racional e o mecânico da mente.
Nos festivais de transe psicodélico que acontecem atualmente em todo o mundo, a música é utilizada como um catalisador para a auto-exploração. As experiências profundas guiadas pela música eletrônica envolvem a dança e também o uso de substâncias
psicodélicas que servem como “portais” para os estados não comuns de consciência, que hoje são amplamente reprimidos por nossa sociedade. Será porque?
Todas as culturas antigas e pré-industriais mostravam grande interesse pelos estados não comuns de consciência e lhes atribuíam valor como poderosos instrumentos para ligar-se às realidades sagradas, à natureza, e entre si. Também usavam tais estados para identificar doenças e curas. Estados alterados eram também vistos como importantes fontes de inspiração artística e um caminho aberto para a intuição e a percepção extra-sensorial.

Através de nossa mente podemos transcender tempo e espaço, atravessar fronteiras que nos separam de várias espécies animais, experienciar processos do reino vegetal e do mundo inorgânico e, mesmo, explorar realidades místicas e outras realidades que, antes não saberíamos existir. Podemos descobrir que experiências desse tipo exercerão profunda influência em nossa filosofia de vida e ideologia universal. Sendo assim, torna-se bem possível que as pessoas que entram em contato com tais experiências, não importando se for por meio de um ritual no México com cactos peiote, no Brasil em um ritual do Santo Daime que utiliza Ayahuasca, ou em uma rave psicodélica em algum lugar desse imenso Universo; será bem provável que essas pessoas julguem cada vez mais difícil compartilhar do sistema de crença dominante da nossa cultura industrial capitalista e das suposições filosóficas da tradicional ciência ocidental.
A visão de um Universo mecanicista foi ultrapassada e hoje estamos diante de novos paradigmas que nos mostra que somos parte de um imenso Universo Orgânico e auto-regulador. A música “psychedelic trance” é orgânica, quando a pessoa se entrega ao transe entra conseqüentemente em contato com o pulsar do próprio coração e com o pulsar da Terra. Essa experiência pode ser transformadora, e gerar múltiplas conseqüências a nível
interno e externo. Muitos dos que experimentaram a “expansão de consciência” e
despertaram para uma amplitude maior sobre o Universo, perceberam que não se
adequavam ao moralismo da igreja católica, e que não eram mais necessários para as
classes alta e média, nem como escravos, serviçais ou operários que seguem os padrões
mecânicos da sociedade de consumo.
Nesse contexto de transformação e revolta, foram muitos os que decidiram por sua
conta, criar um estilo de vida que faz girar sua própria economia. A cultura global do transe
psicodélico é um desses modos de vida, que como uma manifestação de arte, move uma produção musical alternativa (eletrônica e digital), uma criação específica da moda; e estas
por sua vez, movem uma produção alternativa de vídeo musical e toda uma série de revistas
e jornais a ela associados que sobrevivem nas fronteiras do sistema, através de uma nova
classe média informatizada que começa a se desenvolver e se servir da energia criativa
como fonte para inovações que se somam e atinge transações em escala global.
O “psychedelic trance” é um som característico da cibercultura , pois seu desenvolvimento e expansão são frutos de um verdadeiro movimento social, com seu grupo líder (a juventude metropolitana escolarizada), e com os temas de ordem (interconexão, criação de comunidades virtuais, inteligência coletiva) e suas aspirações correntes ligadas à emergência do ciberespaço. Esse estilo musical alternativo, disponibilizado na rede, em simultaneidade com todos os tipos de informações a ele associados – multimídias, arte psicodélica e visionária, psicodélicos, xamanismo e outras religiões ancestrais, etc - atingem uma certa forma de universalidade que interliga arte, ciência, cultura e espiritualidade.
As festas e os festivais de transe psicodélico que acontecem atualmente no mundo todo expõem a força do renascimento psicodélico como manifestação social do mundocontemporâneo.




As primeiras free-parties ocorrem em Goa no início dos anos 70, tornando-se conhecidas em nível mundial a partir dos anos 80. Em Ibiza, Espanha, ocorrem nos anos de 86/87 as primeiras free-parties européias, coincidindo com a explosão da acid house. No verão de 88, que ficou conhecido como o verão do amor milhares de turistas rumam para Ibiza atraídos pelas festas. No início da década de 90, inspirado pelos efeitos da acid house, o povo de Goa começa a criar um novo estilo musical, o Goa Trance, do qual um dos pioneiros foi o artista Goa Gil. A evolução do estilo ocorre a partir de um mix de gêneros musicais como new beat, new wave, electro e rock psicodélico, resultando em uma ressonância que levava os ouvintes a estados elevados da consciência. Grande parte dessa cultura inclui elementos do hinduísmo, budismo e xamanismo, fazendo referência à India, berço do trance. O trance psicodélico que conhecemos atualmente deriva diretamente do goa trance, desenvolvendo-se a partir de sons únicos e complexos com características específicas. À sua poderosa base rítmica juntam-se elementos eletrônicos e acústicos, tais como sintetizadores e instrumentos milenares como cítaras, tambores e didgereedos....As festas trance são celebrações onde se atravessa diferentes estados espirituais sob o efeito estimulante das cores, luzes e movimentos, sendo realizadas em lugares considerados centros energéticos, como praias, florestas, ruínas, etc. A decoração alude à divindades totêmicas, egípcias, pré-hispânicas, hindus, psicodélicas e cósmicas. A característica principal dessas festas é que elas não se baseiam apenas na música, incorporando também elementos locais e ancestrais, e criando, dessa forma, todo um movimento cultural em que se baseia o conceito e planejamento do evento, em uma atmosfera de tolerância e aceitação. A organização de uma festa trance é, portanto, semelhante a um ritual, onde o elemento primordial é a harmonia entre as pessoas, para que assim se possa alcançar os estados elevados da consciência, convertendo-se a festa em um ser vivo e inteligente, em completa harmonia com a natureza e o cosmos.
Concluindo, as raves psicodélicas esta atraindo cada vez mais pessoas e gerando poroutro lado campos de repressão a esse movimento.


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