quinta-feira, 23 de abril de 2009

México revive terror dos cartéis colombianos
Juan Carlos Garzón Cientista político colombiano: governos de México, Colômbia e Brasil não conseguem acompanhar o processo de globalização das máfias, o diz especialista.

No México, em 2008, os homicídios devem chegar a quase 15 mil, 23% a mais do que no ano passado e quase 30% superior a 2005. São dados do Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça que refletem a crescente onda de violência relacionada ao crime organizado, principalmente o envolvido com tráfico de drogas, e indicam que as medidas adotadas pelo presidente do México, Felipe Calderón, a partir de 2007, ainda não surtiram efeito. Embora grave, a situação da Colômbia e do Brasil, outros dois países diretamente afetados pela violência oriunda da multiplicação de organizações criminosas locais e globalizadas, não se compara à do México. Essa é a avaliação do cientista político colombiano Juan Carlos Garzón, que acaba de lançar o estudo Mafia & Co - La red criminal en México, Brasil y Colombia (Editora Planeta). Analista com pesquisas realizadas para a Organização dos Estados Americanos (OEA), Garzón compara o terror que domina hoje grandes áreas do México ao pior período da Colômbia, no início dos anos 1990, quando os cartéis de Cali e de Medellín enfrentaram abertamente as forças do governo colombiano. "A situação no México hoje é muito grave", analisa. O estudo de Garzón nos três países conclui que as organizações criminosas estão em rápida e permanente transformação. É errado imaginá-las como funcionavam havia poucos anos, como grandes organizações hierarquizadas, com chefões absolutos, como os capos da Máfia italiana ou o colombiano Pablo Escobar (1949-1993), cabeça do cartel de Medellín. Os cartéis foram substituídos por redes de organizações criminosas que se especializam em setores da economia ilegal e que se associam.

Alguns cartéis formaram alianças de cooperação para traficar grandes quantidades de cocaína, meta-anfetamina, heroína e maconha para os EUA. Dois grandes grupos agora disputam território. O cartel de Tijuana começou a trabalhar em parceria o do Golfo. Várias outras organizações se uniram em uma aliança conhecida como "A Federação", representados pelos cartéis de Sinaloa, Juárez e Valência. Eles operam não só como meros transportadores - eles ganharam independência com o lucros obtidos. Apesar de trabalharem juntos, eles são organizações independentes.



Cartel do Golfo

O Cartel do Golfo, que controla as atividades de narcotráfico no nordeste do México, opera como um Exército e foi o primeiro a ter seu próprio grupo paramilitar - os Zetas. Criado por um grupo de 30 tenentes e subtenentes que desertaram das Forças Armadas mexicanas, os Zetas são capazes de promover complexas operações e usar armamento sofisticado. Eles atuam na cidade mexicana de Nuevo Laredo, na fronteira com o Texas, e lutam para manter a influência nos Estados de Nuevo Leon e Tamaulipas desde a prisão do líder Osiel Cárdena, em 2003. Segundo a imprensa, os soldados foram treinados nos EUA, embora Washington não confirme a informação. Eles são os assassinos do Cartel, traficam armas, promovem seqüestros e recolhem os pagamentos para o grupo. Acredita-se que eles estejam controlando as rotas de tráfico em toda a fronteira ao leste entre os EUA e o México.

Cartel de Sinaloa

Em resposta aos Zetas do Cartel do Golfo, o Sinaloa estabilizou seus próprios homens fortemente armados, os Negros e Pelones. Ambos são menos sofisticados que os Zetas, e focam no ataque aos adversários. O Cartel age nos Estados de Baja California, Sinaloa, Durango, Sonora e Chihuahua. Edgar "La Barbie" Valdés Villarreal é o suposto líder dos Negros, grupo considerado responsável pelos crescentes ataques a policiais na cidade de Nuevo Laredo, numa tentativa de tomar o controle dos Zetas da polícia local. O Sinaloa está também em conflito com o Cartel de Tihuana, pelas rotas de tráfico na fronteira com a cidade americana de San Diego, na Califórnia. O cartel é considerado a maior rede de distribuição de cocaína de todo o mundo, com ramificações que vão desde os campos de cultivo de coca no Peru até as ruas das grandes cidades dos Estados Unidos.

Cartel de Tijuana

A organização que leva o nome da cidade mexicana localizada na fronteira com os Estados Unidos, é considerada uma das mais violentas. Liderado pela família Arellano Félix, o grupo sofreu importantes baixas com prisões e nos últimos anos não está claro quem lidera o cartel, que fornece 40% da droga dos EUA. O Cartel de Tijuana é retratado no filme Traffic (2000). Eles controlam o corredor Tijuana (México)- San Diego (EUA). A Baja California, onde está localizado, foi o Estado mexicano com maior índice de violência. Em setembro de 2007, o México sentenciou Benjamin Arellano Félix a 22 anos de prisão por crime organizado e tráfico. A Guarda Costeira americana capturou Francisco Javier Arellano Félix em 2006, condenado à prisão perpétua. Outro irmão, Francisco Rafael Arellano Félix, foi extraditado para os EUA em setembro de 2006 e condenado por conspiração e distribuição de cocaína.

Cartel de Juárez

O cartel baseado na cidade de Juárez, no Estado de Chihuahua, é considerada a mais poderosa organização de narcotráfico do país. Dirigido pelos irmãos Carrillo Fuentes, ele é responsável por cerca de 50% das substâncias ilegais que entram nos EUA pelo México. Fontes americanas apontam que o grupo chegou a lucrar US$ 200 milhões por semana sob o comando do ex-chefe Amado Carrillo Fuentes, que morreu misteriosamente em julho de 1997. Acredita-se que o cartel se beneficia da chamada aliança da Federação e seja responsável pelo crescimento das vendas de heroína mexicana consumida no Texas. Outras informações apontam que o cartel não possui mais ligações com a Federação, por conta dos assassinatos promovidos por membros da aliança.

Cartel de Colima

O cartel de Colima, baseado no Estado do mesmo nome e tem seu foco nas drogas sintéticas. Os líderes do grupo, os irmãos Amezcua Contreras, são conhecidos como "reis das meta-anfetaminas". Os três irmãos estão presos desde 1997, mas o cartel ainda opera em sete Estados mexicanos. Os EUA pediram ainda a extradição de José de Jesús Amezcua Contreras, mas uma lista de outubro de 2007 preparada pela Promotoria mexicana definiu que ele não poderia ser enviado ao país por conta de uma medida judicial. Em maio de 2007, Luis Amezcua Contreras também teve sua extradição para os EUA bloqueada. Em dezembro de 2007, a imprensa afirmou que o Colima recomeçou a se consolidar e tomar o controle de algumas rotas dominadas pelos cartéis de Sinaloa, Tijuana e do Golfo.

Cartel de Oaxaca

O cartel de Oaxaca foca-se principalmente no tráfico de maconha e opera no sul do México, particularmente nos Estados de Oaxaca e Chiapas. É liderado por Pedro Díaz Parada, preso por agentes federais em janeiro de 2007. Detido anteriormente em 1985, o chefe do grupo chegou a escapar duas vezes da prisão - em 1987 e 1992. A imprensa aponta ainda que Parada teria ordenado o assassinato de um juiz em 1987. O governo mexicano considera que ele seja um dos líderes do tráfico no sul do país, na região da fronteira com a Guatemala. O cartel de Oaxaca já operou em conjunto várias vezes com o de Tijuana, sendo que Parada chegou a ser o representante mais importante do cartel de Tijuana no sul do país na época da sua prisão. Parada ainda teria laços com os traficantes de cocaína colombiana.

Cartel de Valência

O cartel de Valência, liderado por Luis e Armando Valência, é forte na região central do México e tem sua base no Estado de Michoacán. É aliado da Federação e opera em conjunto com o Colima, na costa do Pacífico.

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